Advogado de Iasi diz que delegado do caso Glauco usa "armadilhas de criancinha"

Arthur Guimarães
Do UOL Notícias*
Em São Paulo

  • 22.03.2010 - Zanone Fraissat/Folha Imagem

    O estudante Felipe Iasi, que levou Carlos Eduardo Sundfeld Nunes à casa de do cartunista Glauco, deixa o 1º Distrito Policial de Osasco (SP) onde foi indiciado

    O estudante Felipe Iasi, que levou Carlos Eduardo Sundfeld Nunes à casa de do cartunista Glauco, deixa o 1º Distrito Policial de Osasco (SP) onde foi indiciado

Cássio Paoletti, advogado do estudante Felipe Iasi, 23, indiciado ontem (22) por suposta participação na execução a tiros do cartunista Glauco e do filho Raoni, afirmou que as razões da polícia para suspeitar de seu cliente são “pueris”.

Segundo ele, Iasi continua sustentando inocência e alegando que só foi ao local do crime obrigado por estar na mira do revólver de Carlos Eduardo Sundfeld Nunes, 24, detido atualmente em uma cela da Polícia Federal do Paraná após fugir de São Paulo, atirar em policiais na ponte da Amizade e assumir às autoridades que disparou contra pai e filho na noite do dia 12 deste mês.

Paoletti ironizou ainda o modo como foi indiciado Iasi. Como ele argumenta, o delegado responsável pelo caso, Archimedes Veras Junior, da Delegacia Seccional de Osasco, fez uma “armadilha de criancinha, usou de uma artimanha baixa, típica de um profissional que desconhece a ética". “Foi a primeira vez em 40 anos de carreira que tomei um 'passa moleque' desse tipo”, alegou, criticando o fato de a autoridade policial ter feito um convite informal para que o jovem fosse até a delegacia ontem – sem avisar que na visita o rapaz seria indiciado, deixando o advogado sem tempo hábil para fazer qualquer manobra judicial.

Procurado por três dias para conceder uma entrevista por telefone sobre o caso, o delegado informou à assessoria de imprensa da Secretaria de Segurança Pública que não irá se pronunciar hoje.

O advogado, em um discurso de quem se diz chateado com a situação, insinua que o delegado pode estar cometendo um erro ao adicionar seu cliente ao rol de pessoas com participação no assassinato, citando inclusive o episódio da Escola Base, quando os proprietários de um colégio foram acusados indevidamente por abusos contra as crianças que cuidavam. “O delegado desse caso no passado teve sua carreira prejudicada. Ele (Archimedes) faz o que quer, mas depois vai arcar com as consequências”, disse.

Citado pelos policiais como um dos pontos misteriosos do álibi de Iasi, o fato do jovem ter estacionado o carro em uma rua próxima da própria casa - e não na garagem - foi minimizado pelo advogado. “Nunca exigi de meu cliente essa explicação, pois não tem nada a ver com o episódio. Não é pelo lugar que ele parou o carro que passa a ser um criminoso”, insiste Paoletti.

Como disse recentemente o diretor do Departamento de Polícia Judiciária da Macro São Paulo (Demacro), Marcos Carneiro Lima, as informações dadas por Iasi e Nunes são antagônicas. Lima considera estranho o estudante sair da cena do crime, seguir até a sua casa e deixar o carro em uma rua próxima.

"É estranho porque a polícia chegou ao carro na rua, mesmo ele tendo lugar para guardar na garagem. Isso indica que podem existir outras contradições", ressalta o diretor. "Tivemos nesta tarde (de ontem) o resultado do rastreador do seguro do carro de Iasi. Quando recebermos outros resultados do percurso feito pelo estudante ao sair da chácara do cartunista, faremos o cruzamento das informações do carro com a localidade de onde Cadu realizou duas ligações para a PM."

*Com informações da Agência Estado

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