Casas construídas em áreas de risco começam a ser demolidas no Rio

Da Agência Brasil

No Rio de Janeiro

A remoção de moradores de áreas de risco no Rio de Janeiro teve início hoje (12). O trabalho começou no morro do Urubu, em Pilares, na zona norte da cidade, onde inicialmente foram usadas picaretas para demolir as casas e, depois, retroescavadeiras. Um caminhão da Companhia Municipal de Limpeza Urbana (Comlurb) ajuda na mudança dos moradores.

Três pontos foram afetados pelo temporal no Complexo dos Urubus. Em um deles, no topo da vila dos Mineiros, três casas vieram abaixo. Não houve feridos nem mortos na comunidade. Duas creches estão interditadas, por medida de segurança. O Parque Colúmbia, também na zona norte, será monitorado a partir desta tarde, mas ainda não há estimativa de quantas pessoas serão atendidas na comunidade.

Segundo o subprefeito André Santos, que monitora a zona norte da cidade, 250 famílias serão realocadas no Complexo do Urubu. A prefeitura está encaminhando os moradores para o Clube Centro Comercial e Indústria de Pilares, onde há 30 famílias abrigadas. O restante está em casas de amigos e parentes.

De acordo com Santos, até o final da semana o cheque do aluguel social estará disponível, no valor de R$ 400 mensais. A previsão é que o auxílio seja pago por um período de três meses a um ano. Depois os moradores serão realocados nos apartamentos do programa Minha Casa, Minha Vida, em Realengo, na zona norte do Rio.

Algumas casas estão cheias de água, que desce dos barrancos. Jorge Barros, morador do Morro do Urubu, mostrou o quintal alagado onde fez uma obra de contenção que custou R$ 5 mil.

As residências foram construídas em terrenos sobre lençóis freáticos e há muitas nascentes nos morros, contaram moradores.

Outros relataram a dificuldade para conseguir alugar uma casa na região, pois além do aumento do preço por causa da procura, há o preconceito com os moradores da favela.

“A prefeitura disse que vai dar ajuda para a gente, mas ainda não deu. Nós não temos aonde ir nem botar as nossas coisas. Eu fui procurar casas ali embaixo e ninguém quer alugar porque pensa que a gente não tem condições de pagar e não acredita na promessa do governo”, criticou Sandra Maria, que mora na comunidade há mais de 50 anos.

O presidente da Associação de Moradores, Edson Baiga, disse que o valor do aluguel na região subiu de R$ 250 para R$ 600. Ele também destacou que os trechos interditados abrangem uma região atendida pelo Projeto Favela-Bairro, em 1998.

“Essa parte afetada foi atendida pelo Favela-Bairro em 1998, no governo [Luiz Paulo Conde], é uma obra nova e nunca teve manutenção. Isso é um desperdício do dinheiro público, está tudo deteriorado, fizeram um pseudo saneamento e hoje a água está descendo e tem esgoto em todo lado”, criticou Baiga.

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