Greve de ônibus no Rio prevista para dia 26 é considerada ilegal pelo TRT

Daniel Milazzo
Especial para o UOL Notícias

No Rio de Janeiro

Em audiência pública realizada nesta terça-feira (20) no Tribunal Regional do Trabalho da 1ª Região (TRT-RJ), no Rio de Janeiro, a vice-presidente do Tribunal e presidente em exercício, desembargadora Gloria Regina Ferreira Mello, reconheceu a ilegalidade da greve dos rodoviários que está sendo convocada para a próxima segunda-feira (26).

A desembargadora baseou a decisão no fato de nenhum dos dois sindicatos da categoria reconhecer a paralisação. O TRT-RJ determina, inclusive, que os trabalhadores que participarem de tais atividades terão de responder individualmente perante seus empregadores. Eles estarão sujeitos à demissão por justa causa.

Os rumores de greve circulam entre os profissionais da categoria desde a última quinta-feira (15). Consta na ata da audiência realizada no TRT-RJ a informação de que a greve está sendo convocada pelo “Movimento Rodoviário Direção Firme”, coordenado por “Ronaldo da Tijuquinha”.

Na tarde desta quinta-feira (22), o presidente do Sindicato Municipal dos Rodoviários do Rio de Janeiro, Antônio Branco, reiterou que a greve não é reconhecida pela organização. Ele acusa ex-rodoviários e “grupos inconformados com o resultado das últimas eleições do sindicato” de quererem promover a paralisação. Segundo Branco, o sindicato já está pedindo aos motoristas e cobradores que eles não parem o trabalho.

O TRT-RJ determinou que o sindicato, na posição de representante legal da categoria profissional, divulgue amplamente sua não responsabilidade pela possível greve, “alertando os trabalhadores da gravidade da paralisação que causa evidentes transtornos à prestação de serviços essenciais à população”, conforme texto da ata.

Até o momento, o Sindicato das Empresas de Ônibus da cidade do Rio de Janeiro (Rio Ônibus), não recebeu nenhuma reivindicação formal do grupo que pretende realizar a paralisação.

Reivindicações não chegam à Fetranspor
De acordo com Antônio Branco, algumas empresas não estão cumprindo completamente o acordo assinado em 15 de março deste ano, o qual determinou o reajuste de 5% no salário de toda a categoria e benefícios.

“O sindicato vai cobrar no momento certo. Mas será através de negociações, denúncias no Ministério Público, e não greve”, afirma o presidente do sindicato dos rodoviários.

“Pagamento salarial não entra nem em discussão. Isso é cumprido”, sustenta Suzy Balloussier, relações públicas da Federação das Empresas de Transporte de Passageiros do Estado do Rio de Janeiro (Fetranspor). Ela explica que eventuais descumprimentos do acordo feito com os rodoviários têm de ser analisados caso a caso com cada empresa.

Na opinião de Balloussier, o imbróglio põe em questão as lideranças dentro do próprio sindicato dos rodoviários.

Autoridades advertidas
No último dia 12 deste mês, cerca de 120 mil pessoas foram prejudicadas pela paralisação de ônibus. Segundo balanço da Secretaria Municipal de Transportes (SMTR), 90% da frota que circula pela zona oeste – 1.800 veículos – não foi à rua. Na ocasião, manifestantes realizaram piquetes em frente das garagens das empresas, impedindo seus colegas de trabalhar. Ao todo, 25 ônibus foram apedrejados e sete pessoas foram detidas.

A assessoria da Fetranspor adianta que a SMTR e a Secretaria Estadual de Segurança Pública já foram informadas a respeito dos rumores de greve prevista para a próxima segunda-feira (26).

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