Bombeiros retiram dez corpos de vítimas de deslizamento no morro do Bumba, em Niterói (RJ)

Do UOL Notícias*
Em São Paulo

*Atualizada às 12h52

O Corpo de Bombeiros retirou na manhã desta quinta-feira (8) mais quatro corpos de vítimas dos deslizamentos no morro do Bumba, em Niterói (RJ), na região metropolitana. No total, dez corpos foram encontrados até o momento. Equipes de resgate e prefeitura estimam que cerca de 200 pessoas moravam no local, onde existiam ao menos 50 casas, e podem estar soterradas.

De acordo com o último balanço do Corpo de Bombeiros, o número de mortes devido às chuvas no Estado é de mais de 150. Os corpos resgatados nesta manhã ainda não foram contabilizados.

Cerca de 300 homens, entre integrantes da Força Nacional de Segurança (FNS), policiais civis, bombeiros e policiais militares, trabalham nas operações de resgate no local.

A estimativa é de que foram deslocados 600 metros quadrados de terra no morro do Bumba. As equipes de resgate usam dez retroescavadeiras para retirar a terra e o lixo do local, que já foi um aterro sanitário. “Essa é uma área de alta suscetibilidade. Isso aqui é um lixão que se encharca muito mais rapidamente em comparação com outros morros. O solo vai ficando ensopado e ocorre a formação de gás metano. Com tudo isso, o ângulo estável fica muito menor. A prefeitura deveria ter um cadastro desta área, que é de altíssimo risco", afirmou Adalberto da Silva, professor de geologia do Instituto de Geociências da UFF (Universidade Federal Fluminense).

Os mortos na cidade somam 89 desde segunda-feira (5), e esse número tende a aumentar com o passar do tempo e as remotas chances de se encontrar sobreviventes. Além de residências, foram soterrados estabelecimentos comerciais, creches e igrejas no morro do Bumba.

"Gostaria de ser solidário ao povo de Niterói, que vive uma grande tragédia, e isso serve para reforçar o meu apelo para que as pessoas deixem áreas de encosta e de risco, porque ali era uma área com essas características", disse o prefeito do Rio de Janeiro, Eduardo Paes.

O temporal que provocou a tragédia no Estado do Rio teve início no final da tarde de segunda-feira (5) e levou o caos à capital e à região metropolitana, que praticamente pararam na terça-feira. Segundo dados do Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet), somente na terça-feira choveu mais do que o esperado para todo o mês de abril na região.

Depoimentos
Centenas de pessoas estão no morro do Bumba à espera de notícias sobre parentes desaparecidos e amigos.

Entre os que aguardam novidades está o motorista de ônibus Marcos Antonio Caternol Júnior, 31, morador da comunidade e que passou em frente ao morro dirigindo o coletivo poucos minutos antes da tragédia. "Minha mulher ouviu um estouro e saiu com o bebê no colo, pensando que se tratava de um acidente. Ao olhar para trás, ela viu a casa sendo soterrada. Dentro da residência estavam os pais dela, o bisavô e o nosso filho Caíque de seis anos. Até agora não entendo o que aconteceu", contou.

Felipe de Souza, 21, pizzaiolo, disse que o cenário no local é de terror. “Ouvi um barulho muito forte. Um estrondo. E vi todo mundo gritando 'sai, sai, sai'. Logo depois veio tudo abaixo. A situação é caótica. Tem muita gente soterrada ali.”

A aposentada Sueli Campos, também relatou o que viu. “Tava tudo escuro, as pessoas mal conseguiam andar. Meu marido se quebrou todo. Estou só com a roupa do corpo”, disse, aos prantos.

O vendedor Carlos Eduardo Moreira, 24, permanece, desolado, no local, à espera de um milagre. “Estão falando em 40, 60 casas, mas e as pessoas? Tem com certeza mais de 60 pessoas soterradas lá. A família inteira do meu vizinho foi embora junto com a lama. Só na casa dele tinha sete pessoas”.

Alerta
Na capital fluminense, o prefeito Eduardo Paes (PMDB) voltou a recomendar hoje que as famílias deixem as áreas de risco e busquem abrigo em outros locais. Segundo a prefeitura, ainda há muitos riscos de deslizamento nas encostas da cidade.

Paes também alertou que os problemas no trânsito da capital do Estado devem continuar em razão de várias vias ainda estarem bloqueadas. "Por isso, pedimos de novo que as pessoas que não tiverem obrigação de sair que não o façam, e que busquem fazer carona solidária, auxiliando os vizinhos e desafogando o tráfego."

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*Com informações de André Naddeo, em Niterói (RJ), da Agência Estado e Folha Online

 

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