Mais de 2.000 sem-teto ocupam três imóveis e acampam em frente à Prefeitura de SP

Do UOL Notícias

Em São Paulo

Mais de 2.000 manifestantes sem-teto ligados à Frente de Luta por Moradia (FLM) realizam nesta segunda-feira (26) ações em São Paulo para cobrar do poder público políticas habitacionais efetivas. Dois prédios do centro e um terreno na estrada do M’Boi Mirim --extremo sul da capital-- foram ocupados por milhares de famílias. Outro grupo permanece acampado em frente ao prédio da prefeitura, também no centro.

“Nós queremos denunciar a lentidão do governo federal e estadual na resolução dos problemas de moradia na cidade de São Paulo, que se arrastam há mais de dez anos”, diz uma das coordenadoras do MSTC e da FLM, Carmen da Silva Ferreira.

A FLM é composta pelo MSTC (Movimento dos Sem Teto do Centro), MSTRU (Movimento Sem-Teto pela Reforma Urbana), MJI (Movimento Jardim Ipanema), Movimento Terra da Nossa Gente e Fommaesp (Fórum de Moradia e Meio Ambiente do Estado de São Paulo).

Prestes Maia
Um dos prédios ocupados, ainda domingo à noite, é o edifício Prestes Maia, próximo à Estação da Luz, que já foi uma das maiores ocupações urbanas da América Latina. O edifício pertence aos empresários Jorge Hamuche e Eduardo Amorim e está vazio há mais de 15 anos. Com uma dívida de mais de R$ 3 milhões em IPTU, o prédio permaneceu ocupado pelos sem-teto entre 2004 e 2007.

Após uma tensa negociação e várias intervenções policiais, o edifício foi desocupado em 2007 e teve as entradas lacradas pela prefeitura. Contudo, os sem-teto voltaram a ocupar o edifício nesta madrugada e pedem ao Ministério das Cidades que transforme o local em moradia para as famílias de baixa renda.

Aproximadamente 250 pessoas estão no local nesse momento. Muitos manifestantes que ocuparam o prédio de madrugada saíram para trabalhar, mas devem retornar à ocupação.

Nove de Julho
Outro edifício ocupado é o Nove de Julho, que pertencia ao Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) e foi adquirido pelo Ministério das Cidades para transformação em habitação de interesse social. O prédio está vazio há 18 anos e aguarda para ser incluído no programa “Minha Casa, Minha Vida”, do governo federal. De acordo com a FLM, mais de 400 pessoas estão no local.

Segundo a coordenadora da Frente de Luta por Moradia (FLM), dívidas com a Eletropaulo e a Sabesp (Companhia de Águas e Abastecimento) impedem o início da reforma que adaptará o local para habitação de cerca de 200 famílias. Segundo os sem-teto, a Polícia Militar foi chamada ao local e usou gás de pimenta e bombas de efeito moral para tentar desocupar o prédio. A assessoria de imprensa da PM, porém, afirma que ainda não foi acionada para agir em nenhum dos edifícios.

M' Boi Mirim
Já a ocupação do terreno na estrada do M’Boi Mirim tem a participação de 750 pessoas, segundo Felícia Mendes, integrante da FLM que está no local. O terreno possui cerca de 10 km² e “seria um bom destino para as famílias sem-teto”, de acordo com Mendes. Com alta densidade demográfica, a região de M’Boi Mirim é um das mais carentes da capital e com maior demanda por moradia.

Além das ocupações, cerca de 700 famílias armaram acampamento em frente ao prédio da Prefeitura de São Paulo, no viaduto do Chá, região central da cidade. Ao menos duas viaturas da PM e da Guarda Civil Metropolitana estão no local. Os manifestantes ocupam a calçada e não prejudicam o trânsito, segundo os policiais.

De acordo com as lideranças do movimento, em todas as ocupações os manifestantes só irão deixar os imóveis após obterem uma posição concreta do poder público --nos níveis municipal, estadual e federal.

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