Autoridades investigam morte de 8 bebês em uma semana na UTI da maior maternidade de AL

Carlos Madeiro
Especial para o UOL Notícias

Em Maceió

A Vigilância Sanitária de Alagoas vai fazer uma visita nesta quarta-feira (28) à maternidade Santa Mônica, em Maceió, onde oito bebês morreram na UTI (Unidade de Terapia Intensiva) em apenas sete dias. No mês de abril já são 19 óbitos registrados. O caso também chamou a atenção da Defensoria Pública do Estado, que cobrou uma explicação sobre as mortes.

Ao menos três recém-nascidos que morreram nos últimos dias foram vítimas de infecção hospitalar. As demais mortes ainda estão sob investigação. Profissionais da unidade afirmam que, das oito mortes registradas, pelo menos sete foram de bebês que teriam contraído a infecção dentro da maternidade –um deles já teria chegado com o problema. O motivo para o número elevado de casos também está sendo investigado pela Secretaria de Estado de Saúde.

A maternidade é a unidade referência no atendimento a gestantes e bebês de alto risco no Estado. Como a UTI neonatal do Hospital Universitário está fechada há dois meses para reforma, a maternidade passou a ser a única de Alagoas a atender pacientes graves. Por conta disso, a unidade hospital alega que não pode negar mães e bebês em situação de risco, mas reconhece que falta estrutura para atender adequadamente aos bebês. Na noite desta terça-feira (27), a UTI contava com 19 recém-nascidos, quando a capacidade é apenas de 18.

Nesta terça, o coordenador do Núcleo da Saúde da Defensoria Pública, Othoniel Pinheiro, visitou a unidade e cobrou providências urgentes para evitar mais mortes. “É preciso chamar a atenção dos órgãos públicos. Se uma criança apenas morresse por infecção hospitalar já era um absurdo. Vou esperar até amanhã [quarta-feira] pela resposta para que possamos agir”, afirmou.

Segundo o coordenador da Vigilância Sanitária, o número de mortes é “alarmante” e necessita de uma investigação imediata. “Vamos realizar uma visita para averiguarmos todas as condições da unidade, já que esse número de óbitos não é normal. Precisamos também apurar responsabilidades por essas mortes, se houver, mas precisamos de detalhes para termos noção de que medidas vamos tomar para que esses óbitos estanquem”, disse.

Estrutura deficiente
O diretor da Santa Mônica, José Carlos Silver, reconheceu que a maternidade não tem a estrutura adequada para atendimento e está sobrecarregada de trabalho por conta do acúmulo de pacientes que deveriam ir para o Hospital Universitário. Segundo a direção médica da unidade, existem 28 vagas em aberto para médicos neonatalogistas.

“Nós temos um problema crônico de espaço. Temos uma reforma que ainda não foi concluída e há deficiência na escala de neonatalogistas de plantão. Além disso, fomos sobrecarregados de trabalho e estamos atendendo além da nossa capacidade”, explicou.

Segundo Rosângela Wyszomirsrka, reitora da Universidade Estadual de Ciências da Saúde, responsável pela gestão da maternidade, todos os procedimentos já foram tomados para esclarecer o motivo das mortes, e a comissão estadual de investigação de infecção hospitalar já foi acionada e está analisando os casos.

“Já temos a promessa de que, quando a reforma do HU foi concluída, teremos o início da nossa reforma, em especial em nossa UTI. Isso vai nos ajudar, mas precisamos também de mais médicos, pois temos um quadro deficiente”, alegou.

De acordo com a presidente da comissão estadual de infecção hospitalar, Cássia Glaciene Sales, ainda é cedo para fazer uma conclusão que a sobrecarga no atendimento é a causa das mortes. “Precisamos investigar para chegarmos a uma conclusão. Esses bebês eram prematuros”, ressaltou.

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