Polícia investiga responsável por troca de bebês em hospital de Goiânia

Luiz Felipe Fernandes
Especial para o UOL Notícias

Em Goiânia

Um ano depois de dar à luz, uma vendedora de 22 anos que vive em Goiânia descobriu, por meio de exame de DNA, que o menino que ela cria não é seu filho. A mãe, que pediu para não ter o nome divulgado, alega que teve o bebê trocado no hospital e denunciou o caso à Delegacia de Proteção à Criança e ao Adolescente (DPCA).

Para tentar localizar o filho biológico, a polícia acionou o Hospital Santa Lúcia, no bairro de Campinas, que já providenciou o exame de DNA de um bebê que também nasceu no dia 25 de março de 2009. O menino é criado por uma família no interior de Terezópolis, região metropolitana de Goiânia. “Eles (essa família) nunca desconfiaram de nada, mas concordaram em fazer o exame para esclarecer qualquer dúvida”, afirma a delegada Adriana Accorsi, responsável pelo inquérito.

Segundo a polícia, a principal suspeita recai sobre uma técnica de enfermagem que não trabalha mais no hospital. No fim de 2008, ficou constatado que ela foi a responsável pela troca de outros dois bebês. Na época, os pais desconfiaram do erro, denunciaram o caso à polícia e os recém-nascidos foram entregues para as respectivas famílias com 21 dias de vida. “Ela pode ter cometido o erro pela segunda vez”, diz a delegada.

A mulher fazia parte da equipe que fez o parto da vendedora, quatro meses depois desse episódio, e deve ser ouvida na delegacia. O hospital se restringiu a divulgar uma nota, em que afirma que comunicou o fato à polícia assim que ficou sabendo da possibilidade de erro e que tem prestado todos os esclarecimentos solicitados pela investigação.

A delegada acredita que a troca não foi intencional. “Me parece ter sido negligência da enfermeira, mas tudo vai ser apurado.” Ela esclarece que, caso fique comprovado que o outro bebê está com a família biológica, será feito um terceiro exame de DNA com outra criança que nasceu no mesmo dia, embora já se saiba que ela é fisicamente muito diferente do bebê que foi trocado.

Desconfiança
Segundo a vendedora, as diferenças físicas da criança sempre foram motivo de desconfiança por parte do ex-marido. O menino tem pele e cabelos claros, ao contrário dos pais, que são morenos. Ela conta que um dos motivos da separação foram as acusações de infidelidade feitas depois que o menino nasceu. “Fui muito humilhada, principalmente pela família dele”, relata.

Apesar dos transtornos, ela conta que só no fim do mês passado, por insistência da mãe, decidiu fazer o exame de DNA. Fabiano Dias, advogado da vendedora, disse que estuda a possibilidade de cobrar na Justiça indenização por danos morais.

De acordo com o advogado, mesmo com a descoberta do verdadeiro filho, a mãe já manifestou a vontade de continuar criando a mesma criança. Mas a delegada Adriana Accorsi explica que, pela legislação, a prioridade é que a criança fique com a família biológica. “A troca tem de ser feita”, conclui.

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