Manifestantes gritam e perseguem comboio que leva casal Nardoni após fim da sessão

Rosanne D'Agostino
Do UOL Notícias

Em São Paulo

Trancados para fora do fórum ao final do quarto dia de julgamento do casal Nardoni, ao menos 70 manifestantes tentam subir pelas grades enquanto gritam palavras em apoio à menina Isabella. Cerca de 20 correram atrás do carro da polícia que levava os réus de volta a penitenciárias da capital onde eles devem passar esta noite. Os manifestantes vaiaram e gritaram “assassinos” na saída do comboio e quando o mesmo fez o retorno na via.

Sob vaias e gritos de “assassino”, o advogado do casal Nardoni, Roberto Podval, concedeu uma entrevista coletiva aos jornalistas na noite desta quinta-feira (25) ao frente ao Fórum de Santana, na zona norte de São Paulo.

“Vão ali e digam a verdade, eu disse aos meus clientes. Aí eles me perguntaram: toda a verdade? Sim, toda a verdade”, disse o advogado. Segundo ele, seus clientes estranharam e questionaram se eles deveriam falar sobre os acordos e as propostas oferecidas pela polícia para que eles delatassem um ao outro. “Sim, tem que falar toda a verdade”, disse Podval.

“Eles gritam por Justiça, mas amanhã estarão batendo na porta de um advogado pedindo para defendê-las da fúria do estado”, disse Podval ao encerrar a entrevista.

Quarto dia de julgamento
O dia de hoje foi reservado para o depoimento dos réus, que são acusados da morte da menina Isabella, 5, que caiu da janela do 6ª andar do edifício London, na capital paulista, em março de 2008.

Em seu interrogatório, Anna Carolina Jatobá, madrasta da menina Isabella, admitiu que “aumentou” e até "inventou" informações relacionadas a brigas que teve com o pai, antes da morte da menina Isabella. Ela teria repassado essas informações durante seu depoimento à polícia na época da morte de Isabella.

O assunto foi levantado pelo promotor Francisco Cembranelli. Questionada durante o interrogatório sobre as brigas com o pai, Jatobá --que certa vez registrou boletim de ocorrência contra ele-- afirmou que "muitas coisas" acabou aumentando, mas ressaltou que, de fato, apanhou. Ela disse que, na ocasião, foi influenciada por outras pessoas.

Assim como Nardoni, Jatobá negou envolvimento na morte de Isabella. A madrasta, que demonstrou desespero no início do depoimento, soluçando e parecendo chorar, afirmou que a delegada Renata Pontes, que registrou o boletim de ocorrência à época, e outro investigador do caso, pediram que ela entregasse o marido. “Eles queriam que eu falasse que tinha sido o Alexandre. A doutora Renata disse que ele tinha cara de psicopata”, disse a madrasta ao júri.

Durante seu depoimento, Alexandre Nardoni deu a mesma versão da mulher, dizendo que recebeu uma proposta de acordo para assumir sozinho um homicídio culposo (sem intenção de matar), livrando Jatobá das acusações. Nardoni chorou, negou o crime e disse que teve desentendimentos no edifício London.

Nardoni disse ainda que, depois da queda e da morte de Isabella, foi obrigado a passar a madrugada de domingo até segunda de manhã na delegacia, onde ele e Jatobá foram separados em duas salas. “Não desejo nem para o pior inimigo isso que passei e que estou passando hoje.”

 

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