Defesa Civil confirma 32 mortes por conta da chuva no Rio

Do UOL Notícias*
Em São Paulo

Atualizada às 11h23

A Defesa Civil Estadual do Rio de Janeiro confirmou na manhã desta terça-feira (6) que 32 pessoas morreram e mais de 50 ficaram feridas por conta das fortes chuvas que atingem o Estado desde a noite de ontem. As vítimas foram atingidas por deslizamentos de terra e desabamentos no Andaraí, no morro do Borel (Tijuca), em Santa Tereza, no morro dos Macacos (Vila Isabel), no morro do Turano (zona norte), em Petrópolis e em Niterói. 

Além disso, foram registrados só na cidade 140 deslizamentos de terra e 26 desabamentos de imóveis.

De acordo com o Corpo de Bombeiros, 58 pessoas foram resgatadas com vida e pelo menos 39 estão desaparecidas. A situação mais crítica se encontra em Santa Tereza, onde equipes já retiraram de escombros 12 mortos --15 pessoas permanecem desaparecidas.

Os bombeiros também atuam na rua Gomes Lopes, na região de Rio Comprido, onde um desabamento atingiu três casas e pode ter soterrado de 15 a 20 pessoas. Em Taquara, em Jacarepaguá, três residências também foram atingidas por deslizamentos de terra. Segundo os bombeiros, a lama e a chuva atrapalham o resgate das pelo menos 11 pessoas que estariam soterradas no local. Outro desabamento na estrada do Sumaré deixou dois desaparecidos.

O Rio de Janeiro sofre com a chuva ininterrupta há mais de 17 horas. Alagamentos, deslizamentos, queda de energia e caos no trânsito e no sistema de transporte tornam complicada a vida de quem mora no Estado. Por isso, o prefeito da capital, Eduardo Paes, pediu na manhã desta terça-feira (6), em entrevista à "TV Globo", que a população não saia de casa até que a situação melhore. "Queremos agora é preservar vidas. As pessoas devem ficar em casa. É um risco inaceitável. Se as pessoas saírem de casa vão correr risco e atrapalhar ainda mais esta situação atípica e inesperada", disse.

Devido aos temporais, as aulas da rede municipal, estadual e particular, além das universidades, estão suspensas nesta terça-feira na cidade do Rio. Em entrevista à "TV Bandeirantes", Paes afirmou que a "situação é de absoluto caos. Todas as vias importantes estão interrompidas." Ele ressaltou ainda que "é um risco as pessoas tentarem passar [por alagamentos]".

O prefeito confirmou uma série de deslizamentos de terra na avenida Niemeyer, umas das vias que liga a Barra à zona sul. Não há tráfego no local. Segundo Paes, o Rio tem também dez domicílios em áreas de risco e a Lagoa Rodrigo de Freitas está com 1,4 metro, três vezes o volume normal.

RJ não registrava tanta chuva em 24 horas há
pelo menos 10 anos

O volume de chuva que atingiu a cidade é impressionante. De acordo com a Somar, a cidade não registrava tanta chuva num único dia desde 2000, o maior acumulado em 24 horas ocorreu em dezembro do ano passado, com 155mm.

Já Sérgio Simões, subsecretário de Defesa Civil/RJ, disse em entrevista à "GloboNews" que choveu "quantidades além do que qualquer cidade é capaz de suportar", referindo-se a regiões como a zona norte e a zona sul, onde o acumulado de chuva atingiu os 200 mm.

Toda a cidade do Rio estava em estado de atenção por volta das 7h30. As regiões mais atingidas pelas chuvas são as zonas norte e oeste da cidade. 

A Polícia Rodoviária Federal (PRF) fechou as pistas da ponte Rio-Niterói, sentido Rio, por causa dos alagamentos na chegada à capital. No sentido Niterói, as pistas permanecem abertas, mas a orientação é para que os motoristas também não sigam em direção a Niterói ou São Gonçalo, que também registram muitos pontos de alagamentos e falta de luz.

O mau tempo também prejudica as operações de pousos e decolagens nos aeroportos da cidade. O Santos Dumont não abriu e no Internacional Antônio Carlos Jobim as operações estão sendo feitas com auxílio de instrumentos.

Na zona oeste, a situação é caótica com lixo espalhado pelas ruas, que permanecem alagadas. Poucos ônibus estão circulando e alguns fazem um trajeto totalmente diferente para poder chegar ao destino.

Aeroportos
O aeroporto Santos Dumont, no Rio de Janeiro, reabriu por volta de 9h10 desta terça-feira (6), depois de permanecer fechado durante quase três horas em razão da chuva que atingem a capital fluminense desde ontem (5).

Dos 51 voos programados para decolar do aeroporto nesta terça, 27 foram cancelados e 11 atrasaram ou estão atrasados neste momento, segundo a Infraero. O aeroporto --que opera com voos domésticos-- opera por instrumentos nesse momento.

Já no Aeroporto Internacional Tom Jobim (Galeão), que também opera por instrumentos, dos 44 voos programados para decolar, 23 atrasaram ou estão atrasados neste momento.

A ponte Rio-Niterói chegou a ser fechada pela manhã por ordem da Polícia Rodoviária Federal (PRF), mas foi reaberta por volta de 8h30, segundo a concessionária CCR. O trânsito na ponte é intenso nos dois sentidos, mas sem pontos de parada ou lentidão.

Já na região do aterro do Flamengo, o trânsito é caótico. Quatro caminhões que tentaram subir em canteiros para escapar do congestionamento atolaram. No mesmo local, veículos tentam fugir do trânsito trafegando na contramão.

Trens
De acordo com a SuperVia Concessionária de Transporte Ferroviário, as estações Central do Brasil, Praça da Bandeira, São Cristóvão, Maracanã e Mangueira estão fechadas temporariamente. Além disso, todas as viagens estão com atrasos médios de 15 minutos. Segundo a empresa, as passageiros estão sendo informados das alterações pelo sistema de som das estações.

A circulação foi alterada nos ramais Deodoro, entre as estações Deodoro e São Francisco Xavier; Santa Cruz, entre as estações Santa Cruz e São Francisco Xavier; Japeri, entre Japeri e São Francisco Xavier; Belford Roxo, entre Belford Roxo e Triagem; e o Ramal Saracuruna teve a circulação suspensa.

*Com informações de André Naddeo, no Rio de Janeiro, da Folha Online, da Agência Estado e da Agência Brasil

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