Em cinco anos, Brasil recebe mais de 2.500 pedidos de refúgio de estrangeiros

Vitor Abdala
Da Agência Brasil

No Rio de Janeiro

O Brasil recebeu, nos últimos cinco anos, 2.562 pedidos de refúgio de estrangeiros, dos quais aceitou 1.195. Os dados foram divulgados hoje (24) pelo coordenador-geral do Comitê Nacional para os Refugiados (Conare), Renato Zerbini, durante o Fórum Urbano Mundial das Nações Unidas, que está sendo realizado no Rio de Janeiro.

Zerbini informou que apenas no ano passado foram feitos 441 pedidos, dos quais foram aceitos 275. Segundo ele, a maioria desses pedidos, que podem ser individuais ou coletivos (ou seja, para toda uma família), foi feita por refugiados da República Democrática do Congo e de outros países africanos.

De acordo com os últimos dados, há 4.239 refugiados no país, de 75 nacionalidades, sendo 1.688 africanos. Zerbini disse que essas pessoas recebem bolsa de um salário mínimo, durante um período que pode variar de um ano a seis meses, aulas de português e capacitação profissional.

O problema é que isso nem sempre é suficiente para que os refugiados tenham uma boa condição de vida e muitos acabam se concentrando em favelas de cidades como o Rio de Janeiro e São Paulo, afirmou Zerbini.

“Os refugiados que estão no Brasil são urbanos. E procuram as favelas, que seriam zonas onde, segundo eles próprios, é mais fácil a integração. No caso dos africanos, principalmente, que experimentaram anos de instabilidade institucional interna, sem acesso à escola, ao chegar aqui, eles se juntam à população com menos escolaridade e mais pobre. As favelas também são um lugar onde eles podem pagar [pela moradia]”, disse ele.

No entanto, os números de refugiados recebidos pelo Brasil sequer chegam perto do de países localizados próximos a regiões de conflito, como o Paquistão, que, apenas em 2008, recebeu 1,8 milhão de pessoas, e a Síria, que acolheu 1,1 milhão naquele ano. Em painel hoje no Fórum Urbano Mundial, a Agência das Nações Unidas para Refugiados (Acnur) informou que há 16 milhões de refugiados no mundo e 26 milhões de pessoas deslocadas dentro de seus próprios países, por causa de conflitos ou perseguições.

Os refugiados acabam e tornando um problema para as cidades, já que, segundo a Acnur, 80% deles acabam se assentando em áreas urbanas. “Temos que ser criativos, para responder da melhor forma possível a uma imensa gama de questões, como serviços públicos, desenvolvimento e planejamento urbanos", destacou o representante da Acnur no Brasil, Andrés Ramírez.

Além disso, lembrou Ramírez, as áreas para onde os refugiados vão, dentro das cidades, não são exatamente as mais desenvolvidas, mas sim aquelas onde os serviços públicos são precários e há mais violência. São áreas em que os refugiados têm que conviver com o tráfico de drogas, ressaltou.

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