Prefeitura do Rio vai comprar casas para 3.700 famílias que moram em áreas de risco

Do UOL Notícias*
Em São Paulo

Moradores de áreas de risco criticam remoção e auxílio aluguel do governo

Segundo informou o prefeito do Rio de Janeiro, Eduardo Paes, na tarde desta segunda-feira (12), as despesas com a compra de imóveis para as cerca de 3.700 famílias que moram em áreas de risco na cidade serão arcadas pelo própria prefeitura. Paes disse que essas famílias deverão ser realocadas em unidades habitacionais construídas pelo Programa Minha Casa, Minha Vida, do governo federal, mas custeadas pelo município.

As 3.700 famílias moram em nove favelas cariocas. A maior parte das remoções já previstas ocorrerá no morro dos Prazeres, na zona norte da cidade, onde dezenas de pessoas morreram soterradas durante as chuvas da semana passada. Cerca de mil famílias serão retiradas desta área.

Enquanto as unidades habitacionais estão sendo construídas, as famílias receberão um aluguel social no valor de R$ 400, pago pela prefeitura do Rio.

Resistência
No morro dos Prazeres, os moradores permanecem em áreas onde cerca de 400 casas foram interditadas pela Defesa Civil. Muitos resistem à ideia de ir para um abrigo montado pela prefeitura. A comunidade de 7.000 habitantes foi a mais afetada na capital fluminense após as fortes chuvas dessa semana. No local, já foram encontrados 30 corpos que estavam soterrados em virtude do deslizamento de terra ocorrido na manhã de terça-feira (6).

O governador do Rio, Sérgio Cabral (PMDB), também afirmou durante o fim de semana que determinou a retirada "imediata" dos moradores do morro do Céu, lixão em Niterói vizinho ao morro do Bumba, que também corre risco de desabamento. Segundo ele, o governo aproveitará um Termo de Ajustamento de Conduta firmado há cinco anos entre o Ministério Público Estadual e a Prefeitura de Niterói para desapropriar cerca de 200 casas ali.

De acordo com a assessoria de imprensa da prefeitura de Niterói, os acessos ao morro do Céu já foram interditados e as famílias serão retiradas do local "em breve".

  Os moradores do local, no entanto, também resistem em deixar suas casas por medo de que seus pertences possam ser roubados e reclamam de falta de garantias por parte do governo.

231 mortos
Outros dois corpos foram retirados na tarde desta segunda-feira (12) do morro dos Prazeres, no bairro de Santa Tereza, região central do Rio de Janeiro. Com isso, o número de mortes confirmadas pelo Corpo de Bombeiros sobe para 231--146 mortes em Niterói, sendo 37 no morro do Bumba, 65 no Rio, 16 em São Gonçalo, uma em Petrópolis, uma em Nilópolis, uma em Paracambi e uma em Magé. O número de vítimas, entre mortos e feridos, chega a 392.

Segundo a Associação dos Registradores de Pessoas Naturais do Estado do Rio de Janeiro (Arpenrj), pelo menos 54 pessoas ainda estão desaparecidas no morro do Bumba, em consequência do deslizamento de terra ocorrido na noite do último dia (7). De acordo com o presidente da Apenrj, Cláudio Almeida, foram cruzadas as listas dos mortos já identificados e as informações dos vizinhos e parentes sobre desaparecidos, além das de um cadastro que havia do Programa de Saúde da Família (PSF) da prefeitura de Niterói, com o nome dos moradores de cada residência.

Falta sangue
A Secretaria Municipal de Saúde e Defesa Civil do Rio de Janeiro voltou a pedir nesta segunda-feira (12) que a população doe sangue. O estoque de sangue do Hemorio, que abastece cerca de 180 hospitais do Estado e as unidades de saúde da cidade, está muito baixo.

A situação foi agravada pelas fortes chuvas que atingiram o Rio de Janeiro e provocaram centenas de feridos.

A doação pode ser feita a qualquer hora, em qualquer um dos dez centros espalhados pela cidade. Para doar sangue é preciso ter entre 18 e 65 anos, pesar mais de 50 quilos, estar em boas condições de saúde, não ter ingerido bebida alcoólica nas últimas 24 horas e não fazer parte do grupo de risco de doenças sexualmente transmissíveis e usuários de drogas. Confira os centros de doação de sangue no Rio

*Com informações da Agência Brasil

Veja as cidades do Rio de Janeiro que registraram mortes

 

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