Voos no Brasil sofrem riscos permanentes com fumaça de queimadas, afirmam especialistas

Talita Boros
Do UOL Notícias
Em São Paulo

Assim como a nuvem de cinzas vulcânicas produzida por uma erupção na Islândia que fechou diversos aeroportos na Europa, incluindo todos os do Reino Unido, os voos comerciais no Brasil também sofrem riscos permanentes com a fumaça produzida pelas queimadas promovidas com o intuito de renovar a pastagem em algumas regiões do país.

Nuvem vulcânica chega à Europa:

Segundo o brigadeiro Allemander Pereira, especialista em segurança de voo e ex-diretor da Anac (Agência Nacional da Aviação Civil), as nuvens produzidas pelas queimadas também têm potencial para causar panes nos motores das aeronaves. “Nuvens com partículas sólidas, assim como as vulcânicas ou de gelo, causam estrago no motor. As de fumaça de queimadas possuem muitas cinzas e também são muito perigosas”, disse em entrevista ao UOL Notícias.

Para o diretor em segurança de voo do Sindicato Nacional dos Aeronautas, Carlos Camacho, o maior problema das colunas de fumaça produzidas pelas queimadas, é que elas afetam a visibilidade de pilotos e controladores de voo de aeroportos. “Esse tipo de nuvem incomoda muito no pouso e decolagem das aeronaves”, explicou.

Apesar de concordar que nuvens de queimada complicam pousos e decolagens, Camacho destaca que nada pode ser tão perigoso para voos comerciais e militares que cortinas de fumaça produzidas por vulcões, como a desta quinta-feira, ou tempestades de areia. “As vulcânicas chegam a grandes altitudes e carregadas com fragmentos de minérios que viram uma lixa dentro dos motores dos aviões.”

Nas últimas décadas, dois incidentes com cinzas provocadas por erupções ficaram mundialmente famosos.

Em 1981, um Boeing 747 da British Airways tentou ultrapassar uma nuvem de cinzas vulcânicas na Indonésia e os quatro motores da aeronave pararam de funcionar. O piloto teve que fazer um pouso de emergência e os 248 passageiros e 15 tripulantes saíram ilesos. Algo parecido aconteceu em 1989 com um avião da companhia holandesa KLM que seguia de Amsterdã para o Alasca e sobrevoou a zona de erupção do Monte Redoubt. Os motores da aeronave só puderam ser religados após a cortina de fumaça ser ultrapassada.

Na opinião do brigadeiro Allemander, o cancelamento de 15% dos voos na Europa foi a atitude mais prudente que poderia ser tomada pelas autoridades da aviação. “Seria extremamente perigoso o contrário”, disse.


Vulcão

O vulcão em Eyjafjallajokull está entre os maiores da Islândia e é um dos poucos do país que pode ser classificado como estratovulcão, um tipo muito comum no resto do mundo, formado por camadas. Ele tem 1.660 metros de altura e, a partir dos 900 metros, é coberto por gelo.

A última erupção na geleira de Eyjafjallajoekull aconteceu em1821 e durou dois anos. A atividade de hoje provocou uma enchente, resultante do derretimento da geleira e cerca de 800 pessoas foram evacuadas de suas casas nesta quinta-feira (15).

O professor islandês de geofísica Magnus Tumi Gudmunsson afirma que não é possível dizer quanto tempo a nova nuvem de cinzas vai durar. "É muito variável. Pode ir de vários dias a mais de um ano. Mas se considerarmos a intensidade desta, pode durar muito tempo".

Para Dave Rothery, especialista em vulcões na Open University do Reino Unido, a situação deve se acalmar. "Não acho que a erupção acabou, teremos mais questões ligadas à lava (expelida pelo vulcão), o que vai ser bom para os turistas. Duvido que ocorra outra grande explosão, duvido que haja alguma outra enchente. Se a erupção continuar do jeito que está, acho que o pior já passou", disse. 

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