Júri dos Nardoni começa hoje; saiba o que pode acontecer

Rosanne D'Agostino

Do UOL Notícias
Em São Paulo

Alexandre Nardoni e Anna Carolina Jatobá enfrentam o banco dos réus a partir das 13h desta segunda-feira (22) no júri do ano, que deve decidir se o casal, pai e madrasta da menina Isabella, são culpados ou inocentes de um crime que chocou a opinião pública em março de 2008. Sob esquema especial de segurança, o julgamento acontece no Fórum de Santana, zona norte da capital paulista.

Tudo sobre o julgamento

  • Caio Guatelli/Folha Imagem - 11.04.2008

    Alexandre Nardoni e Anna Carolina Jatobá, pai e madrasta de Isabella, são acusados de homicídio doloso

Para o promotor Francisco Cembranelli, Isabella foi jogada pela janela do 6º andar do edifício London, na zona norte da capital, pelo pai. Antes, foi esganada pela madrasta e agredida por ambos. O casal, que responde por homicídio triplamente qualificado e fraude processual (por alterarem a cena do crime com o objetivo de enganar a Justiça), nega as acusações e se diz inocente (Entenda as acusações).

"Vou pedir só Justiça, nada além disso", diz promotor

Para decidir o destino do casal, sete jurados serão escolhidos entre 17 homens e 23 mulheres. Eles ouvirão 24 testemunhas arroladas por defesa e acusação. O júri promete contar com um vídeo contendo a simulação do crime e uma maquete do edifício, trazidos pela Promotoria, e com objetos encontrados no apartamento e outros, como a tela de proteção da janela, requeridos pela defesa.

Uma das faixas da avenida Engenheiro Caetano Álvares está interditada desde as 18h de domingo, onde fica o Fórum de Santana. Um esquema rígido de segurança foi adotado em razão do clamor público do caso. No plenário, 77 lugares aguardam a imprensa, familiares e curiosos, que conseguiram senhas para assistir ao julgamento. A transmissão está proibida.

Veja a seguir o plenário onde ocorrerá o júri e quem é quem no infográfico:

Entenda como funcionará o Tribunal do Júri
O primeiro passo é o sorteio dos jurados. Dos 25 presentes, sete serão escolhidos por defesa e acusação para compor o Conselho de Sentença. É ele quem decide se os réus são culpados ou inocentes. 

Casal será escoltado até o júri de presídios em Tremembé, interior de São Paulo

No início da sessão, os advogados podem apresentar motivos para suspender o julgamento. Um deles deve ser a ausência do pedreiro de uma obra vizinha ao edifício London, testemunha arrolada pela defesa e que não foi encontrada. Se o juiz não aceitar o adiamento, são ouvidos os réus, Alexandre Nardoni e Anna Carolina Jatobá, que podem dar sua versão dos fatos ou permanecerem em silêncio.

Em seguida, serão ouvidos 24 depoimentos, entre eles, o da mãe de Isabella, Ana Carolina Oliveira, considerada testemunha-chave da acusação. Esta deve ser a fase mais longa do júri, até que comecem os debates. Neles, defesa e acusação possuem três horas cada para apresentarem seus argumentos. Se o Ministério Público pedir réplica, de uma hora, a defesa tem direito à tréplica, também de uma hora.

Ao final, o júri se reúne em uma sala secreta para responder a quesitos formulados pelo juiz. Eles decidirão se o casal cometeu o crime, se pode ser considerado culpado pela atitude, e se há agravantes ou atenuantes, como ser réu primário. De posse do veredicto, Maurício Fossen irá dosar a pena com base no Código Penal. Se houver absolvição, os Nardoni deixam o tribunal livres.

Saiba mais sobre os procedimentos adotados para este julgamento:

Alexandre e Anna Jatobá serão transferidos de presídios de Tremembé (a 138 km de SP), onde estão presos, até o Fórum de Santana, sob esquema de segurança especial
Os réus ficam na carceragem do fórum até a hora do julgamento
Iniciada a sessão, são sorteados sete jurados que comporão o Conselho de Sentença. Em seguida, o plenário é aberto à imprensa
O júri popular deve durar pelo menos três dias. O juiz Maurício Fossen, que preside o julgamento, reservou o plenário por uma semana
Enquanto não são ouvidas, as testemunhas aguardam no fórum. Podem ter que dormir no próprio fórum, no Fórum da Barra Funda, zona oeste, ou em um hotel. Depois, são dispensadas
Os jurados permanecem confinados até o final do julgamento no fórum, onde há dormitórios e refeitórios
O casal deve dormir em unidades prisionais na capital, ainda a serem definidas
Estão envolvidos no julgamento 23 funcionários do cartório do júri, 12 agentes de fiscalização, dois médicos, uma enfermeira, três estenotipistas (que transcrevem as falas), 16 oficiais de justiça, três funcionários da administração, quatro da copa e cinco assessores de imprensa

 

Veja o rol de testemunhas que devem depor no julgamento dos Nardoni

Ana Carolina Cunha de Oliveira - mãe de Isabella
Renata Helena Da Silva Pontes - delegada do 9ª DP (Carandiru) à época do crime
Rosangela Monteiro - perita do Instituto de Criminalística
Paulo Sergio Tieppo Alves - médico do IML (Instituto Médico Legal)
Rosa Maria da Cunha de Oliveira - avó materna de Isabella
Rogerio Neres de Souza - advogado do caso no início
Gabriel Santos Neto - pedreiro de obra vizinha do prédio dos Nardoni
Geralda Afonso Fernandes - vizinha do casal
Carlos Penteado Cuoco - médico do IML
Laercio de Oliveira Cesar - médico do IML
Marcia Iracema Boschi Casagrande - perita
Sergio Vieira Ferreira - perito
Monica Miranda Catarino - perita
Calixto Calil Filho - Delegado titular do 9º DP à época do crime
Luiz Alberto Spinola de Castro - chefe de investigadores do 9º DP à época
Jair Stirbulov - investigador do 9º DP
Walmir Teodoro Mendes - investigador do 9º DP à época
Theklis Caldo Katifedenios - investigador do 9º DP à época
Claudio Colomino Mercado - agente policial
Adriana Mendes da Costa Porusselli - escrivã do 9º DP
Paulo Vasan Gei - escrivão do 9º DP
Rogério Pagnan - jornalista
Duas testemunhas sigilosas X

 

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