Defesa tentará desqualificar prova que incrimina Alexandre Nardoni

William Maia
Do Última Instância

A defesa tentará desqualificar aquela que, até o momento, é a prova mais contundente para incriminar Alexandre Nardoni pela morte de sua filha Isabella, então com 5 anos, jogada do 6º andar do Edíficio London, onde ele morava, em 29 de março de 2008. O julgamento do caso será retomado nesta quinta-feira (25/3) com o interrogatório dos réus.

Em depoimento prestado nesta quarta-feira (24/3), a perita Rosângela Monteiro revelou ao júri um laudo pericial que aponta que as marcas na camiseta que Alexandre usava no dia do crime foram causadas pela rede de proteção da janela de onde Isabella foi atirada.

Com base nesse laudo a perita afirmou categoricamente que Alexandre defenestrou (jogou violentamente) a menina pela janela. Testes realizados em laboratório pelo IC (Instituto de Criminalistíca) apontaram que a única forma de aquele tipo de marca ocorrer é se o indivíduo se debruçar com os dois braços colocados para o lado de fora da rede de proteção, com a força de quem segura um objeto de 25 kg —o peso de Isabella.

Diferenças
Os questionamentos da defesa terão como foco o fato de os peritos não terem reproduzido no laboratório exatamente as mesmas condições existentes no apartamento na hora do crime. O IC construiu uma janela semelhante e utilizou um modelo com o mesmo peso e altura de Alexandre (vestindo uma camiseta de fibra parecida), mas fez o teste sob uma mesa, enquanto o homem que matou Isabella estava ajoelhado sobre um colchão.

A assistente de defesa, Roselle Soglio, questionou a perita se essa diferença não poderia causar uma alteração no resultado do teste, provocando marcas diferentes na camiseta. Defendendo as conclusões do laudo, Rosângela disse que sim, haveria uma alteração, já que o modelo “afundaria” no colchão, mas que a disparidade entre 2 e 3 cm de altura não faria diferença para o resultado do teste.

Soglio rebateu na sequência. “Faz diferença sim, mas isso será provado mais à frente”. Na fase de debates entre acusação e defesa, os advogados deverão utilizar esse argumento para colocar a validade da prova em dúvida.

Acareação
O julgamento entra hoje em fase decisiva. Após o interrogatório do casal Nardoni, o advogado Roberto Podval deve decidir se pedirá a acareação entre os réus e a mãe da menina Isabella, Ana Carolina de Oliveira, que desde segunda-feira (22/3) está em isolamento no Fórum de Santana, onde ocorre o julgamento. Somente durante a sessão será definido quem falará primeiro, Alexandre ou Anna Jatobá.

A possibilidade de colocar frente a frente mãe e réus esteve sob ameaça ontem, quando juiz Maurício Fossen, que preside o júri, chegou a afirmou que negaria o pedido por considerar que não havia “o menor cabimento”.

Entretanto, o magistrado chegou à conclusão que impedir a acareação poderia levar à anulação do julgamento. Assim, se a defesa quiser, a acareação ocorrerá após o depoimento dos réus.

Ontem, o advogado Roberto Podval dispensou todas as testemunhas que faltavam ser ouvidas. Diante da demora nos dois primeiros dias de julgamento, ele temia que um júri longo cansasse os jurados e prejudicasse os réus.
 

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