Líder entre capitais, número de homicídios em Maceió cresce 219% em 10 anos, diz estudo

Carlos Madeiro
Especial para o UOL Notícias
Em Maceió

Ao contrário da tendência nacional de redução das taxas de homicídios nas capitais, Maceió (AL) registrou um aumento de 219,5% no número de assassinatos entre 1997 e 2007 e assumiu a liderança no ranking das capitais mais violentas do país. Os dados são do Mapa da Violência 2010, divulgado nesta terça-feira (30). O Estado de Alagoas também lidera o ranking de mortes violentas no país.

Conheça os dez Estados brasileiros mais violentos

Alagoas 59,6*
Espirito Santo 53,6
Pernambuco 53,1
Rio de Janeiro 40,1
Distrito Federal 33,5
Mato Grosso 30,7
Pará 30,4
Mato Grosso do Sul 30
Paraná 29,6
Roraima 27,9

Segundo o levantamento, a capital alagoana saltou de uma taxa de 38,4 homicídios para cada 100 mil habitantes, em 1997, para 97,4, em 2007. O índice é quase três vezes maior do que a média nacional das capitais – que ficou em 36,6. Nesse período, o número absoluto de homicídios em Maceió cresceu de 287 para 917.

A situação é ainda mais crítica quando colocados apenas os assassinatos de jovens entre 15 e 29 anos. Os dados apontam que, entre 1997 e 2007, a taxa de homicídios juvenis quadruplicou, saltando de 53,2 por cada 100 mil habitantes para 214,8.

Com o crescimento, Maceió atingiu a liderança do ranking de homicídio juvenil entre todas as cidades brasileiras, algo até então inédito para uma capital. A segunda colocação também é de um município de Alagoas (Arapiraca, com média de 206 assassinatos por cada 100 mil).

Alagoas também lidera

O número de homicídios em Alagoas também cresceu muito acima da média nacional e, em 10 anos, fez o Estado liderar o ranking de mortes violentas entre as unidades da Federação. Entre 1997 e 2007, o número de homicídios aumentou 186,4%, enquanto o restante do país registrou crescimento de 17,8%.

Com isso, Alagoas passou da 11ª para a 1ª colocação entre os estados, com taxa de homicídio de 59,6 para cada 100 mil habitantes. No país, essa média ficou em 25,2. Segundo o governo do Estado, 90% das mortes registradas no Estado têm ligação com o tráfico de drogas.

O dado se torna mais preocupante quando comparado com estatísticas internacionais. A pesquisa traz dados de 91 países integrantes da OMS (Organização Mundial de Saúde). O país que lidera esse ranking de homicídios é El Salvador, com taxa de 50,1 mortes violentas para cada 100 mil habitantes. O percentual é 9,8 pontos menor que o índice registrado no Estado.

As dez capitais mais violentas do Brasil

Maceió 97,4*
Recife 87,5
Vitória 75,4
João Pessoa 56,6
Porto Velho 51,3
Belo Horizonte 49,5
Salvador 49,3
Porto Alegre 47,3
Curitiba 45,5
Fortaleza 40,3
  • * homicídios por cada 100 mil

O crescimento vertiginoso chamou a atenção do coordenador da pesquisa, Julio Jacobo Waiselfisz. “Um Estado como Alagoas, que até poucos anos atrás apresentava taxas moderadas, abaixo da média nacional, em poucos anos passa a liderar o ranking da violência homicida, com crescimento vertiginoso a partir de 1999”, destacou.

Outro dado de Alagoas que também é citado pelo pesquisador foi que “no quinqüênio [2002-2007], os homicídios de brancos caem 29%, enquanto os de negros sobem 92%”.

Crescimento era esperado, diz especialista

Para a coordenadora do Núcleo Temático de Assistência Social da Universidade Federal de Alagoas, Therezinha Falcão, o crescimento da violência em Alagoas é uma consequência da “péssima qualidade de vida” da população ao longo dos anos. “Há uma ausência de políticas públicas e as condições de sobrevivência vão piorando. Isso vai criando as condições objetivas para que a violência se expanda”, afirmou.

A professora analisa ainda que o crescimento da violência já era previsível em Alagoas. “Em 1997, o nosso Núcleo realizou uma pesquisa apontando que 19% da população jovem nunca havia se inserido no mercado de trabalho e não tinha perspectiva disso. Nós alertamos as instâncias do governo. Apresentamos a pesquisa na Câmara, e os vereadores deram pouca importância. E naquele dia eu disse: vocês hoje não dão importância, mas amanhã vocês vão ter poder, dinheiro, mas não vão poder sair de casa. Não era uma profecia, mas, sim, uma análise cientifica”, assegurou.

Embora os dados sejam alarmantes, Falcão ainda assegura que Alagoas não vive ainda o ápice da violência. “Nós não chegamos ao fim da linha. A violência vai piorar, assim como vem piorando de 1997 para cá”, disse.

O atual secretário de Defesa Social de Alagoas, Paulo Rubim, assumiu o cargo em 2008 e garante que o Estado vem adquirindo equipamentos e mudando os métodos de ação para reduzir o índice de criminalidade. Um investimento considerado fundamental deve ser feito nos próximos meses, que é o início do processo de videomonitoramento de Maceió.

Segundo a Secretaria, até janeiro, o governo recebeu 221 veículos e 16 motos. Nesta segunda-feira, as polícias Civil e Militar receberam 81 novos carros e 300 detectores de metal. Nos próximos dias, deve ser lançado também um edital para aquisição de um helicóptero. O Estado estuda também a possibilidade de convocar militares da reserva técnica do último concurso público, em 2006, e aumentar o efetivo.

Rubim disse que a atual gestão recebeu a segurança pública em um cenário caótico e com apenas 43 carros policiais em condições de uso. “Tivemos que arrumar todos os setores da Defesa Social, até porque todos eles dependem dos projetos e convênios com o governo Federal. E graças ao trabalho desenvolvido, conseguimos avançar nessa área, trazendo diversos investimentos para a segurança pública do Estado”, assegurou.

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