Julgamento de acusado de mandar matar Dorothy começa com mudanças na defesa

Sandra Rocha
Especial para o UOL Notícias

Em Belém

  • Divulgação/Carlos Silva

    A missionária norte-americana Dorothy Stang foi morta por dois pistoleiros com seis tiros no Pará

    A missionária norte-americana Dorothy Stang foi morta por dois pistoleiros com seis tiros no Pará

O início do julgamento do fazendeiro Vitalmiro Bastos de Moura, o Bida, nesta segunda-feira (12) no Pará, pelo assassinato da missionária norte-americana Dorothy Stang, foi marcado por mudanças na defesa após uma tentativa fracassada de adiar o júri.

Bida está sendo julgado pela terceira vez, acusado de ser um dos mandantes do assassinato de Stang, em fevereiro de 2005, no município de Anapu (PA).

No primeiro julgamento, ele foi condenado a 30 anos de prisão e teve direito a um novo júri. No segundo, foi absolvido, mas a decisão foi anulada pelo Tribunal de Justiça do Pará.

O julgamento começou às 8h. Logo na abertura da sessão o advogado de defesa Eduardo Imbiriba anunciou sua saída do caso. Em seu lugar, assumiu Arnaldo Lopes de Paula.

O novo advogado solicitou ao juiz que adiasse o julgamento alegando não ter tido tempo suficiente para se inteirar dos autos. Mas o magistrado negou o pedido. O advogado então deixou a sessão anunciando que pediria a anulação do julgamento.

Para que o réu não ficasse desassistido, o juiz designou dois defensores públicos para a defesa. Lopes de Paula sustentou que nem ele ou os defensores teriam condições de defender o réu.

O primeiro advogado, Eduardo Imbiriba, afirmou que o acusado teve o direito de defesa cerceado e, por isso, o pedido de anulação pode ser feito através de habeas corpus às Câmaras Criminais Reunidas do Tribunal de Justiça do Estado.

O advogado não descartou o retorno à defesa, desde que essa seja a vontade do réu. Quanto aos motivos que o levaram a deixar o caso, ele disse que tem “resguardado o direito de sigilo profissional”.

A previsão é que a decisão final do júri saia até o final do dia. Pela manhã foram ouvidas as testemunhas de acusação. Agora à tarde, estão sendo ouvidas as de defesa.

Histórico
A missionária Dorothy Stang, que na época do crime tinha 73 anos, foi morta por dois pistoleiros com seis tiros, numa estrada de terra de Anapu. Ela defendia os direitos de pequenos produtores rurais da região de Altamira (PA) e denunciava crimes ambientais e fundiários, como a grilagem de terra.

Seu assassinato gerou repercussão internacional e originou um documentário, "Mataram a Irmã Dorothy", do norte-americano Daniel Junge, que foi pré-selecionado ao Oscar do ano passado.

O outro acusado de ser o mandante, o empresário Regivaldo Pereira Galvão, o Taradão, ainda não foi julgado. Espera-se que o júri aconteça neste ano.

 

*Com informações da Agência Folha

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