Em depoimento, perita usa desenho para detalhar sangue encontrado na calça de Isabella

Rosanne D'Agostino*
Do UOL Notícias

Em São Paulo

Atualizada às 18h23

A perita Rosângela Monteiro, do Instituto de Criminalística de São Paulo, que voltou a depor na tarde desta quarta-feira (24) no julgamento de Alexandre Nardoni e Anna Carolina Jatobá, após uma pausa para o almoço, desenhou em um quadro branco as marcas de sangue encontradas na calça da menina Isabella Nardoni, 5, morta em 2008. O depoimento da perita foi encerrado às 17h.

Segundo a perita, na perna direita da criança havia uma marca grande e redonda de sangue, o que indica que o gotejamento ocorreu quando ela estava parada, a uma distância pequena do ferimento. Na perna esquerda, havia um filete de sangue, o que indica que Isabella estava com a perna flexionada, também parada.

De acordo com a perícia, Isabella havia sido agredida na testa, entrou no apartamento carregada, foi arremessada contra o chão e, depois, jogada do sexto andar do prédio onde moravam o pai e a madrasta. Ambos negam ter matado a menina.

Questionada pela defesa do casal sobre a certeza da perita de que Alexandre seria o responsável pela morte da menina, ela respondeu que análises técnicas embasam sua afirmação.

O depoimento da perita é o último das testemunhas de acusação do caso e teve início às 10h25. Às perguntas do promotor Francisco Cembranelli, ela afirmou que marcas encontradas na camiseta que Alexandre usava no dia do crime são totalmente compatíveis com as do assassino que jogou Isabella pela janela. Disse também que sangue de Isabella foi encontrado em diversos pontos do apartamento.

Quem depôs em seguida foi o jornalista Rogerio Pagnan, da “Folha de S. Paulo”.

O que deve ainda acontecer no júri do ano
Alexandre Nardoni e Anna Carolina Jatobá são réus por homicídio triplamente qualificado e fraude processual (entenda as acusações). O julgamento teve início nesta segunda-feira (22), quando o casal se encontrou pela primeira vez desde maio de 2008, e deve durar até quinta-feira.

No primeiro dia ocorreram interrogatórios do processo. Também foi ouvido o testemunho-chave da acusação. Ana Oliveira, mãe de Isabella, chorou por pelo menos três vezes, provocou o choro de ambos os réus e relatou o amor de Alexandre pela filha e o ciúme que a madrasta teria da relação do marido com a menina e com sua ex-mulher.

No segundo dia, o júri ouviu três testemunhas da acusação. Fotos do corpo de Isabella durante necropsia no IML (Instituto Médico Legal) chocaram algumas pessoas. A avó de Isabella, mãe de Ana Carolina Oliveira, chegou a deixar o plenário.

O casal é julgado por quatro mulheres e três homens, que devem dar o veredicto até a sexta-feira (26). Destes, cinco nunca participaram de um júri e receberam orientações do juiz Maurício Fossen.

Antes do sorteio dos jurados, a defesa do casal fez requerimentos para adiar o júri e realizar diligências. Todos foram negados pelo juiz.

Ao final dos depoimentos de todas as testemunhas, ocorrem os debates, quando defesa e acusação apresentam seus argumentos. São três horas para cada parte. Se o Ministério Público pedir réplica, de uma hora, a defesa tem direito à tréplica, também de uma hora.

Ao final, o júri se reúne em uma sala secreta para responder a quesitos formulados pelo juiz. Eles decidirão se o casal cometeu o crime, se pode ser considerado culpado pela atitude, e se há agravantes ou atenuantes, como ser réu primário. De posse do veredicto, se houver condenação, o juiz dosa a pena com base no Código Penal. Se houver absolvição, os Nardoni deixam o tribunal livres.
 

*Com informações da Folha Online

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