Sobe para 231 o número de mortos devido às chuvas no RJ

Do UOL Notícias
Em São Paulo

Atualizada às 18h41

Outros dois corpos foram retirados na tarde desta segunda-feira (12) do morro dos Prazeres, no bairro de Santa Tereza, região central do Rio de Janeiro. Com isso, o número de mortes confirmadas pelo Corpo de Bombeiros sobe para 231--146 mortes em Niterói, sendo 37 no morro do Bumba, 65 no Rio, 16 em São Gonçalo, uma em Petrópolis, uma em Nilópolis, uma em Paracambi e uma em Magé. O número de vítimas, entre mortos e feridos, chega a 392.

Segundo a Associação dos Registradores de Pessoas Naturais do Estado do Rio de Janeiro (Arpenrj), pelo menos 54 pessoas ainda estão desaparecidas no morro do Bumba, em consequência do deslizamento de terra ocorrido na noite do último dia (7).  De acordo com o presidente da Apenrj, Cláudio Almeida, foram cruzadas as listas dos mortos já identificados e as informações dos vizinhos e parentes sobre desaparecidos, além das de um cadastro que havia do Programa de Saúde da Família (PSF) da prefeitura de Niterói, com o nome dos moradores de cada residência.

“Os médicos de família têm a localização de onde era a casa dessas pessoas. É possível que [em alguns casos] todos os familiares tenham morrido. Por isso, não estão sendo reclamados”, explicou Cláudio.

Desabrigados e desalojados
De acordo com a Secretaria Municipal de Saúde e Defesa Civil, a cidade do Rio ainda tem cerca de 5.000 desalojados e desabrigados distribuídos em 64 abrigos da prefeitura. Em Niterói, são 7.000 pessoas abrigadas 90 pontos providenciados pelo governo municipal para receber as vítimas da chuva. A estimativa do Corpo de Bombeiros é de que 11.500 pessoas estão desabrigadas no Estado e mais de 40.400 desalojadas na casa de amigos e parentes.

As cidades do Rio e Niterói arrecadaram até o momento mais de 140 toneladas de donativos para os desabrigados das chuvas.

A Prefeitura do Rio de Janeiro informou nesta segunda-feira (12) que vai arcar com as despesas da compra de imóveis para as cerca de 3.700 famílias que moram em áreas de risco na cidade e que terão de ser reassentadas. Segundo o prefeito Eduardo Paes, essas famílias deverão ser realocadas em unidades habitacionais construídas pelo Programa Minha Casa, Minha Vida, do governo federal, mas custeadas pelo município.

As 3.700 famílias moram em nove favelas cariocas. A maior parte das remoções já previstas ocorrerá no morro dos Prazeres, na zona norte da cidade, onde dezenas de pessoas morreram soterradas durante as chuvas da semana passada. Cerca de mil famílias serão retiradas desta área.

Enquanto as unidades habitacionais estão sendo construídas, as famílias receberão um aluguel social no valor de R$ 400, pago pela prefeitura do Rio.

Bondinho continua fechado

As obras de contenção no Parque Nacional da Tijuca para desobstruir os acessos e garantir a segurança no local após deslizamentos de terra devem durar seis meses e incluem a estrada de ferro do Corcovado, onde a circulação do trem está paralisada desde o dia 7

Resistência
No morro dos Prazeres, os moradores permanecem em áreas onde cerca de 400 casas foram interditadas pela Defesa Civil. Muitos resistem à ideia de ir para um abrigo montado pela prefeitura. A comunidade de 7.000 habitantes foi a mais afetada na capital fluminense após as fortes chuvas dessa semana. No local, já foram encontrados 30 corpos que estavam soterrados em virtude do deslizamento de terra ocorrido na manhã de terça-feira (6).

O governador do Rio, Sérgio Cabral (PMDB), também afirmou durante o fim de semana que determinou a retirada "imediata" dos moradores do morro do Céu, lixão em Niterói vizinho ao morro do Bumba, que também corre risco de desabamento. Segundo ele, o governo aproveitará um Termo de Ajustamento de Conduta firmado há cinco anos entre o Ministério Público Estadual e a Prefeitura de Niterói para desapropriar cerca de 200 casas ali.

De acordo com a assessoria de imprensa da prefeitura de Niterói, os acessos ao morro do Céu já foram interditados e as famílias serão retiradas do local "em breve".

Os moradores do local, no entanto, também resistem em deixar suas casas por medo de que seus pertences possam ser roubados e reclamam de falta de garantias por parte do governo.

Ajuda federal
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva declarou hoje que o governo federal fará “tudo o que for necessário” para ajudar o Rio de Janeiro após os temporais que atingiram o Estado na semana passada. Em seu programa semanal Café com o Presidente, Lula acusou governos anteriores de terem “responsabilidade” na tragédia, ao permitirem que as pessoas morassem em áreas consideradas de risco.

“Tudo o que poderia ser evitado no começo as pessoas deixaram – certamente por conta da política”, afirmou o presidente. 

Ele destacou a liberação, por medida provisória, de R$ 200 milhões para socorrer o Estado, mas lembrou que a chuva precisa parar para que o levantamento dos prejuízos seja feito. “Eu agora só posso dizer que o povo brasileiro está entristecido com o que aconteceu no Rio de Janeiro e pedindo a Deus, rezando muito, para que pare de chover e o Rio possa voltar à normalidade”.

*Com informações da Agência Estado e da Agência Brasil

Veja as cidades do Rio de Janeiro que registraram mortes

 

Receba notícias do UOL. É grátis!

Facebook Messenger

As principais notícias do dia pelo chatbot do UOL para o Facebook Messenger

Começar agora

Receba por e-mail as principais notícias, de manhã e de noite, sem pagar nada. É só deixar seu e-mail e pronto!

UOL Cursos Online

Todos os cursos