Seis morrem soterrados no morro do Bumba, em Niterói (RJ)

Do UOL Notícias*

Em São Paulo

Atualizada às 06h31

Mais dois corpos foram retirados na madrugada desta quinta-feira (08) do deslizamento que ocorreu ontem à noite no morro do Bumba, em Niterói, região metropolitana do Rio. Com isso, o total de vítimas deste novo deslizamento sobe para seis, segundo informações do Corpo de Bombeiros fluminense.

Ainda não se sabe quantos moradores estavam no local no momento da tragédia, mas as autoridades municipais estimam que pelo menos 60 pessoas estejam sob os escombros e a lama. Segundo a Defesa Civil da cidade, ao menos 25 pessoas foram resgatadas com vida no local, entre elas oito crianças. Muitas vítimas foram levadas para os hospitais Azevedo Lima e Mário Monteiro, que ficam próximos ao local da tragédia.

Segundo os bombeiros, cerca de 50 a 60 casas foram atingidas neste desabamento no morro do Bumba. Nos calculos dos bombeiros,  chega a 85 o número de mortos no município de Niterói desde o início das chuvas, na segunda-feira (05).

Com o resgate dos últimos dois corpos, o número total de vítimas das chuvas em todo o Estado do Rio sobe para 153, já que durante a madrugada desta quinta-feira os bombeiros da capital fluminense também encontraram outros dois corpos que estavam soterrados desde segunda-feira (05) na favela da Rocinha, zona sul do Rio. 

A capital do Rio tem agora 48 mortos, além de 16 em São Gonçalo, uma em Nilópolis, uma na região de Paracambi, uma em Petrópolis e uma em Magé. Somados aos 85 de Niterói, o total de vítimas nesta manhã já soma 153 pessoas.

Embora a chuva tenha dado uma trégua na capital, na madrugada de hoje os bombeiros registraram mais um deslizamento na Favela Rio das Pedras, no acesso à Barra da Tijuca (zona oeste). Pelo menos 15 homens do Corpo de Bombeiros trabalham no local e as primeiras informações indicam apenas que trata-se do desabamento de um prédio de cinco pavimentos. De acordo com a Rádio CBN, os moradores que dormim no prédio conseguiram fugir antes que o prédio despencasse totalmente.

Madrugada

No município de Niterói, o trabalho de resgate no novo deslizamento ocorrido ontem foi muito duro durante toda a madrugada. Choveu forte em vários momentos e os bombeiros contaram com a ajuda de duas torres de iluminação de 15 metros, instaladas justamente para auxiliar o trabalho de resgate.

Segundo relato dos bombeiros, a situação é dramática no local e muitos familiares das vítimas não dormiram, esperando notícias dos parentes soterrados. Com o auxílio da polícia, os bombeiros isolaram o local das buscas, na tentativa de impedir a intervenção de moradores desesperados em busca de parentes e para garantir a segurança no local. A assessoria de imprensa dos bombeiros informa que ainda há riscos de novos deslizamentos na região e as escavações e remoção da lama e entulho acontece com muito cuidado.

Os trabalhos de resgate já duram mais de dez horas e pelo menos quatro retroescavadeiras são usadas pelos homens das equipes de resgate para a remoção do barro e dos escombros acumulados no pé do morro.

Equipes de outras regiões foram acionadas para auxiliar nos trabalhos e a energia foi cortada para evitar incêndios na área. O prefeito de Niterói, Jorge Roberto da Silveira, mobilizou as equipes da Defesa Civil do município para auxiliar no salvamento de vítimas.

Histórico

O município de Niterói teve diversas ruas alagadas ou interditadas por causa das chuvas dos últimos quatro dias. Encostas desabaram e fizeram vítimas em toda a cidade, inclusive, em áreas nobres, como o bairro de São Francisco. O prefeito Jorge Roberto da Silveira decretou luto oficial de sete dias, a partir desta terça (6).

