Mãe de Alexandre Nardoni acompanha júri pela primeira vez

Rosanne D'Agostino
Do UOL Notícias
Em São Paulo

A mãe de Alexandre Nardoni, Cida, comparece pela primeira vez ao júri para acompanhar o depoimento o filho nesta quinta-feira (25). O início do quarto dia de julgamento do caso Isabella está atrasado.

Os réus são Alexandre Nardoni e Anna Carolina Jatobá, pai e madrasta da menina Isabella, 5, que morreu ao cair da janela do 6º andar do edifício London, onde morava o casal, em março de 2008.

Hoje, o casal deixa o banco dos réus para ocupar o centro do plenário do Fórum de Santana e apresentar suas versões para a morte da menina. 

Os depoimentos são a aposta da defesa para reverter um júri que, até agora, trouxe provas periciais que apontam para a culpa do casal e argumentos da defesa para tentar desqualificar os resultados dessas perícias.

A Promotoria defende que o pai jogou Isabella pela janela. Antes, ela teria sido esganada pela madrasta e agredida por ambos. Já a defesa do casal insiste na tese de que havia uma terceira pessoa no prédio.

Uma confissão pode diminuir pena do casal Nardoni. Essa é uma possibilidade de reação dos réus, que podem ainda ficar em silêncio ou manterem a mesma versão. A confissão é um atenuante na pena em caso de condenação.

Sob pressão, na tarde de quarta (24), o advogado Roberto Podval abriu mão do restante dos depoimentos da defesa alegando que isso “facilitaria os jurados em me ouvir". Do total de 23 testemunhas arroladas, apenas sete foram ouvidas: duas de acusação, duas de defesa e três de ambos os lados. O promotor Francisco Cembranelli classificou o desempenho da defesa até agora de “pífio”.

Ana Carolina Oliveira, mãe de Isabella, permanece isolada no fórum até que a defesa entenda ser necessária uma acareação, ou seja, que ela tenha que debater frente a frente com os supostos assassinos de sua filha. Isso deve ser decidido apenas após os interrogatórios dos réus, e cabe ao juiz Maurício Fossen, que preside o julgamento, deferir definitivamente o pedido.


O que ainda deve acontecer

Alexandre Nardoni e Anna Carolina Jatobá são réus por homicídio triplamente qualificado e fraude processual (entenda as acusações). O julgamento teve início nesta segunda-feira (22), quando o casal se encontrou pela primeira vez desde maio de 2008, e deve durar até o final desta semana.

O casal é julgado por quatro mulheres e três homens, sorteados no primeiro dia de sessão. Destes, cinco nunca participaram de um júri.

Em seguida, foram tomados os depoimentos das testemunhas. Os réus são os últimos a serem ouvidos. Depois, ocorrem os debates, quando defesa e acusação apresentam seus argumentos. São duas horas e meia para cada (por se tratarem de dois réus), o que deve ocupar toda a sessão de sexta-feira (24). Se o Ministério Público pedir réplica, de duas horas, a defesa tem direito à tréplica, também de duas horas.

Ao final, o júri se reúne em uma sala secreta para responder a quesitos formulados pelo juiz. Eles decidirão se o casal cometeu o crime, se pode ser considerado culpado pela atitude, e se há agravantes ou atenuantes, como ser réu primário. De posse do veredicto, se houver condenação, o juiz dosa a pena com base no Código Penal. Se houver absolvição, os Nardoni deixam o tribunal livres. A sentença deve sair ainda na noite de sexta.

Primeiros dias de julgamento
No primeiro dia do júri, prestou depoimento Ana Carolina Oliveira, mãe de Isabella. Ela chorou por pelo menos três vezes, provocou o choro de ambos os réus e relatou o amor de Alexandre pela filha e o ciúme que a madrasta teria da relação do marido com a menina e com sua ex-mulher.

O segundo dia de júri foi marcado pelas fotos do corpo de Isabella no IML (Instituto Médico Legal), que chocaram muitos dos presentes. Um dos peritos convocados disse que alguém tentou calar os gritos de Isabella, que morreu de asfixia, fruto de uma esganadura, e da queda do prédio. Pouco antes, ela teria sido atirada com força ao chão, segundo a perícia.

Já o terceiro dia de julgamento finalizou a fase das oitivas das testemunhas, com a desistência da defesa em ouvir os depoimentos que havia convocado. Pela acusação, a perita Rosângela Monteiro, do Instituto de Criminalística, afirmou que marcas na camiseta de Alexandre Nardoni são compatíveis com as de alguém que atirou Isabella pela janela do apartamento. Irônica, ela provocou a reação indignada do réu.

 

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