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Trabalho da polícia e legista marcam segundo dia de júri do caso Isabella; fotos de corpo chocam presentes

Eliária Andrade/Agência O Globo
Manifestantes protestam em frente ao fórum de Santana, em São Paulo, onde acontece o julgamento de Alexandre Nardoni e Anna Carolina Jatobá Imagem: Eliária Andrade/Agência O Globo

Rosanne D'Agostino<br>Do UOL Notícias<br>Em São Paulo

2010-03-23T22:41:18

23/03/2010 22h41

Em cerca de onze horas de sessão, os presentes ao segundo dia de júri popular de Alexandre Nardoni e Anna Carolina Jatobá nesta terça-feira (23) pela morte da Isabella Nardoni, 5, ouviram três

Acusação e defesa resumem segundo dia

testemunhas de acusação, que tentaram comprovar que o casal, pai e madrasta da menina, a agrediu e jogou pela janela do 6º andar do edifício London em março de 2008. Pela primeira vez foi usada a maquete do prédio e fotos do corpo da menina no IML (Instituto Médico Legal) chocaram familiares e jurados.

O momento mais marcante foi a apresentação de fotos de Isabella pelo legista Paulo Tieppo Alves. A avó de Isabella, mãe de Ana Carolina Oliveira, chorou e chegou a deixar a sala do júri. Antes, o legista afirmara que um conjunto de traumas provocou a morte da menina, como já havia sido divulgado: uma asfixia causada por esganadura, uma queda dentro do apartamento, possivelmente provocada por alguém que a jogou, e a queda da janela. Mas também trouxe um laudo minuciosamente explicado: que mostra que alguém tentou calar a boca da menina para impedir seus gritos.

Antes, depôs a delegada do caso, Renata Pontes, que fazia o plantão no 9º DP (Carandiru) quando a menina foi morta. A policial defendeu as investigações do caso, negou qualquer abuso de autoridade policial contra o casal e afirmou ter “100% de certeza” de que Anna Carolina e Alexandre mataram Isabella. O depoimento começou com uma hora de atraso, para a montagem da maquete de cerca de 2 metros, que agora ocupa grande parte do plenário do 2º Tribunal do Júri do Fórum de Santana, onde o casal é julgado desde esta segunda (22).

O último e mais curto depoimento foi o do perito baiano Luiz Eduardo Carvalho Dórea, que somente teve o nome divulgado nesta terça. Autor do livro “Manchas de Sangue como Indício em Local de Crime”, Dórea foi chamado perante o tribunal para comentar um laudo feito a pedido da defesa sobre as gotas de sangue de Isabella encontradas no apartamento. Perdeu força quando a própria defesa descartou usar o laudo, feito pela perita Delma Gama extraoficialmente.

Ao final dos trabalhos, o advogado do casal, Roberto Podval, afirmou que nenhum dos depoimentos, embora mostrem como Isabella morreu, conseguem atribuir o assassinato aos Nardoni. Para o defensor, até o momento, só foram feitas suposições. “Saber como ocorreu o crime, nós sabemos. Daí ter a autoria e ver se foram eles, está muito distante”, disse.

Já o promotor Francisco Cembranelli acredita que os testemunhos serviram para demonstrar que Isabella foi brutalmente assassinada pelo casal. “Não há incoerência alguma, os depoimentos são apenas um fragmento do que a Promotoria ainda vai apresentar. Sairei daqui com o veredicto que espelhe a verdade”, afirmou.

O que deve ainda acontecer no júri do ano

Alexandre Nardoni e Anna Carolina Jatobá são réus por homicídio triplamente qualificado e fraude processual (entenda as acusações). O julgamento teve início nesta segunda-feira (22), quando o casal se encontrou pela primeira vez desde maio de 2008, durante interrogatórios do processo. Também foi ouvido o testemunho-chave da acusação. Ana Oliveira, mãe de Isabella, chorou junto com Alexandre, relatou o ciúme da madrasta e as brigas em família.

O casal é julgado por quatro mulheres e três homens, que devem dar o veredicto até a sexta-feira (26). Destes, cinco nunca participaram de um júri e receberam orientações do juiz Maurício Fossen, que conduz os trabalhos.

Antes do sorteio dos jurados, a defesa do casal fez requerimentos para adiar o júri e realizar diligências. Todos foram negados pelo juiz.

Ao final dos depoimentos de todas as testemunhas, ocorrem os debates, quando defesa e acusação apresentam seus argumentos. São três horas para cada parte. Se o Ministério Público pedir réplica, de uma hora, a defesa tem direito à tréplica, também de uma hora.

Ao final, o júri se reúne em uma sala secreta para responder a quesitos formulados pelo juiz. Eles decidirão se o casal cometeu o crime, se pode ser considerado culpado pela atitude, e se há agravantes ou atenuantes, como ser réu primário. De posse do veredicto, se houver condenação, o juiz dosa a pena com base no Código Penal. Se houver absolvição, os Nardoni deixam o tribunal livres.

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