Bombeiros encontram mais um corpo em Niterói; total de mortes chega a 232 no RJ

Do UOL Notícias*
Em São Paulo

Moradores de áreas de risco criticam remoção e auxílio aluguel do governo

Segundo o último balanço divulgado pelo Corpo de Bombeiros às 21h04 desta segunda-feira, subiu para 232 o número de mortes confirmadas em todo o Estado-- 147 mortes em Niterói, 65 no Rio, 16 em São Gonçalo, uma em Petrópolis, uma em Nilópolis, uma em Paracambi e uma em Magé. O número de vítimas, entre mortos e feridos, chega a 393. O último corpo foi encontrado no município de Niterói.

Mais cedo, outros dois corpos foram retirados do morro dos Prazeres, no bairro de Santa Tereza, região central do Rio de Janeiro. Com isso,  o Corpo de Bombeiros deu como finalizado os trabalhos de busca no local.

Segundo a Associação dos Registradores de Pessoas Naturais do Estado do Rio de Janeiro (Arpenrj), pelo menos 54 pessoas ainda estão desaparecidas no morro do Bumba, em Niterói, consequência do deslizamento de terra ocorrido na noite da última quarta-feira  (7).  De acordo com o presidente da Apenrj, Cláudio Almeida, foram cruzadas as listas dos mortos já identificados e as informações dos vizinhos e parentes sobre desaparecidos, além das de um cadastro que havia do Programa de Saúde da Família (PSF) da prefeitura de Niterói, com o nome dos moradores de cada residência.

“Os médicos de família têm a localização de onde era a casa dessas pessoas. É possível que [em alguns casos] todos os familiares tenham morrido. Por isso, não estão sendo reclamados”, explicou Cláudio.

Desabrigados e desalojados
De acordo com a Secretaria Municipal de Saúde e Defesa Civil, a cidade do Rio ainda tem cerca de 5.000 desalojados e desabrigados distribuídos em 64 abrigos da prefeitura. Em Niterói, são 7.000 pessoas abrigadas 90 pontos providenciados pelo governo municipal para receber as vítimas da chuva. A estimativa do Corpo de Bombeiros é de que 11.500 pessoas estão desabrigadas no Estado e mais de 40.400 desalojadas na casa de amigos e parentes.

As cidades do Rio e Niterói arrecadaram até o momento mais de 140 toneladas de donativos para os desabrigados das chuvas.

A Prefeitura do Rio de Janeiro informou nesta segunda-feira (12) que vai arcar com as despesas da compra de imóveis para as cerca de 3.700 famílias que moram em áreas de risco na cidade e que terão de ser reassentadas. Segundo o prefeito Eduardo Paes, essas famílias deverão ser realocadas em unidades habitacionais construídas pelo Programa Minha Casa, Minha Vida, do governo federal, mas custeadas pelo município.

As 3.700 famílias moram em nove favelas cariocas. A maior parte das remoções já previstas ocorrerá no morro dos Prazeres, na zona norte da cidade, onde dezenas de pessoas morreram soterradas durante as chuvas da semana passada. Cerca de mil famílias serão retiradas desta área. 

Enquanto as unidades habitacionais estão sendo construídas, as famílias receberão um aluguel social no valor de R$ 400, pago pela prefeitura do Rio.

Resistência
No morro dos Prazeres, os moradores permanecem em áreas onde cerca de 400 casas foram interditadas pela Defesa Civil. Muitos resistem à ideia de ir para um abrigo montado pela prefeitura. A comunidade de 7.000 habitantes foi a mais afetada na capital fluminense após as fortes chuvas dessa semana.

O governador do Rio, Sérgio Cabral (PMDB), também afirmou durante o fim de semana que determinou a retirada "imediata" dos moradores do morro do Céu, lixão em Niterói vizinho ao morro do Bumba, que também corre risco de desabamento. Segundo ele, o governo aproveitará um Termo de Ajustamento de Conduta firmado há cinco anos entre o Ministério Público Estadual e a Prefeitura de Niterói para desapropriar cerca de 200 casas ali.

De acordo com a assessoria de imprensa da prefeitura de Niterói, os acessos ao morro do Céu já foram interditados e as famílias serão retiradas do local "em breve".

Os moradores do local, no entanto, também resistem em deixar suas casas por medo de que seus pertences possam ser roubados e reclamam de falta de garantias por parte do governo.

Falta sangue
A Secretaria Municipal de Saúde e Defesa Civil do Rio de Janeiro voltou a pedir nesta segunda-feira (12) que a população doe sangue. O estoque de sangue do Hemorio, que abastece cerca de 180 hospitais do Estado e as unidades de saúde da cidade, está muito baixo.

A situação foi agravada pelas fortes chuvas que atingiram o Rio de Janeiro e provocaram centenas de feridos.

A doação pode ser feita a qualquer hora, em qualquer um dos dez centros espalhados pela cidade. Para doar sangue é preciso ter entre 18 e 65 anos, pesar mais de 50 quilos, estar em boas condições de saúde, não ter ingerido bebida alcoólica nas últimas 24 horas e não fazer parte do grupo de risco de doenças sexualmente transmissíveis e usuários de drogas. Confira os centros de doação de sangue no Rio.

Papa doa US$ 50 mil
A Arquidiocese do Rio informou que o papa Bento 16 enviou US$ 50 mil (cerca de R$ 88,6 mil) como doação para as vítimas dos deslizamentos que ocorreram no Estado devido às chuvas. Segundo dom Orani João Tempesta, a comunicação da doação foi feita por meio de carta do cardeal Paul Josef Cordes, presidente do conselho pontifício "Cor Unum", que orienta os trabalhos de caridade da Igreja Católica. 

*Com informações da Agência Estado, da Agência Brasil e da Folha Online

Veja as cidades do Rio de Janeiro que registraram mortes

 

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