Júri popular decide hoje futuro do casal Nardoni; veja os quesitos dos jurados

Rosanne D'Agostino
Do UOL Notícias

Em São Paulo

Atualizada às 21h53

Quatro mulheres e três homens decidem ainda hoje o destino de Alexandre Nardoni e Anna Carolina Jatobá, pai e madrasta de Isabella, que caiu da janela do 6º andar do edifício London, em março de 2008. O júri popular já dura cinco dias no Fórum de Santana e entrou na fase decisiva.

A Promotoria e a defesa já encerraram os debates e os jurados devem se reunir em uma sala secreta para responder "sim" ou "não" para cada um dos quesitos.

Serão entregues duas fichas, uma referente a Nardoni e outra a Jatobá, com as mesmas perguntas. Veja a versão final das questões:

1a) A esganadura provocou a morte de Isabella?
1b) Isabella foi lançada pela janela?

2a) Alexandre deixou de socorrer Isabella durante a esganadura?
2b) Foi Alexandre que jogou Isabella desmaiada pela janela?

3) O jurado absolve o réu?

4a) O crime foi cometido por meio cruel em relação à esganadura?
4b) O crime foi cometido por meio cruel em relação à queda da janela?

5a) Houve emprego de rescurso que impossibilitou a defesa da vítima em relação à esganadura?
5b) Houve emprego de rescurso que impossibilitou a defesa da vítima em relação à queda da janela?

6) O crime foi cometido para esconder a esganadura?

7) O crime foi cometido contra menor de 14 anos?

8) O réu mexeu no local do crime com intuito de enganar a Justiça?

9) O réu lavou alguma roupa no local para impedir coleta de provas?

10) O jurado absolve o réu?

11) O réu lavou alguma roupa no local para eximir-se da culpa?

Última chance de defesa
O debate foi encerrado com a tréplica do advogado Roberto Podval, que usou menos de uma hora de suas duas horas disponíveis, após a réplica do promotor Francisco Cembranelli. Foi a última oportunidade para ambos se manifestarem antes da decisão. O advogado Roberto Podval defendeu a absolvição do casal Nardoni. Podval voltou a dizer que faltam provas que incriminem Alexandre Nardoni e Anna Carolina Jatobá.

"Me causou estranheza. Com todo esse sangue encontrado no apartamento, Alexandre foi mostrado carregando Isabella, ela tinha sangue na mão. A pergunta que fiz para a perita [Rosângela Monteiro] foi: 'Encontraram algum sangue na roupa dele ou dela?'. E a resposta foi 'Não'. Não pingou nada. A roupa dele não tinha que ter alguma coisa, um pingo, uma gota de sangue? Ele não merece a dúvida da inocência?"

Podval citou também a falta de exame nas unhas do casal, o que, segundo ele, mostra que não há como dizer quem foi responsável pela esganadura de Isabella.

Durante o tempo destinado à réplica da Promotoria, Cembranelli chamou Alexandre Nardoni e Anna Carolina Jatobá de mentirosos e rebateu os pontos levantados pela defesa do casal, acusado de matar a menina Isabella Nardoni.

O promotor disse que os réus são "mentirosos" e utilizou seus últimos minutos de palavra para atacar a atitude no casal no dia do crime. Ele usou uma linha do tempo para provar que os Nardoni estavam no apartamento no momento exato da queda de Isabella. E listou, em cerca de meia hora, todas as contradições encontradas por ele desde a "noite trágica".

"Quase perdi a fala de tantas mentiras", disse, recuperando o fôlego. Continuou dizendo aos jurados que nenhum deles prestou socorro a Isabella, apenas a mãe, que, logo ao chegar ao jardim onde a filha estava estirada, "colocou a mão no peito dela para sentir seu coraçãozinho ainda batendo". E, apontando para um dos jurados: "O senhor deve ser pai, eu se fosse pai, socorreria a minha filha que estava entre a vida e a morte."

A réplica foi feita diante do júri popular que pode condenar ou inocentar o casal ainda hoje pelo homicídio, originado na queda da menina do 6º andar do edifício London, em março de 2008. Este é o quinto dia de julgamento no Fórum de Santana, na capital paulista.

Em suas duas horas e meia nos debates entre acusação e defesa, Podval afirmou que, assim como os pais de Madeleine McCann, que foram acusados pelo sumiço da menina em Portugal, pai e madrasta de Isabella não podem ser condenados por um crime do qual se dizem inocentes. "Disseram que o pai de Madeleine teria dado um remédio para ela. Qual a prova? É que nem essas presunções todas. A perícia não chegou na autoria. Eles apenas presumem. Quem asfixiou? O promotor não tem certeza. Aí fica a sociedade clamando Justiça. A nossa sociedade não pode permitir isso", pediu Podval aos jurados, para que absolvam o casal.

Entenda o que deve acontecer hoje, último dia

O julgamento teve início nesta segunda-feira (22), quando o casal se encontrou pela primeira vez desde maio de 2008, e deve durar até o final desta semana. Pai e madrasta são julgados por quatro mulheres e três homens, sorteados no primeiro dia de sessão. Destes, cinco nunca participaram de um júri.

 

 

Em seguida, foram tomados os depoimentos das testemunhas. Os réus foram os últimos a serem ouvidos. A última fase foi a dos debates, quando defesa e acusação apresentam seus argumentos.

Ao final, o júri se reúne em uma sala secreta para responder a quesitos formulados pelo juiz. Eles decidirão se o casal cometeu o crime, se pode ser considerado culpado pela atitude, e se há agravantes ou atenuantes, como ser réu primário. De posse do veredicto, se houver condenação, o juiz dosa a pena com base no Código Penal. Se houver absolvição, os Nardoni deixam o tribunal livres. A sentença deve sair ainda na noite de sexta.


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