Nervosa, madrasta de Isabella é retirada do plenário

Rosanne D'Agostino
Do UOL Notícias

Em São Paulo

Atualizada às 18h19

A madrasta de Isabella, Anna Carolina Jatobá, teve que ser retirada do plenário onde acontece o quinto dia do julgamento do caso Isabella, em que Jatobá e Alexandre Nardoni são acusados de atirar a menina do 6º andar do edifício London, em março de 2008.

Jatobá foi retirada por volta das 16h30, acompanhada de oficiais de Justiça, visivelmente nervosa durante os debates da defesa. A madrasta retornou ao plenário durante a réplica da Promotoria, que começou às 17h46.

Esta sexta-feira (26) é destinada aos debates e réplicas entre o promotor Francisco Cembranelli e o advogado de defesa, Roberto Podval. O quinto dia do julgamento começou às 10h26 de hoje, com a fala do promotor. Cembranelli terminou de falar por volta de 13h e houve uma pausa para almoço. Depois disso, a defesa começou sua exposição e o promotor pediu réplica.

O promotor afirmou que o casal Nardoni estava no apartamento quando a menina Isabella foi atirada pela janela. Segundo ele, a perícia demonstra que "os Nardonis são mentirosos" e não conseguem contestar provas técnicas.

Também de acordo com o promotor, os depoimentos das testemunhas indicam que a madrasta Anna Carolina Jatobá tinha "rompantes e descontroles". Cembranelli ainda ironizou a versão da defesa de que uma terceira pessoa teria cometido o crime.

Em seguida, Roberto Podval usou um outro "mistério" para defender que nenhuma prova pode ligar Alexandre Nardoni e Anna Carolina Jatobá à morte da menina Isabella. Em suas duas horas e meia nos debates entre acusação e defesa, Podval afirmou que, assim como os pais de Madeleine MacCann, que foram acusados pelo sumiço da menina em Portugal, pai e madrasta de Isabella não podem ser condenados por um crime do qual se dizem inocentes.

"Disseram que o pai de Madeleine teria dado um remédio para ela. Qual a prova? É que nem essas presunções todas. A perícia não chegou na autoria. Eles apenas presumem. Quem asfixiou? O promotor não tem certeza. Aí fica a sociedade clamando Justiça. A nossa sociedade não pode permitir isso", pediu Podval aos jurados, para que absolvam o casal.

Entenda o que deve acontecer hoje, último dia
O julgamento teve início nesta segunda-feira (22), quando o casal se encontrou pela primeira vez desde maio de 2008, e deve durar até o final desta semana. Pai e madrasta são julgados por quatro mulheres e três homens, sorteados no primeiro dia de sessão. Destes, cinco nunca participaram de um júri.

Em seguida, foram tomados os depoimentos das testemunhas. Os réus foram os últimos a serem ouvidos. A última fase é a dos debates, quando defesa e acusação apresentam seus argumentos. São duas horas e meia para cada (por se tratarem de dois réus), o que deve ocupar toda a sessão de sexta-feira (26). Se o Ministério Público pedir réplica, de duas horas, a defesa tem direito à tréplica, também de duas horas.

Ao final, o júri se reúne em uma sala secreta para responder a quesitos formulados pelo juiz. Eles decidirão se o casal cometeu o crime, se pode ser considerado culpado pela atitude, e se há agravantes ou atenuantes, como ser réu primário. De posse do veredicto, se houver condenação, o juiz dosa a pena com base no Código Penal. Se houver absolvição, os Nardoni deixam o tribunal livres. A sentença deve sair ainda na noite de sexta.



Os quatro primeiros dias de júri

No primeiro dia do júri, prestou depoimento Ana Carolina Oliveira, mãe de Isabella. Ela chorou por pelo menos três vezes, provocou o choro de ambos os réus e relatou o amor de Alexandre pela filha e o ciúme que a madrasta teria da relação do marido com a menina e com sua ex-mulher.

O segundo dia de júri foi marcado pelas fotos do corpo de Isabella no IML (Instituto Médico Legal), que chocaram muitos dos presentes. Um dos peritos convocados disse que alguém tentou calar os gritos de Isabella, que morreu de asfixia, fruto de uma esganadura, e da queda do prédio. Pouco antes, ela teria sido atirada com força ao chão, segundo a perícia.

Já o terceiro dia de julgamento finalizou a fase das oitivas das testemunhas, com a desistência da defesa em ouvir os depoimentos que havia convocado. Pela acusação, a perita Rosângela Monteiro, do Instituto de Criminalística, afirmou que marcas na camiseta de Alexandre Nardoni são compatíveis com as de alguém que atirou Isabella pela janela do apartamento. Irônica, ela provocou a reação indignada do réu.

No quarto dia, o mais tenso dia de júri, o casal prestou depoimento e se declarou inocente, chorou, disse que foi achacado pela polícia e questionou diversas provas periciais, inclusive a tela de proteção da janela de onde Isabella foi jogada. A defesa, contudo, admitiu que a chance de absolvição é pequena. Sem acareação, Ana Oliveira, mãe de Isabella, foi liberada após passar mal e ser examinada por um psiquiatra.
 



Receba notícias do UOL. É grátis!

Facebook Messenger

As principais notícias do dia pelo chatbot do UOL para o Facebook Messenger

Começar agora

Receba por e-mail as principais notícias, de manhã e de noite, sem pagar nada. É só deixar seu e-mail e pronto!

UOL Cursos Online

Todos os cursos