Polícia cumpre mandados de busca e apreensão contra padres acusados de pedofilia em AL

Carlos Madeiro
Especial para o UOL Notícias

Em Maceió

A Polícia Civil de Alagoas cumpriu quatro mandados de busca e apreensão na tarde desta terça-feira (13) em três residências e uma casa paroquial no município de Arapiraca (a 140 km de Maceió). Os mandados foram expedidos pelo juiz da 8ª Vara Criminal e Execução Penal de Arapiraca, John Silas, a pedido das delegadas Bárbara Arraes e Maria Angelita, que investigam as denúncias de pedofilia envolvendo dois monsenhores e um padre no município.

Foram apreendidos computadores, documentos e fotos nos quatro locais de investigação. Todo o material deve ser enviado nesta quarta-feira (14) para o Instituto de Criminalística de Alagoas, que ficará responsável pela perícia dos objetos.

Segundo Bárbara Arraes, os mandados foram cumpridos nas três casas onde os religiosos moram e na casa paroquial Nossa Senhora do Carmo, que era comandada pelo monsenhor Luiz Marques Barbosa, 82, flagrado em um vídeo fazendo sexo com um adolescente. Além dele, a polícia também foi às casas do monsenhor Raimundo Gomes Nascimento e do padre Edilson Duarte.

O padre Enaldo da Mota também é acusado de integrar o esquema de abuso sexual a coroinhas, mas é investigado em um inquérito isolado instaurado pela delegacia de Feira Grande, onde ele era responsável pela paróquia. Os quatro párocos foram afastados pela igreja até a conclusão das investigações.

A delegada informou que não houve resistência por parte dos acusados e todos os mandados foram cumpridos sem problemas. “No momento da operação, apenas o monsenhor Raimundo estava em casa, mas ele não ofereceu resistência”, disse, sem especificar nenhum detalhe sobre o material apreendido. “O inquérito corre em segredo de Justiça”, complementou.

Segundo ela, ainda não há data para a conclusão do inquérito, que será encaminhado ao Ministério Público Estadual. “Temos ainda algumas testemunhas a ouvir e vamos analisar esse material apreendido. Todos os acusados serão interrogados apenas no final da investigação, após termos a maior quantidade de informações”, afirmou a delegada.

Nesta sexta-feira (16), os integrantes da CPI da Pedofilia devem chegar a Arapiraca para ouvir 17 pessoas. Entre os convocados estão os párocos acusados, 12 vítimas e testemunhas e as duas delegadas que estão à frente das investigações.

Para Bárbara Arraes, a presença da CPI pode ajudar nas investigações. “Qualquer apoio é importante, até porque quando mais pessoas investigam, mais olhos existem para analisar tudo. Acho que será importante”, disse.

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