Mantega critica "falta de ambição" do FMI em fazer reformas

Da Agência Brasil

Brasília - O ministro da Fazenda, Guido Mantega, criticou a “falta de ambição” do Fundo Monetário Internacional (FMI) no processo de reforma da divisão de cotas da instituição. A crítica foi feita pelo ministro ontem (24), em Washington, durante reunião do Comitê Monetário e Financeiro Internacional. As informações são da BBC Brasil.

"Estamos apavorados pelo contraste entre a ambição demonstrada pela diretoria e a equipe ao falar sobre possíveis novos papéis do Fundo em termos de empréstimos e monitoramento e a falta de ambição demonstrada nos recentes documentos sobre a revisão de cotas", afirmou.

Países emergentes, como o Brasil, defendem uma reforma no FMI e no Banco Mundial e afirmam que a atual estrutura dessas instituições é ultrapassada e ainda reflete a ordem mundial do período pós-guerra. Esses países querem mais voz e mais poder de decisão nessas instituições.

"A legitimidade do Fundo depende de uma redistribuição substancial no poder de decisão. A legitimidade deve ser a questão número um na agenda da instituição", disse Mantega que afirmou ainda que essa necessidade de redistribuição de poder deveria ter sido uma lição deixada pela crise, mas continua sendo adiada e empurrada.

Desde que chegou a Washington, nesta semana, Mantega tem insistido na urgência de fazer as reformas no FMI, antes que os atuais líderes do G20 (grupo que reúne países ricos e em desenvolvimento, do qual o Brasil faz parte) deixem o poder. Segundo o ministro, isso poderia reduzir o apoio político que existe atualmente pelas reformas.

No ano passado, ficou decidido que 5% das cotas de países ricos, que estariam "super-representados" no FMI, seriam transferidas para nações "subrepresentadas", mas ainda falta decidir os critérios dessa reforma. Esse percentual ainda é menor do que os 7% pleiteados pelo Brasil e outros países emergentes.

O Brasil defende que os critérios para essa reforma levem em conta o peso do Produto Interno Bruto (PIB) e da contribuição de cada país para o desenvolvimento mundial. "De 2004 a 2009, os mercados emergentes e países em desenvolvimento contribuíram com mais de três quartos do crescimento global do PIB em poder de paridade de compra", afirmou Mantega.

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