Bombeiros mantêm buscas a vítimas de deslizamentos no RJ; chuvas matam 229

Do UOL Notícias*

Em São Paulo

Atualizado às 02h35

Equipes dos bombeiros mantêm as buscas às vítimas dos deslizamentos de terra provocados pela chuva que atingiu o Estado do Rio na última semana. Até o final da noite deste domingo (11), 229 mortes haviam sido confirmadas, segundo informou o Corpo de Bombeiros.

Por conta da instabilidade constatada no Corcovado, a Defesa Civil do Rio de Janeiro informou que até o bondinho foi interditado neste domingo. Segundo o órgão, a Geo-Rio (Fundação Instituto de Geotécnica do Rio) vai realizar uma vistoria no Corcovado nesta segunda para definir se o local permanecerá ou não fechado para visitação.

De acordo com os bombeiros, as buscas no morro dos Prazeres, no Rio, e no morro do Bumba, em Niterói, também continuam durante a madrugada. Em outras localidades, os trabalhos são suspensos nesse período.

Até o início da madrugada desta segunda-feira (12) foram registradas 146 mortes em Niterói, 63 na cidade do Rio de Janeiro, 16 em São Gonçalo, uma em Petrópolis, uma em Nilópolis, uma em Paracambi e uma em Magé. O número de vítimas, entre mortos e feridos, chega a 390.

Somente no morro do Bumba, em Niterói, onde houve um deslizamento de terra na última quarta-feira (7), já foram retirados 36 corpos.

Segundo estimativa aproximada do Corpo de Bombeiros, o número de desalojados em todo o Estado do Rio de Janeiro ultrapassaria os 40.400. Já os desabrigados somariam mais de 11.500 pessoas.

Na cidade mais afetada, Niterói, 90 abrigos foram providenciados para receber as vítimas das chuvas. Nesses abrigos já se encontram quase 6 mil pessoas. Segundo a prefeitura, a cidade recebeu até o momento mais de 20 toneladas de doações, entre alimentos, roupas e produtos de higiene e colchões.

Na noite deste sábado (10), o prefeito da cidade de Niterói, Jorge Roberto Silveira, negou em uma entrevista coletiva a existência de um estudo que indicasse que o morro do Bumba estivesse em situação crítica de risco.

Retirada imediata
O governador do Rio, Sérgio Cabral (PMDB), afirmou neste sábado que determinou a retirada "imediata" dos moradores do morro do Céu, lixão em Niterói vizinho ao morro do Bumba, onde mais de 30 corpos soterrados já foram resgatados. 'É uma área de risco iminente, coisa dantesca. Vamos tirá-los de lá imediatamente', declarou Cabral.

O governador afirmou que aproveitará um Termo de Ajustamento de Conduta firmado há cinco anos entre o Ministério Público Estadual e a Prefeitura de Niterói para desapropriar cerca de 200 casas do morro do Céu. A localidade vizinha ao morro do Bumba também corre risco de desabamento.

Segundo o governador, a desapropriação no morro do Céu --onde funciona o atual aterro controlado de Niterói-- será feita 'agora'. Cabral não informou, porém, uma data precisa para dar início aos processos.

De acordo com a assessoria de imprensa da prefeitura de Niterói, os acessos ao morro do Céu já foram interditados e as famílias serão retiradas do local "em breve".

Em Niterói outro lixão em morro
também preocupa moradores

Resistência da população
Por causa do risco de deslizamentos, o prefeito do Rio, Eduardo Paes, anunciou neste domingo a remoção de mais sete comunidades, além do morro do Urubu, que aconteceu ontem. São elas: morro dos Prazeres, morro do Fogueteiro, São João Batista, Cantinho do Céu e Pantanal (no morro do Turano), Laborioux ( na Rocinha) e Parque Colúmbia (às margens do Rio Acari).

Todas as famílias já identificadas pelas assistentes sociais que estão atuando nos locais receberão a partir desta semana o Aluguel Social - que passou de R$ 250 para R$ 400 mensais.

Moradores do morro dos Prazeres, no bairro de Santa Tereza, no centro do Rio de Janeiro, permanecem em áreas onde cerca de 400 casa foram interditadas pela Defesa Civil. Muitos resistem à ideia de ir para um abrigo montado pela prefeitura.

A comunidade de 7.000 habitantes foi a mais afetada na capital fluminense após as fortes chuvas dessa semana. No local, já foram encontrados 28 corpos que estavam soterrados em virtude do deslizamento de terra ocorrido na manhã de terça-feira (6).

Janice Delfim, 27, moradora do morro dos Prazeres, diz que não deixará a comunidade. “A população não sabe direito quais áreas estão em risco. Recebemos informações diferentes. Se vou sair, vou pra onde?! Se eu for para o colégio, não sei quanto tempo vou ter que ficar lá. Um dia? Uma semana? Um mês? E depois? Minha vida é aqui”, justifica. A maioria da população tem preferido ir para a casa de amigos ou parentes.

*Com informações de Daniel Milazzo, no Rio de Janeiro, e da Folha Online

Veja as cidades do Rio de Janeiro que registraram mortes

 

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