Manifestante organiza homenagem para Isabella e pede pena de morte

Thiago Chaves-Scarelli
Do UOL Notícias

Em São Paulo

Diante do fórum onde é decidido o destino do casal Nardoni, Celsom Gomes resolveu fazer uma homenagem nesta sexta-feira (26), último dia do julgamento. Levou um carrinho de ferro com aparelho de som e TV de plasma para lembrar Isabella, morta após cair da janela do apartamento onde vivia com o pai e a madrasta. Na ocasião, aproveitou também para pedir pena de morte no Brasil.

“Precisava de um plebiscito neste país porque todo mundo defende a pena de morte. Essa homenagem é para sensibilizar as pessoas do país da nação”, afirmou ele ao UOL Notícias na região do Fórum de Santana, na zona norte da capital paulista.

O vídeo exibido por Celsom em seu carrinho foi produzido pela auxiliar de cozinha Sueli Conceição, que disse ter se comovido com a história o bastante para coletar fotos na internet, adicionar canções de Sandy & Júnior e padre Marcelo Rossi e arrematar o material feito “em homenagem à família”. Nem Celsom nem Sueli são próximos aos parentes de Isabella.

Cerca de 50 pessoas assistiam à apresentação áudiovisual no meio da rua até que a Polícia Militar dispersou o grupo por volta das 22h.

Mais cedo, manifestantes gritavam para ameaçar Nardoni de linchamento. "Ora, ora, ora! O júri é aqui fora!” e “Pega lá, pega lá, pega lá! Pega lá para nóis linchar!” eram os gritos de guerra que ecoavam com mais insistência. Alguns cogitaram interromper o trânsito na região em meio a gritos de "justiça!", mas foram demovidos da ideia.

Entenda o que deve acontecer hoje, último dia
O julgamento teve início nesta segunda-feira (22), quando o casal se encontrou pela primeira vez desde maio de 2008, e deve durar até o final desta semana. Pai e madrasta são julgados por quatro mulheres e três homens, sorteados no primeiro dia de sessão. Destes, cinco nunca participaram de um júri.

Em seguida, foram tomados os depoimentos das testemunhas. Os réus foram os últimos a serem ouvidos. A última fase é a dos debates, quando defesa e acusação apresentam seus argumentos. São duas horas e meia para cada (por se tratarem de dois réus), o que deve ocupar toda a sessão de sexta-feira (26). Se o Ministério Público pedir réplica, de duas horas, a defesa tem direito à tréplica, também de duas horas.

Ao final, o júri se reúne em uma sala secreta para responder a quesitos formulados pelo juiz. Eles decidirão se o casal cometeu o crime, se pode ser considerado culpado pela atitude, e se há agravantes ou atenuantes, como ser réu primário. De posse do veredicto, se houver condenação, o juiz dosa a pena com base no Código Penal. Se houver absolvição, os Nardoni deixam o tribunal livres. A sentença deve sair ainda na noite de sexta.

 



Os quatro primeiros dias de júri

No primeiro dia do júri, prestou depoimento Ana Carolina Oliveira, mãe de Isabella. Ela chorou por pelo menos três vezes, provocou o choro de ambos os réus e relatou o amor de Alexandre pela filha e o ciúme que a madrasta teria da relação do marido com a menina e com sua ex-mulher.

O segundo dia de júri foi marcado pelas fotos do corpo de Isabella no IML (Instituto Médico Legal), que chocaram muitos dos presentes. Um dos peritos convocados disse que alguém tentou calar os gritos de Isabella, que morreu de asfixia, fruto de uma esganadura, e da queda do prédio. Pouco antes, ela teria sido atirada com força ao chão, segundo a perícia.

Já o terceiro dia de julgamento finalizou a fase das oitivas das testemunhas, com a desistência da defesa em ouvir os depoimentos que havia convocado. Pela acusação, a perita Rosângela Monteiro, do Instituto de Criminalística, afirmou que marcas na camiseta de Alexandre Nardoni são compatíveis com as de alguém que atirou Isabella pela janela do apartamento. Irônica, ela provocou a reação indignada do réu.

No quarto dia, o mais tenso dia de júri, o casal prestou depoimento e se declarou inocente, chorou, disse que foi achacado pela polícia e questionou diversas provas periciais, inclusive a tela de proteção da janela de onde Isabella foi jogada. A defesa, contudo, admitiu que a chance de absolvição é pequena. Sem acareação, Ana Oliveira, mãe de Isabella, foi liberada após passar mal e ser examinada por um psiquiatra.
 



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