Pedreiro apenas viu que portão de obra ao lado do edifício London estava aberto, diz jornalista em júri do caso Isabella

Rosanne D' Agostino
Do UOL Notícias

Em São Paulo

O repórter Rogério Pagnan, em seu depoimento como testemunha de defesa no terceiro dia júri popular de Alexandre Nardoni e Anna Carolina Jatobá nesta quarta-feira (24), afirmou que o pedreiro Gabriel Santos Neto, que trabalhava em uma obra vizinha ao edifício London, apenas viu o portão aberto no dia da morte de Isabella.

Na época do crime, o jornalista da "Folha de S.Paulo" fez uma reportagem afirmando que a obra poderia ter sido arrombada na noite em que a menina caiu do 6º andar do prédio.

O jornalista disse que um dia após o crime, em março de 2008, foi até a rua que fica atrás do edifício, onde ouviu o pedreiro. "Ele não tinha passado aquela noite ali. Ele disse que quando chegou pela manhã viu o portão aberto", afirmou o jornalista. Ele também disse ter ouvido vizinhos, que afirmaram ter ouvido barulhos na obra naquela noite. 

Questionado pelo advogado Marcelo Raffini sobre se o portão estaria arrombado, Pagnan afirmou que não se recordava exatamente das palavras do pedreiro. "Mas se o senhor diz [advogado] que eu já disse isso no processo, naquela época a memória estava mais fresca”, disse o jornalista.

A defesa também pediu que o jornalista mostrasse onde ficava a obra na maquete que está no plenário desde ontem, reproduzindo o edifício London. "Fica aqui atrás, perto da churrasqueira. Ops, quebrei um pedaço", disse o jornalista, provocando, pela primeira vez desde o início do julgamento, risadas na plateia.

Em seguida, foi a vez de a Promotoria questionar o jornalista: "apesar de você ter quebrado a nossa maquete", continuou o promotor Francisco Cembranelli, que perguntou se Pagnan ouviu posteriormente vizinhos que dizem ter avistado as lanternas da polícia realizando uma busca naquele terreno, em busca de um possível suspeito pela morte da menina.

A resposta do jornalista foi negativa. Cembranelli perguntou também se ele havia entrado no edifício. Ele também disse que não. "O que o pedreiro disse foi que ele viu o portão mexido, só isso", finalizou. "Obrigado, apesar de tudo", agradeceu Cembranelli apontando mais uma vez para a maquete.

Antes do jornalista, quem depôs foi a perita Rosângela Monteiro, do Instituto de Criminalística de São Paulo. Segundo ela, na perna direita de Isabella havia uma marca grande e redonda de sangue, o que indica que o gotejamento ocorreu quando ela estava parada, a uma distância pequena do ferimento. Na perna esquerda, havia um filete de sangue, o que indica que garota estava com a perna flexionada, também parada.

De acordo com a perícia, Isabella havia sido agredida na testa, entrou no apartamento carregada, foi arremessada contra o chão e, depois, jogada do sexto andar do prédio onde moravam o pai e a madrasta. Ambos negam ter matado a menina. 

Questionada pela defesa do casal sobre a certeza da perita de que Alexandre seria o responsável pela morte da menina, ela respondeu que análises técnicas embasam sua afirmação.

O depoimento da perita é o último das testemunhas de acusação do caso e teve início às 10h25. Às perguntas do promotor Francisco Cembranelli, ela afirmou que marcas encontradas na camiseta que Alexandre usava no dia do crime são totalmente compatíveis com as do assassino que jogou Isabella pela janela. Disse também que sangue de Isabella foi encontrado em diversos pontos do apartamento.

O que deve ainda acontecer no júri do ano
Alexandre Nardoni e Anna Carolina Jatobá são réus por homicídio triplamente qualificado e fraude processual (entenda as acusações). O julgamento teve início nesta segunda-feira (22), quando o casal se encontrou pela primeira vez desde maio de 2008, e deve durar até quinta-feira.

No primeiro dia ocorreram interrogatórios do processo. Também foi ouvido o testemunho-chave da acusação. Ana Oliveira, mãe de Isabella, chorou por pelo menos três vezes, provocou o choro de ambos os réus e relatou o amor de Alexandre pela filha e o ciúme que a madrasta teria da relação do marido com a menina e com sua ex-mulher.

No segundo dia, o júri ouviu três testemunhas da acusação. Fotos do corpo de Isabella durante necropsia no IML (Instituto Médico Legal) chocaram algumas pessoas. A avó de Isabella, mãe de Ana Carolina Oliveira, chegou a deixar o plenário.

O casal é julgado por quatro mulheres e três homens, que devem dar o veredicto até a sexta-feira (26). Destes, cinco nunca participaram de um júri e receberam orientações do juiz Maurício Fossen.

Antes do sorteio dos jurados, a defesa do casal fez requerimentos para adiar o júri e realizar diligências. Todos foram negados pelo juiz.

Ao final dos depoimentos de todas as testemunhas, ocorrem os debates, quando defesa e acusação apresentam seus argumentos. São três horas para cada parte. Se o Ministério Público pedir réplica, de uma hora, a defesa tem direito à tréplica, também de uma hora.

Ao final, o júri se reúne em uma sala secreta para responder a quesitos formulados pelo juiz. Eles decidirão se o casal cometeu o crime, se pode ser considerado culpado pela atitude, e se há agravantes ou atenuantes, como ser réu primário. De posse do veredicto, se houver condenação, o juiz dosa a pena com base no Código Penal. Se houver absolvição, os Nardoni deixam o tribunal livres.
 

*Com informações da Folha Online

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