Assassino confesso de jovens de Luziânia (GO) revela que receberia R$ 5.000 por mortes

Luiz Felipe Fernandes
Especial para o UOL Notícias
Em Goiânia

Com declarações pouco objetivas e cheias de contradição, o pedreiro Admar de Jesus, 40, assassino confesso de seis jovens de Luziânia (Goiás), admitiu que matou em troca de dinheiro. Ele foi apresentado pela polícia no fim da manhã desta segunda-feira (12), no auditório da Secretaria de Segurança Pública de Goiás, sob forte escolta policial.

Questionado por jornalistas sobre o que motivou os crimes, Admar revelou que foi procurado por um jovem moreno, alto e magro, usuário de drogas, a quem ele chama de Zé. O rapaz teria oferecido R$ 5.000 para que ele matasse pessoas que tinham dívida com o tráfico. “O maconheiro (Zé) me indicava e eu matava. Fiz uma coisa forçada, não foi de graça."

Admar disse ainda que teve relações sexuais com dois dos jovens. Um deles teria filmado o ato sexual e ameaçado divulgar o vídeo na internet, o que, segundo o suspeito, motivou a morte. O outro – Márcio Luiz de Souza Lopes, 19, o último a ser morto – teria ameaçado denunciá-lo à polícia ao saber dos demais assassinatos.

O suspeito revelou também que matou quatros rapazes a pauladas, um deles por  meio de uma enxada e outro por meio de um instrumento que ele definiu ora como martelo, ora como marreta. Admar contou que um dos jovens tentou reagir. “A gente rolou no chão, aí o jeito foi matar”.

Pedofilia

Admar continua preso na Delegacia Estadual de Repressão a Narcóticos, em Goiânia. A transferência de Luziânia aconteceu por motivos de segurança. “O clima é de revolta na cidade”, justifica o delegado-geral da Polícia Civil de Goiás, Aredes Correia Pires. Segundo ele, as investigações também serão concluídas na capital goiana.

Ainda hoje, o senador Magno Malta (PR-ES) deve ouvir Admar na delegacia. O presidente da CPI da Pedofilia almoçou com toda a cúpula da polícia goiana. O depoimento oficial deve ser colhido durante a semana. “Vamos esperar ele acalmar. Ele está muito confuso e não passa clareza no que fala”, afirma o delegado-geral.

Abuso

Admar contou que já foi vítima de abuso sexual. O fato teria acontecido há poucos anos, durante um assalto em Brasília. O suspeito mostrou cicatrizes no rosto que teriam sido provocadas pelas agressões. Ele revelou ainda que tentou se matar ao saber da repercussão do desaparecimento dos jovens.

Os corpos das seis vítimas continuam no Instituto Médico Legal (IML) de Luziânia, no entorno de Brasília. Segundo o delegado, ainda não houve identificação formal dos corpos. “Familiares reconheceram vestimentas, mas a liberação só pode ser feita com o exame de DNA”. Peritos já estão à disposição para as análises do material genético.

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