Prefeitura e USP estudam utilização de pavimento permeável para reduzir enchentes em São Paulo

Flávia Albuquerque
Da Agência Brasil
Em São Paulo

Um tipo de pavimento permeável está sendo testado pela Universidade de São Paulo (USP) em parceria com a prefeitura da capital paulista para reduzir as enchentes na cidade. O asfalto ou concreto poroso permite que a água seja absorvida e fique armazenada em uma camada de 35 centímetros de pedra abaixo do concreto. A água fica armazenada temporariamente no espaço vazio entre as pedras e aos poucos vai saindo por um sistema de drenagem.

O professor de Hidráulica da USP e responsável pelo projeto, José Rodolfo Scaratti Martins, explicou que o pavimento está sendo testado em uma área de estacionamento de 1.600 metros quadrados. Os técnicos acompanham a capacidade de armazenamento, retenção, desgaste, quantidade de poluentes absorvidos, melhorias na manutenção e limpeza.

“Vamos estudar ao longo do ano quanto cada metro quadrado desse pavimento pode atenuar a impermeabilização causada pelas construções.”

O engenheiro da Secretaria Municipal de Infraestrutura Urbana e Obras Afonso Virgilis afirmou que o pavimento permeável não é indicado para ser usado nas ruas de grande movimento, já que não é resistente ao tráfego pesado e repetitivo dos veículos.

Por esse motivo, a ideia é de que o pavimento permeável seja utilizado em áreas de estacionamento. “Se for colocado nas ruas de São Paulo é muito possível que ele se quebre e por isso se gaste muito dinheiro com uma coisa que em pouco tempo estará deteriorada.”

Mesmo assim, o engenheiro disse que a prefeitura quer fazer com que esse tipo de pavimento seja usado em estacionamentos de supermercados e hipermercados como método auxiliar de drenagem da água.

“Isso ajuda a diminuir as enchentes porque devolve a água ao sistema de drenagem em 12 horas e se tivermos uma grande área com esse pavimento a área toda vira uma piscina [interna, abaixo do asfalto]. O que chover fica parado lá e quando a chuva passa vai saindo aos poucos.”

Virgilis destacou que o pavimento permeável não é a solução para todos os problemas de alagamento em São Paulo. Segundo ele, as áreas críticas onde há enchentes costumeiras necessitam de outras medidas. O pavimento permeável, entretanto, pode ajudar a evitar que a água desça para esses locais que costumam ser mais baixos. Ele disse ainda que esse tipo de pavimento não é ideal para locais onde a água fica enlameada já que as partículas entopem o material.

“A ideia é aplicar esse tipo de pavimento onde á água da chuva não venha com poluição para não entupir esses poros. A ideia é conter essa água da chuva antes de chegar nas áreas de alagamento, fazendo esse pavimento em pontos mais altos onde ela é mais limpa.”

No momento, os pesquisadores estudam as normas para a utilização do pavimento e formas de incentivar os proprietários de grandes áreas a realizarem a obra. Entre as sugestões estão abatimentos no Imposto sobre a Propriedade Predial e Territorial Urbana (IPTU).

O professor da USP afirmou que o custo é de 20% a 22% mais alto, mas feito em larga escala tende a ter seu preço reduzido e igualado ao do asfalto convencional. O pavimento permeável já é utilizado em diversos países do mundo. No Brasil, os estudos começaram a ser feitos no final de 2009. O professor acredita que até o final de 2010 parte da pesquisa já esteja concluída. Para o próximo ano, os técnicos devem começar a estudar a capacidade de ampliar a carga suportada pelo asfalto.

Receba notícias do UOL. É grátis!

Facebook Messenger

As principais notícias do dia pelo chatbot do UOL para o Facebook Messenger

Começar agora

Receba por e-mail as principais notícias, de manhã e de noite, sem pagar nada. É só deixar seu e-mail e pronto!

UOL Cursos Online

Todos os cursos