Apesar de forte presença policial, toque de recolher completa 5 dias em Contagem (MG)

Rayder Bragon
Especial para o UOL Notícias

Em Contagem (MG)

  • Rayder Bragon/Especial para o UOL

    Policiais fazem ronda em rua do bairro Estrela Dalva, em Contagem, região metropolitana de BH

    Policiais fazem ronda em rua do bairro Estrela Dalva, em Contagem, região metropolitana de BH

Atualizada às 17h28

Apesar da presença ostensiva da Polícia Militar, comerciantes do bairro Estrela Dalva, na cidade de Contagem, região metropolitana de Belo Horizonte, não abriram as portas pelo 5º dia seguido nesta quinta-feira (8), por causa de toque de recolher imposto pelos traficantes da região.

Ao menos mil alunos estão sem aulas porque duas escolas municipais do bairro suspenderam as aulas. O posto de saúde também fechou as portas. A situação perdura desde a madrugada do último sábado, quando dois rapazes foram assassinados. Em represália, líderes do tráfico determinaram que as atividades comerciais ficassem proibidas no local até a próxima segunda-feira (12).

Um morador do bairro, sob a condição de anonimato, afirmou ser precária a situação dos moradores porque não há onde comprar suprimentos. Por possuir automóvel, ele está indo a estabelecimentos de bairros do entorno, mas disse que vizinhos estão enfrentando dificuldade por causa do medo de entrar em ônibus da região. No domingo, um coletivo foi queimado, mas ninguém se feriu.

O subcomandante do 18º Batalhão, major Sílvio Leite, que faz a segurança do local, disse que reuniões diárias estão sendo feitas com os comerciantes para convencê-los em abrir seus estabelecimentos.

“Estamos diuturnamente com mais de cem homens no local para garantir a segurança das pessoas. Os supostos líderes do tráfico já foram identificados e, brevemente, serão presos”, afirmou. Mais tarde, no final da tarde desta quinta-feira, o major confirmou que um dos suspeitos de impor o toque de recolher já foi preso.

A polícia colocou na região homens da cavalaria, batedores de motos, além de grupamentos em carros que percorrem as ruas do bairro. A maioria dos moradores não quis conversar com a reportagem do UOL Notícias, mas um deles relatou que há suspeita de envolvimento de policiais na morte dos dois rapazes.

A versão, até o momento, não foi confirmada pela cúpula da Polícia Militar do Estado.
Em entrevista a uma rádio local, o comandante-geral da corporação, coronel Renato Vieira, disse não existir prova de participação de policiais no caso.

“Nós não temos indícios consistentes em relação à participação de policiais militares, ou mesmo civis, na morte dos dois. Sabemos, de forma extraoficial, de participação dos dois em um assalto ocorrido na cidade de Juatuba (MG). A situação é extremamente complexa”, disse.

O comandante-geral da PM de MG disse que a Corregedoria da Polícia Militar instaurou hoje um inquérito policial militar para apurar a participação de militares nas mortes.

A repercussão do caso levou o recém-empossado governador de Minas Gerais, Antônio Anastasia (PSDB), a se manifestar.

“Isso faz parte do processo de investigação. Se há esse tipo de acusação, evidentemente caberá às corregedorias avaliar isso. Mas nós temos que saber de onde veio isso. Muitas vezes está vindo de pessoas envolvidas com o crime, nós temos que saber se existe algum tipo de veracidade. Eu não tenho condições nessa altura de fazer qualquer tipo de afirmação nesse sentido”, disse.

Famílias cobram responsabilidades
Familiares dos rapazes assassinados exibiram cartazes nesta quinta-feira (8) em praça do bairro exigindo solução para o caso. Nivalda Ferreira, 48, mãe de um dos jovens que morreram, cobrou mais empenho das autoridades.

“A gente quer que apareça quem fez isso. Meu filho foi torturado, algemado e levou um tiro na fronte. Ele era um menino muito bom”, disse, chorando.

Ela ainda relatou que o filho foi preso ano passado, acusado de roubo, mas solto em seguida por falta de provas. “Nenhuma das vítimas desse roubo reconheceu ele. Mas mesmo que ele tivesse culpa, ele merecia uma segunda chance”, afirmou.

Para José de Souza Paula, pai do outro jovem morto, a tensão gerada na região pela morte do filho só vai terminar quando os culpados forem identificados.

“As pessoas da região estão revoltadas com o que ocorreu. Eu não tenho condição de afirmar se foram policiais que fizeram isso ao meu filho, mas eu quero que os culpados, sejam eles quem for, apareçam para que a nossa família e meus amigos possam ter paz”, disse.

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