Advogado de pichador do Cristo acredita em condenação apenas por crime ambiental

Daniel Milazzo
Especial para o UOL Notícias

No Rio de Janeiro

  • Marco Antônio Teixeira/Agência O Globo

    O pintor Paulo Souza dos Santos, 28, (de branco) um dos autores das pichações no Cristo Redentor, uma das sete maravilhas do mundo

    O pintor Paulo Souza dos Santos, 28, (de branco) um dos autores das pichações no Cristo Redentor, uma das sete maravilhas do mundo

Após três horas de depoimento na Delegacia de Proteção ao Meio Ambiente (DPMA) no bairro de São Cristóvão, zona norte do Rio de Janeiro, nesta quinta-feira (22) o homem acusado de pichar a estátua do Cristo Redentor na madrugada da quinta-feira da semana passada foi liberado.

O pintor Paulo Souza dos Santos, 28, chegou ao local por volta das 11h acompanhado do cantor Waguinho, do pastor evangélico Marcos Pereira e do advogado Alexandre Magalhães Braga.

De acordo com Braga, o acusado se mostrou muito arrependido perante a delegada Juliana Emerique de Amorim, titular da DPMA. Católico, pai de um filho, Santos reiterou em depoimento não ter tido a intenção de profanar a imagem de Cristo ou ultrajar a religião cristã.

No depoimento, ele confirmou a participação de Edmar Batista de Carvalho, o Zabo, na pichação. Santos também fez um pedido formal de desculpas à sociedade fluminense e à arquidiocese do Rio de Janeiro. A delegada deve agora finalizar a investigação e enviar o relatório final à Justiça Criminal.

O advogado justifica que, por ser réu primário, ter residência fixa e ter se apresentado espontaneamente à polícia, o acusado deve ser condenado apenas pelo crime ambiental de pichação, com pena prevista de seis meses a um ano. Braga acredita que, a princípio, Santos não será indiciado pelos crimes de formação de quadrilha nem injúria por discriminação.

“Não foi um ato de discriminação religiosa, foi um protesto em relação aos casos de pessoas desaparecidas”, declara o advogado, que garantiu acompanhar o caso até sua conclusão. Santos informou à polícia que a intenção inicial era escrever mensagens numa faixa e pendurá-la, mas não encontrou nenhuma quando chegou ao Cristo.

Na última terça-feira à noite, Paulo procurou a igreja evangélica Assembleia do Deus dos Últimos Dias (ADUD) em São João de Meriti, na Baixada Fluminense, onde foi aconselhado pelo pastor Marcos Pereira a se entregar às autoridades.

Segundo o advogado, que também pertence à igreja, o outro acusado entrou em contato com a ADUD, mas não retornou. Espera-se que ele se apresente à polícia no início da semana que vem.

Na noite de quarta-feira (14), Santos e Carvalho subiram até o Cristo Redentor pelos trilhos do bonde que leva até o monumento. Eles se aproveitaram dos andaimes instalados em virtude de uma obra de restauração para alcançar o rosto da estátua de 33 metros de altura.

Os dois picharam mensagens como “cadê a engenheira Patrícia?”, “Cadê Priscila Belfort?” e “Quando os gatos saem, os ratos fazem a festa”, além das assinaturas “Zabo” e “Aids”, respectivos apelidos dos acusados.

Segundo o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional, o trabalho de remoção das pichações deve durar 15 dias.

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