Silveira disse que precisará de pelo menos R$ 14 milhões para recuperar os prejuízos e retirar cerca de 320 famílias de áreas de risco. A Defesa Civil municipal contabiliza pelo menos 150 áreas da cidade em situação de emergência, em virtude do perigo de novos deslizamentos, informou a emissora GloboNews.
 
Apesar da diminuição do volume de chuvas, o solo continua encharcado e os bombeiros trabalham em áreas de bastante instabilidade. "O trabalho tem que ser feito com muita cautela", disse um porta-voz do Corpo de Bombeiros.

Desabrigados
A Coordenação da Defesa Civil do Estado divulgou nesta quarta que o número de desabrigados nas cidades mais atingidas pelas chuvas dos últimos dias no Estado é 3.262, enquanto que o total de desalojados é 11.439. A prefeitura já interditou 180 imóveis em situação de risco.

Os dados são referentes às cidades de São Gonçalo (com 2.632 desabrigados e 9.026 desalojados), Araruama (170 desabrigados e 100 desalojados), Itaboraí (397 desabrigados e 1.182 desalojados), Duque de Caxias (300 desabrigados e 45 desalojados), Tanguá (46 desabrigados e 120 desalojados), Petrópolis (7 desabrigados e 20 desalojados), Maricá (10 desabrigados e 856 desalojados ), Iguaba Grande (15 desalojados), Rio Bonito (14 desalojados), Magé (34 desalojados) e Saquarema (72 desalojados). Rio de Janeiro, Niterói e Duque de Caxias divulgaram que contam, respectivamente, com 1.972, 2.732 e 300 pessoas em abrigos.

Veja mais de cem imagens da tragédia que assolou o Rio

Tragédia já supera SC
O número de mortes decorrentes das chuvas que atingiram o Rio de Janeiro nos últimos dias superou os óbitos ocorridos na tragédia que abalou Santa Catarina em novembro de 2008. Enquanto em SC foram 135 mortos em 16 municípios, no Rio mais de 150 pessoas morreram em apenas sete cidades.

Para Júlio César Wasserman, geógrafo e professor do Departamento de Análise Geoambiental da Universidade Federal Fluminense (UFF), tanto no desastre catarinense, quanto no do Rio de Janeiro, o poder público falhou. “As pessoas que ocupam as áreas de risco têm alguma culpa, mas o povo faz as coisas sem muita consciência. Cabe principalmente ao poder público a tarefa de educar e preparar a população para impedir que as tragédias aconteçam”, diz.

De acordo com o geógrafo, o Rio tem particularidades que tornam a região ainda mais propícia para os desastres. “Só a capital tem sete milhões de habitantes, grande parte vivendo nas encostas. O solo no RJ é mais espesso e com rochas grandes, o que aumenta o risco e a proporção dos acidentes”, afirma.

Na avaliação de Wasserman, o descaso maior foi da prefeitura de Niterói, que realizou poucas ações para evitar a tragédia. “Niterói é uma cidade rica. O IPTU (Imposto Predial Territorial Urbano) é caríssimo, mas a prefeitura fez muito pouco, realizou apenas algumas obras em beira de estradas.”

O prefeito do Rio, Eduardo Paes, afirmou que a chuva foi a maior já registrada na cidade. Em menos de 24 horas, foram 288 milímetros de precipitação (cada milímetro equivale a um litro de água por metro quadrado). Em 1966, choveu 245 milímetros em 24 horas --na ocasião, a chuva histórica destruiu a cidade.

"Foi o maior volume de chuvas relacionadas a enchentes já registrado em nossa cidade. Tivemos a chuva forte somada à maré alta e ressaca, o que agravou a situação. Para se ter uma ideia, o nível da lagoa Rodrigo de Freitas que normalmente é de 50 centímetros foi a 1,40 metro. É claro que ninguém nega que existam deficiências e problemas estruturais, mas não há galeria pluvial limpa que segure este volume de água", disse Paes.

Já o governador do Rio de Janeiro, Sérgio Cabral (PMDB), culpou a ocupação irregular de favelas pela tragédia.

*Com informações da Agência Brasil e da Agência Estado

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