Na mira da chuva, Piauí restringe distribuição de cesta básica com medo de uso eleitoral

Arthur Guimarães
Do UOL Notícias
Em São Paulo

Provável destino das chuvas que hoje castigam o Nordeste, o Piauí se prepara para o mau tempo dos próximos dias com uma medida polêmica para evitar o desvio das cestas básicas que tradicionalmente são distribuídas para as vítimas de enchentes.

Como explica Jorge Nei Moraes, diretor da Defesa Civil do Piauí, as reservas emergenciais de mantimentos estão sendo distribuídas com um controle acima da média para evitar mau uso dos produtos e utensílios de higiene neste ano eleitoral. “Temos um estoque de segurança, mas estamos mandando para os municípios apenas quando há um pedido oficial por decreto do prefeito”, explica.

Segundo ele, neste momento “seria delicado” descentralizar a entrega das cestas básicas em postos no interior do Estado. “Não é um bom momento para incentivarmos a distribuição, já que existe a possibilidade de políticos fazerem uso político dessa ajuda, que pode nunca chegar nas pessoas mais necessitadas”, assume Moraes. Atualmente, segundo ele, a situação no Piauí é de normalidade. Apenas 12 famílias estão sem abrigo, na região de Barras. “Até agora, a vazão do rio Parnaíba está controlada. Estamos acompanhando a evolução do tempo para tomar as medidas apropriadas.”

Moraes argumenta que, já que os prejuízos das chuvas são sentidos este ano principalmente pelos moradores da zona rural do Piauí, a proposta é incluir as vítimas em programas de incentivos agrícolas. “Estamos em diálogo com o governo federal para dar a essas pessoas as chamadas Bolsa Safra ou Bolsa Estiagem. É uma forma de driblar os ‘espertinhos’ e ainda gerar renda”, disse ele, avisando que em casos extremos as cestas básicas seriam liberadas. “Se precisar mesmo, vamos mandar.”

Outros Estados
Hoje, morreu uma nova vítima dos temporais no Sergipe. Uma senhora teve um ataque cardíaco em São Cristóvão quando sua casa começou a encher com água. Com a fatalidade, o Estado totaliza 2 mortos por causas relacionadas às chuvas. Além disso, cerca de 3 mil pessoas estão fora de suas casas no Sergipe, entre desabrigados e desalojados. “Em Aracaju, por exemplo, a média histórica de chuvas é de 210 mm em abril. Neste ano, em 13 dias já tivemos 380 mm.”

Na Bahia, a Coordenação de Defesa Civil do Estado da Bahia (Cordec), órgão vinculado à Secretaria de Desenvolvimento Social e Combate à Pobreza (Sedes), explicou que, de fevereiro deste ano até hoje, 11 municípios enviaram decretos de situação de emergência, sendo que sete (Apuarema, Itagimirim, Itanhem, Itapetinga, Mederos Neto, Nova Viçosa e Teolândia) já foram homologados pelo Estado e outros três (Vensceslau Guimarães, Gandu e Rui Barbosa) encontram-se ainda em tramitação, mas já com parecer favorável.

Outros dez municípios (Prado, Maraú, Lauro de Freitas, Itamarajú, Feira de Santana, Ilhéus, Cícero Dantas, Vera Cruz, Madre de Deus e Simões Filho) decretaram situação de emergência, mas ainda não juntaram os documentos para formação do processo de homologação. Portanto, são 21 municípios com decretos de situação de emergência em vigor em todo o Estado.

Até agora, são quatro os registros de morte no Estado. Um no município de Prado, em virtude de choque elétrico em rede clandestina de energia, outro em Feira de Santana por afogamento. Em Teolândia, uma pessoa foi atingida por um raio e, em Camaçari, outra faleceu devido à queda de uma árvore. Existem 36 registros de pessoas levemente feridas em todo o Estado.

Previsão
Como diz Olivia Nunes, meteorologista do Somar, a frente fria que atingiu o Sudeste na última semana ficou “estacionada” na região norte da Bahia de sexta-feira (9) até domingo, causando muitas chuvas. “A frente fria puxou a umidade que vem da região Norte do país. Além disso, a água aquecida ajudou a fazer com que as tempestades fossem mais intensas ainda”, disse.

Hoje, no entanto, a frente fria seguiu para alto mar. “Mas continua chovendo por conta da proximidade da zona de convergência intertropical, área que oscila perto da linha do Equador conhecida pela instabilidade e nuvens carregadas”, afirma. Nos próximos dias, como ela conta, a tendência é que pare de chover forte no Nordeste e o foco dos temporais passe a ser os Estados do Maranhão e Piauí.
 

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