À porta do fórum, população grita por linchamento do casal Nardoni

Thiago Chaves-Scarelli
Do UOL Notícias

Em São Paulo

"Ora, ora, ora! O júri é aqui fora!” Esse é um dos gritos de guerra entoados pelo grupo de curiosos que junto ao portão do Fórum de Santana, na zona norte de São Paulo, acompanha o julgamento do casal Nardoni nesta sexta-feira (26).

A poucas horas do veredicto sobre o futuro de Alexandre Nardoni e Anna Carolina Jatobá, acusados de assassinar Isabella Nardoni, morta em 2008 aos 5 anos de idade, cerca de 200 pessoas gritavam pedindo o linchamento dos réus.

“Pega lá, pega lá, pega lá! Pega lá para nóis linchar!”, repetiam em coro.

A reportagem do UOL Notícias presenciou um garoto de cerca 10 anos de idade gritando “Vamos arrancar o pescoço desse desgraçado!”

A polícia, procurada pela reportagem, afirmou que o efetivo de 34 agentes não foi reforçado por enquanto, alegando que a situação está “tranquila”.

Se para essas pessoas o casal Nardoni é o vilão, o herói é o promotor Francisco Cembranelli, cujo nome também foi entoado em coro.

“O doutor Cembranelli é fantástico”, afirmou a aposentada Noêmia Soares Firmino.

“Temos que valorizar as boas autoridades que existem. Agora, você acha que essas autoridades de alta moral podem ser contestadas por aquele senhor que eu nem sei se devo chamar de advogado?”, disse ela, em referência ao advogado de defesa do casal, Roberto Podval.

A aposentada, que teve um filho assassinado, considera a Justiça “muito fraca” atualmente. “A população leiga já sabe quem é o culpado”, afirmou.

Entenda o que deve acontecer hoje, último dia
O julgamento teve início nesta segunda-feira (22), quando o casal se encontrou pela primeira vez desde maio de 2008, e deve durar até o final desta semana. Pai e madrasta são julgados por quatro mulheres e três homens, sorteados no primeiro dia de sessão. Destes, cinco nunca participaram de um júri.

Em seguida, foram tomados os depoimentos das testemunhas. Os réus foram os últimos a serem ouvidos. A última fase é a dos debates, quando defesa e acusação apresentam seus argumentos. São duas horas e meia para cada (por se tratarem de dois réus), o que deve ocupar toda a sessão de sexta-feira (26). Se o Ministério Público pedir réplica, de duas horas, a defesa tem direito à tréplica, também de duas horas.

Ao final, o júri se reúne em uma sala secreta para responder a quesitos formulados pelo juiz. Eles decidirão se o casal cometeu o crime, se pode ser considerado culpado pela atitude, e se há agravantes ou atenuantes, como ser réu primário. De posse do veredicto, se houver condenação, o juiz dosa a pena com base no Código Penal. Se houver absolvição, os Nardoni deixam o tribunal livres. A sentença deve sair ainda na noite de sexta.

 



Os quatro primeiros dias de júri

No primeiro dia do júri, prestou depoimento Ana Carolina Oliveira, mãe de Isabella. Ela chorou por pelo menos três vezes, provocou o choro de ambos os réus e relatou o amor de Alexandre pela filha e o ciúme que a madrasta teria da relação do marido com a menina e com sua ex-mulher.

O segundo dia de júri foi marcado pelas fotos do corpo de Isabella no IML (Instituto Médico Legal), que chocaram muitos dos presentes. Um dos peritos convocados disse que alguém tentou calar os gritos de Isabella, que morreu de asfixia, fruto de uma esganadura, e da queda do prédio. Pouco antes, ela teria sido atirada com força ao chão, segundo a perícia.

Já o terceiro dia de julgamento finalizou a fase das oitivas das testemunhas, com a desistência da defesa em ouvir os depoimentos que havia convocado. Pela acusação, a perita Rosângela Monteiro, do Instituto de Criminalística, afirmou que marcas na camiseta de Alexandre Nardoni são compatíveis com as de alguém que atirou Isabella pela janela do apartamento. Irônica, ela provocou a reação indignada do réu.

No quarto dia, o mais tenso dia de júri, o casal prestou depoimento e se declarou inocente, chorou, disse que foi achacado pela polícia e questionou diversas provas periciais, inclusive a tela de proteção da janela de onde Isabella foi jogada. A defesa, contudo, admitiu que a chance de absolvição é pequena. Sem acareação, Ana Oliveira, mãe de Isabella, foi liberada após passar mal e ser examinada por um psiquiatra.
 



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