Com estimativa de que 70% da população viva nas metrópoles até 2050, fórum da ONU no RJ discute sustentabilidade

André Naddeo
Do UOL Notícias

No Rio de Janeiro

Após uma semana de discussões entre mais de 13 mil participantes de 150 países, chegou ao fim nesta sexta-feira (26) o 5º Fórum Urbano Mundial, organizado pela Secretaria de Habitação das Nações Unidas e realizado pela primeira vez no Brasil, no cais do porto do Rio de Janeiro. O evento traçou ideias e planejamentos para que o nível de miséria não aumente ainda mais com o êxodo rumo às metrópoles.

“O que foi discutido aqui tem que se tornar realidade", diz ministro das Cidades

A ONU estima que, até 2050, cerca de 70% da população mundial esteja vivendo nas grandes cidades. “O fórum é um local de troca de ideias, de informações, experiências e formulação de propostas para o melhor encaminhamento da questão urbana do ponto de vista humano e ambiental. Os termos aqui foram não só da questão da necessidade de habitações e saneamento, mas também de preservação ambiental, de se ter cidades sustentáveis. Seja no ponto de vista energético, seja na questão da emissão de poluentes”, disse Márcio Fortes, ministro das Cidades e presidente desta edição.

“O que foi discutido aqui tem que se tornar realidade. E é por isso que eu fiz um apelo no meu discurso: já falamos muito, agora é hora de fazer”, afirmou.

Ao fim do evento, iniciou-se uma campanha mundial que prioriza o desenvolvimento sustentável com políticas públicas e privadas. Líderes de diversas organizações, assim como a secretária-geral de habitação das ONU, Anna Tibaijuka, assinaram um termo de compromisso para colocar as propostas em prática. Não foram estipuladas medidas nem metas específicas.

“Este é um documento para todos aqueles que querem fazer algo por seu povo, pela sua cidade”, disse Tibaijuka. “Se não colocarmos isso em prática a sensação será de frustração e raiva. Daqui a alguns anos, qual será a porcentagem de gente nas ruas, quanto teremos de sujeira? A hora de agir é agora”, afirmou.

A secretária-geral de Habitação usou ainda o cenário do 5º Fórum Urbano Mundial para uma metáfora, na sua opinião, pertinente à ocasião. “Eu olho pela janela e vejo esta imensa ponte [Rio-Niterói], de 13 km, que traduz o que estamos conversando aqui. É a redução da divisão urbana, é a diminuição do hiato entre os ricos e pobres”, disse.

A secretária de Estado norte-americana, Hillary Clinton, não esteve presente ao evento, mas enviou um vídeo à organização na qual também faz um apelo: “A urbanização é um fenômeno que deve ser tratado com muito cuidado. À medida que as cidades crescem com pouco orçamento, temos que fortalecer parcerias públicas e privadas”, opinou.

A sexta edição do fórum será realizada no Bahrein, em 2012. “Muitas vezes autoridades locais não tem projetos e nós temos que fazer com que eles apareçam. Caso contrário não adianta vontade política, não adianta orçamento, não adianta o financiamento. Todos devem estar envolvidos nisso”, finalizou Márcio Fortes.

Carta do Rio de Janeiro
No encerramento do evento, o ministro das Cidades apresentou ainda um documento chamado de “Carta do Rio de Janeiro”, no qual a cidade convida todos os envolvidos na rodada de discussões “a reafirmar o chamado por cidades justas, democráticas, sustentáveis e humanas”.

Ainda segundo a carta, a responsabilidade pela “nova urbanização do milênio” é um direito e dever coletivo, independente de raça, gênero, idade, condições de renda ou nacionalidade.

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