Brasil não tem avanços significativos na luta contra a corrupção, aponta relatório americano

Talita Boros
Do UOL Notícias
Em São Paulo

O Brasil não teve avanços significativos na melhoria da administração pública nem nos mecanismos anticorrupção, segundo o Relatório Global sobre Integridade 2009, divulgado por completo pela ONG Global Integrity, baseada em Washington, capital dos Estados Unidos.

Segundo o documento, as maiores “fragilidades” do país são basicamente as mesmas de 2006, ano da última análise da organização quando o Brasil foi analisado: falta de acesso público à informação; problemas com financiamento de campanha e falta de segurança para denúncias de corrupção. No ranking de 2009, o país aparece em 18° lugar entre 39 nações, garantindo, assim, um status de país com nível de corrupção "moderada".

Apesar de o relatório afirmar a integridade do processo eleitoral brasileiro, as regras para o financiamento de campanha recebem avaliação baixa, assim como em 2006. O maior problema, segundo o documento, é que os mais ricos influenciam diretamente no resultado do processo eleitoral do país e atuam diretamente nas decisões dos políticos depois de eleitos.

De acordo com o diretor de controle da ONG, Nathaniel Heller, a melhoria na regulamentação do financiamento político é um elemento importante na construção da confiança entre o povo e o governo. “Se a população acredita que o governo se ‘vende’ para o maior lance, isso mina a confiança no Estado e abre espaço às formas alternativas de governo, como o crime organizado”, explica.

A Global Integrity é uma organização independente e não lucrativa que acompanha as tendências de governança e corrupção no mundo. Equipes de pesquisadores e jornalistas de vários países colaboram com a ONG na avaliação da transparência de informações e prestação de contas dos governantes.

A organização também destaca o conflito de interesses na nomeação política para os altos cargos dos governos federal, estadual e municipal. Segundo o estudo, somente na esfera federal há mais de 23 mil cargos nomeados pelo governo, sendo que 25% dos comissionados são filiados a um partido. Para a ONG, isso dificulta as investigações anticorrupção no país e é considerado negativo.

O documento também critica o fato de o acesso à informação pública brasileira não ser regulamentado. Segundo a ONG, o maior problema do governo não é a falta de disposição para fornecer informações e sim a ausência de métodos corretos para colher esses dados. Segundo o documento, a falta de clareza nas informações oficiais facilita as ações irregulares no dentro do governo e dificulta futuras investigações.

 

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