IML de Maceió libera corpo errado, e família percebe troca apenas no velório

Carlos Madeiro
Especial para o UOL Notícias

Em Maceió

A família do jovem José André do Nascimento Silva, 21, assassinado na noite desta quarta-feira (14), em Messias (AL), na região metropolitana de Maceió, tomou um susto quando recebeu seu corpo para o velório, na tarde desta quinta-feira (15). Ao abrir o caixão, parentes e amigos viram que o corpo liberado pelo IML (Instituto Médico Legal) de Maceió não era o de José André.

Ao perceber o equívoco, os familiares voltaram até o IML para tentar desfazer a troca. Mas ao chegarem ao local tiveram outra surpresa: o corpo do jovem não estava mais no instituto. Sem corpo, o enterro marcado para o fim desta tarde teve de ser adiado.

Segundo familiares, a confusão teve início na manhã de hoje quando a mãe, Cícera Maria do Nascimento, e o amigo da vítima, Marcos Silva, foram até o IML para realizarem apenas os procedimentos de liberação, já que o corpo tinha sido identificado – o jovem deu entrada no hospital e no instituto com os documentos de identidade. Como a mãe alegou estar muito abalada, coube ao amigo a tarefa de confirmar que o cadáver era do rapaz.

“Quando chegamos lá só tinham dois corpos e esse [corpo levado por engano] que ele me mostrou era muito parecido com o meu amigo, e eu disse que era ele”, afirmou. Apesar de ter dado entrada com os documentos, como relata o livro de registro do IML, os funcionários exibiram o corpo errado.

Diante dos equívocos, Marcos afirmou que vai iniciar uma busca pelas demais famílias que retiraram corpos nesta quinta-feira e descobrir onde foi parar o cadáver de seu amigo de infância. “Vamos atrás, pedir para ver fotos desses mortos, porque esse corpo tem uma tatuagem escrito ‘Jane’ no braço. Então, vai ser mais fácil saber. Vou procurar essas pessoas a partir de agora e saber quem pegou o corpo dele”, afirmou.

Se para Marcos o corpo tinha fisionomia parecida com a de José André, para a mãe, havia diferenças marcantes entre os dois. “Logo que chegou e abriram o caixão vi que não era meu filho. André não tinha bigode, nem tatuagem. Na mesma hora mandei voltar para o IML porque eu quero meu filho verdadeiro”, relatou.

Cícera disse que, se necessário, vai fazer uma mobilização para encontrar o corpo do filho. “Quero fazer o velório do meu filho. Isso não pode ficar assim. Se alguma família enterrou, vai ter que desenterrar e me dar o corpo, porque é meu direito enterrar ele”, desabafou.

De acordo com um funcionário do IML, que não quis se identificar, a suspeita é de que o corpo de José André tenha sido trocado por outro de um jovem da mesma idade e também assassinado a tiros. Ele, porém, não soube explicar como a troca pode ter acontecido, já que todos os corpos sempre recebem etiquetas. Até o momento, nenhuma outra família procurou o IML para reclamar uma suposta troca de corpos.

O diretor do instituto de Maceió, Gerson Odilon, confirmou ao UOL Notícias a possível confusão e afirmou que vai apurar o caso. “Nesta sexta-feira vamos realizar o exame de impressão digital e sabermos primeiro de quem é esse corpo que a família levou. A informação que tive é que o corpo foi reconhecido pela família antes de ser liberado, e que todos que estavam no IML no momento que a família foi lá também estavam identificados”, afirmou.

Odilon disse ainda que estava tentando um contato com o médico-legista de plantão no horário para saber se houve a identificação técnica do corpo de José André. “Não consegui falar com ele ainda para ele me dar a resposta”, disse o diretor do IML, às 20h50 desta quinta-feira.

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