Zulmair Rocha/UOL

Chuvas

Turistas se frustram com interdição do Cristo Redentor; não há previsão para reabertura dos acessos

Daniel Milazzo
Especial para o UOL Notícias

No Rio de Janeiro

Os termômetros marcavam 30ºC na ensolarada tarde de terça-feira (13) no Rio de Janeiro. Seria um dia perfeito para observar a cidade do alto, não fossem os estragos causados pelas fortes chuvas da semana passada: todos os acessos ao Cristo Redentor e ao Parque Nacional da Tijuca estão fechados devido a deslizamentos. Segundo a Secretaria Municipal de Turismo, não há previsão para a reabertura.

Duas turistas inglesas, vindas de Londres, optaram por aproveitar o dia nas areias de Copacabana. Mas não sem reclamar da impossibilidade de ver o Cristo: “Estamos muito frustradas. Me arrependo de ter vindo ao Rio”, disparou uma delas.

Por outro lado, a francesa Patrícia Salasc, 47, salienta que o Rio de Janeiro é muito mais do que o Cristo Redentor. “Vamos aproveitar para conhecer outras coisas, ir ao Pão de Açúcar, Jardim Botânico. E o Rio é muito mais do que apenas a praia e as belas paisagens. Aliás, você tem uma boa dica de onde podemos encontrar samba?”, perguntou a francesa de Montpellier. Sua filha, Júlia, 22, apesar de não estar arrependida da visita, dizia estar um pouco chateada de não poder conhecer o famoso monumento.

Na terça-feira, pelo menos 283 barreiras impediam o acesso ao Cristo e ao Parque Nacional da Tijuca. Trinta homens da Guarda Municipal trabalham das 8h às 16h para desobstruir as vias interditadas, além de 12 funcionários do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio).

“Só no acesso ao Cristo pela estrada das Paineiras, contamos mais de 40 deslizamentos. A desobstrução não significa a reabertura do parque para a visitação”, relatou o comandante Zacarias Barbosa, do Grupo de Defesa Ambiental da Guarda Municipal.

A partir desta quarta-feira (14), a Secretaria Municipal de Obras e Conservação e a Companhia de Limpeza Urbana (Comlurb) também atuarão na limpeza e desobstrução da área, para que engenheiros da Geo-Rio possam fazer uma análise das encostas e avaliar as condições de risco.

Além do Cristo Redentor, o Parque Nacional da Tijuca abrange outros pontos turísticos, como a Vista Chinesa, a Mesa do Imperador e a própria Floresta da Tijuca.

Estação vazia
Na rua Cosme Velho, a estação de trem que leva passageiros até o alto do Corcovado está fechada e vazia. À exceção de um ou outro turista esperançoso. O casal Claas e Solange Hinrichs – ele, alemão, ela, brasileira – deparou-se com o cadeado na grade da estação. “Era um sonho conhecer o Cristo. Ficamos um pouco decepcionados”, confessou a brasileira.

Para Lídia Castro, 22, publicitária, esta é a primeira vez na cidade maravilhosa. Natural de Fortaleza (CE), ela ficará uma semana na capital. “Claro que vai ficar um vazio de vir ao Rio de Janeiro e não conhecer o Cristo. Era a melhor coisa”, lamentou.

Rosane Lucas, do JW Marriott, hotel localizado na avenida Atlântica, na zona sul, costumava sugerir a visita ao monumento àqueles hóspedes que dispunham de pouco tempo para conhecer a cidade. “Os hóspedes ficam muito insatisfeitos ao saber que não dá pra subir no Cristo. Ficam desapontados, e alguns até irritados, achando que a culpa é nossa.”

Taxistas somam prejuízos
Ao lado da estação do trem que sobe o Corcovado, um grupo de taxistas se reunia à sombra, aparentemente sem ter muito que fazer. Eles estimam que o movimento tenha caído em 80% desde a suspensão das atividades do trem, há uma semana.

Cada taxista deixou de fazer entre 10 e 15 corridas por dia. Jovenil da Silva Nogueira, 59, é taxista desde 1983 e está aflito. “Setenta por cento de nossa renda vem dos turistas que descem do Cristo. É difícil, mas pelo menos estamos com vida”, disse o taxista.

Jovenil é morador da região e perdeu três parentes em virtude de deslizamentos na comunidade do Cerro Corá, na subida do Corcovado, após as fortes chuvas da semana passada.

Cidade continua de braços abertos, diz secretário
De acordo com o secretário municipal de Turismo do Rio, Antônio Pedro Figueira de Mello, o fechamento provisório de uma das Sete Maravilhas do Mundo não é tão preocupante.

“Estamos todos chateados, mas o Rio é uma cidade abençoada e possui diversos cartões postais. Todos os outros turísticos estão funcionando a todo vapor.”

Mello ressalta que a tragédia da semana passada não teve impacto no turismo da capital fluminense.

“Não vamos deixar que turistas saiam insatisfeitos daqui, queremos que eles sintam vontade de retornar. A população dá demonstrações de solidariedade e o Rio está se recuperando. A cidade continua de braços abertos”, conclui o secretário.

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