Juiz afirma que mãe de Isabella já foi liberada; sessão desta quinta é encerrada

Rosanne D'Agostino
Do UOL Notícias

Em São Paulo

A mãe de Isabella, Ana Carolina Oliveira, deixou o Fórum de Santana, na zona norte de São Paulo, na manhã desta quinta-feira (25). Ao final da sessão do quarto dia do júri popular de Alexandre Nardoni e Anna Carolina Jatobá, às 20h53, o juiz Maurício Fossen disse que um oficial de Justiça informou pela manhã que Anna Oliveira estava passando mal e um psiquiatra foi ao fórum avaliar o estado de saúde da mãe de Isabella.

O juiz então entrou em contato com os advogados e com a promotor do caso, que concordaram em liberar Oliveira. Em seguida Roberto Podval, advogado de defesa dos réus, reuniu-se com os clientes, ainda pela manhã, e entendeu ser melhor dispensar a acareação, como já havia sido adiantado no final da tarde desta quinta. "Ela foi liberada do fórum na manhã de hoje", disse o juiz.

O dia de hoje foi reservado para o depoimento dos réus, que são acusados da morte da menina Isabella, 5, que caiu da janela do 6ª andar do edifício London, na capital paulista, em março de 2008.

Em seu interrogatório, Anna Carolina Jatobá, madrasta da menina Isabella, admitiu que “aumentou” e até "inventou" informações relacionadas a brigas que teve com o pai, antes da morte da menina Isabella. Ela teria repassado essas informações durante seu depoimento à polícia na época da morte de Isabella.
 
O assunto foi levantado pelo promotor Francisco Cembranelli. Questionada durante o interrogatório sobre as brigas com o pai, Jatobá --que certa vez registrou boletim de ocorrência contra ele-- afirmou que "muitas coisas" acabou aumentando, mas ressaltou que, de fato, apanhou. Ela disse que, na ocasião, foi influenciada por outras pessoas.

Assim como Nardoni, Jatobá negou envolvimento na morte de Isabella. Durante o interrogatório, o promotor Francisco Cembranelli tentou fazer Jatobá cair em contradição, lendo trechos de depoimentos e questionando por que algumas informações não haviam faladas anteriormente.

Sobre a fralda encontrada no apartamento, após a morte de Isabella, Jatobá disse que tinha o costume de lavar imediatamente o que sujava, já que havia escorrido achocolatado na fralda.

A madrasta, que demonstrou desespero no início do depoimento, soluçando e parecendo chorar, afirmou que a delegada Renata Pontes, que registrou o boletim de ocorrência à época, e outro investigador do caso, pediram que ela entregasse o marido. “Eles queriam que eu falasse que tinha sido o Alexandre. A doutora Renata disse que ele tinha cara de psicopata”, disse a madrasta ao júri.

Neste momento, segundo Jatobá, os investigadores do caso estavam no apartamento, para onde ela voltou com a polícia depois do crime. Pontes estava sentada em um rack em seu apartamento, disse a madrasta. No depoimento, ela diz que eles tomavam café na sala.

O juiz questionou sobre a conversa com a delegada e Jatobá afirmou que um investigador lhe perguntou se ela tinha noção do que seria uma cadeia, já que o Alexandre estava bem, pois tinha curso superior. Jatobá não tem diploma universitário pois seu curso ainda estava incompleto. “Eles ficaram me pressionando.”

Antes, Jatobá repetiu a versão de Nardoni sobre como chegaram ao edifício pouco antes da morte da menina. Fez questão de ressaltar duas informações: “Excelência, eu quero é deixar bem claro que não tinha fralda no carro” e “quero deixar claro que a camiseta dele estava seca, normal, não tinha vômito”, ao contrário do que dizem as investigações.

Depoimento de Nardoni
O depoimento de Jatobá teve início às 16h20, logo após o término do interrogatório de Alexandre.

Durante seu depoimento, Alexandre Nardoni deu a mesma versão da mulher, dizendo que recebeu uma proposta de acordo para assumir sozinho um homicídio culposo (sem intenção de matar), livrando Jatobá das acusações. Nardoni chorou, negou o crime e disse que teve desentendimentos no edifício London.

Nardoni disse ainda que, depois da queda e da morte de Isabella, foi obrigado a passar a madrugada de domingo até segunda de manhã na delegacia, onde ele e Jatobá foram separados em duas salas. “Não desejo nem para o pior inimigo isso que passei e que estou passando hoje.”

Segundo o réu, delegados jogaram objetos nele. “Aí começou a sessão de xingamentos. Eu só falava que estava ali para ajudar e que eles podiam até me bater, mas teriam que responder por isso. Aí a Renata [Pontes, que relatou o boletim de ocorrência] pediu para algemar. Eles [os policiais] não estavam se conformando com aquilo”, disse.

Mais adiante, questionado pelo promotor Francisco Cembranelli se ele sabia o nome da professora e da pediatra de Isabella, Nardoni desconversou e começou a falar sobre o que teria acontecido em um interrogatório, que, segundo ele, contava inclusive com a presença do promotor.

"Eles mostraram a foto da minha filha no necrotério e houve uma proposta de acordo. Ele queria que eu assinasse um homicídio culposo e tirasse a minha esposa do processo. Eu disse que tava querendo descobrir a verdade. O doutor Calixto [Calil Filho, delegado] explicou qual era a diferença entre homicídio culposo e doloso”, afirmou.

O promotor questionou Nardoni se todos os que ele estava citando haviam participado daquela negociação e perguntou ao juiz o que tinha aquilo a ver com a pergunta que fora feita. “Eu só estou falando o que houve no interrogatório, no dia 18 de abril de 2008”, respondeu.

Choro e traição
O promotor Francisco Cembranelli afirmou que o choro de Alexandre Nardoni não tem lágrimas e tentou, com suas perguntas, provar contradições em relação ao depoimento do pai sobre a morte da filha, Isabella.

O réu respondia às perguntas de forma nervosa e evasiva. A defesa usava a estratégia de perguntar ao promotor em que página do processo estavam as afirmações que ele usava para interrogar Nardoni. O promotor rebateu dizendo que isso era feito para dar tempo do réu pensar. No final, Cembranelli começava a dizer a página em que se baseava antes de perguntar.

Cembranelli perguntou se Alexandre traía Ana Oliveira com Jatobá, porque o primeiro encontro do casal aconteceu quando Isabella já tinha 11 meses. “Não traí”, disse Alexandre. Em seguida, o promotor perguntou se Nardoni, que não usava óculos, tinha problemas de visão: “Eu sempre usei óculos, o senhor não acompanha a minha vida”, retrucou o acusado. “Então, qual o seu problema de visão?” A resposta demorou a sair: “Ah, é, eu não enxergo de longe”. O juiz do caso, Maurício Fossen, pediu o fim das perguntas irônicas.

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