Bombeiros confirmam 251 mortes devido às chuvas no RJ

Do UOL Notícias
Em São Paulo

Atualizada às 16h40

Segundo o último balanço divulgado pelo Corpo de Bombeiros no início da tarde desta quarta-feira (14), subiu para 251 o número de mortes confirmadas em todo o Estado do Rio de Janeiro devido às chuvas da semana passada-- 165 mortes em Niterói, 66 no Rio, 16 em São Gonçalo, uma em Petrópolis, uma em Nilópolis, uma em Paracambi e uma em Magé. De acordo com os bombeiros, um corpo foi encontrado soterrado em um deslizamento ocorrido no bairro do Andaraí, no Rio, e o outro, também vítima de um deslizamento de terra, no bairro 340 em Niterói. O número de vítimas, entre mortos e feridos, chega a 412.

Os bombeiros informaram ainda que não há previsão para que as buscas sejam encerradas no morro do Bumba, onde na noite da última quarta-feira (7) ocorreu um deslizamento de terra, que matou dezenas de pessoas. Segundo eles, o trabalho está baseado no relato de moradores e não dá para saber ao certo quantas pessoas estão soterradas na área. De acordo com a Associação dos Registradores de Pessoas Naturais do Estado do Rio de Janeiro (Arpenrj), cerca de 40 pessoas ainda estão soterradas no local. 

O presidente da Apenrj, Cláudio Almeida, informou que nos últimos dias alguns vizinhos que estavam na lista de desaparecidos começaram a voltar ao local do deslizamento após o choque. Um novo balanço deve ser divulgado ainda na tarde de hoje.

De acordo com Almeida, o levantamento com o número de desaparecidos no morro do Bumba é feito a partir do cruzamento entre a lista dos mortos já identificados e as informações dos vizinhos e parentes sobre desaparecidos, além das de um cadastro que havia do Programa de Saúde da Família (PSF) da prefeitura de Niterói, com o nome dos moradores de cada residência.

Vítimas
A Prefeitura de Niterói, município mais atingido com as chuvas no Rio, divulgou nesta quarta-feira um levantamento feito pela Defesa Civil indicando que há  130 pontos de deslizamento iminente na zona norte da cidade, principalmente nos bairros Santa Bárbara e Caramujo.

De acordo com a Secretaria Municipal de Saúde e Defesa Civil, a cidade do Rio ainda tem cerca de 5.000 desalojados e desabrigados distribuídos em 64 abrigos da prefeitura. Em Niterói, são quase 7.000 pessoas abrigadas em 100 pontos providenciados pelo governo municipal para receber as vítimas da chuva.

O governador do Rio, Sérgio Cabral (PMDB), anunciou nesta quarta-feira a compra de três terrenos do Exército para a construção de unidades habitacionais destinadas a famílias retiradas de áreas de risco. Ele, no entanto, não informou a data da compra ou determinou quantas casas serão construídas nos locais.

O governador assinou ontem o decreto que cria o Programa Morar Seguro e estabelece a remoção de famílias de área de risco.

De acordo com o decreto, as prefeituras que aderirem ao programa devem identificar as áreas de risco em seus municípios e classificá-las em três categorias: área verde (baixo risco); área amarela (médio risco); e área vermelha (alto risco). As pessoas que residem nas áreas consideradas de alto risco devem sair imediatamente de suas casas. No caso de recusa, a retirada poderá ser feita pela polícia.

A estimativa do governador é que, com o programa, 10 mil unidades habitacionais sejam construídas em todo o Estado.

O decreto estabelece que o Estado removerá pessoas de áreas de risco e pagará aluguel social a elas enquanto não houver unidades habitacionais disponíveis para o reassentamento. O Governo do Estado destinará R$ 1 bilhão do espaço fiscal relativo a 2009 para a construção de imóveis populares.

“Este é um problema de todos nós. Os municípios que aderirem terão prioridades. Uma chuva pode causar um transtorno, mas perder a vida é inadmissível. Este é um decreto que envolve as secretarias de Habitação, Saúde e Defesa Civil, Ambiente, Obras e os municípios”, disse Cabral.

Vistorias no Rio
A Geo-Rio (Fundação Instituto de Geotécnica do Rio) informou nesta quarta-feira que técnicos estão realizando mais de  800 vistorias em decorrência das fortes chuvas da semana passada na cidade do Rio. Segundo o órgão, nem todos esses pontos foram atingidos por deslizamentos, mas isso só é verificado durante a inspeção.

Ainda não há um balanço preliminar sobre essas avaliações. Serão investidos mais de R$ 80 milhões --da Prefeitura do Rio e do Governo Federal-- em intervenções nos locais mais atingidos pelas chuvas.

Prejuízo e frustração
Atualmente, diversas barreiras impedem o acesso ao Cristo Redentor e ao Parque Nacional da Tijuca , dois importantes pontos turísticos da capital fluminense. Trinta homens da Guarda Municipal trabalham das 8h às 16h para desobstruir as vias interditadas, além de 12 funcionários do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio).

“Só no acesso ao Cristo pela estrada das Paineiras, contamos mais de 40 deslizamentos. A desobstrução não significa a reabertura do parque para a visitação”, relatou o comandante Zacarias Barbosa, do Grupo de Defesa Ambiental da Guarda Municipal.

A partir desta quarta-feira (14), a Secretaria Municipal de Obras e Conservação e a Companhia de Limpeza Urbana (Comlurb) também atuarão na limpeza e desobstrução da área, para que engenheiros da Geo-Rio possam fazer uma análise das encostas e avaliar as condições de risco.

Além do Cristo Redentor, o Parque Nacional da Tijuca abrange outros pontos turísticos, como a Vista Chinesa, a Mesa do Imperador e a própria Floresta da Tijuca.

Duas turistas inglesas, vindas de Londres, optaram por aproveitar o dia nas areias de Copacabana. Mas não sem reclamar da impossibilidade de ver o Cristo: “Estamos muito frustradas. Me arrependo de ter vindo ao Rio”, disparou uma delas.

Assistência jurídica
A Defensoria Pública do Estado do Rio de Janeiro informou nesta terça-feira (13) que grupos formados por defensores públicos, estagiários e funcionários de apoio darão atendimento jurídico às pessoas desabrigadas que ainda se encontram nas comunidades afetadas por desabamentos.

Segundo a assessoria de imprensa da Defensoria Pública, nesta quarta-feira (14) a comunidade Sítio da Amizade, na Cidade de Deus, está recebendo atendimento desde as 11h; no morro dos Prazeres, os moradores serão atendidos a partir das 16h.

Na sexta-feira (16), 50 famílias do morro dos Macacos - avenida Vinte e Oito de Setembro 406, sala 2, Vila Isabel - serão atendidas das 13h30 às 18h.

O órgão também está recebendo doações na Fundação Escola Superior da Defensoria Pública do Estado do Rio de Janeiro - avenida Marechal Câmara 314, 4º andar. As doações podem ser feitas de segunda a sábado. Confira outros locais onde doar .

 *Com informações do repórter Daniel Milazzo, no Rio de Janeiro, e da Folha Online

Veja as cidades do Rio de Janeiro que registraram mortes

 

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