Comerciantes de camelódromo incendiado no RJ protocolam carta de reivindicações

Daniel Milazzo
Especial para o UOL Notícias
No Rio de Janeiro

Com a ajuda da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB-RJ), os comerciantes que tiveram suas barracas destruídas pelo incêndio de ontem no camelódromo próximo à Central do Brasil, no Rio de Janeiro, protocolaram nesta terça-feira (27) um documento endereçado ao governador do Estado, Sérgio Cabral.

Entre as reivindicações contidas na carta, estão a suspensão do pagamento da taxa de permissão de uso do espaço e o reforço da segurança para resguardar os bens que não foram atingidos pelo fogo - e que correm o risco de serem saqueados. O pedido contou com o apoio também da Associação Assistencial do Micro-empresário e Diferenciado da Área da Central do Brasil (Aamedac).

Na tarde desta terça-feira (27), comerciantes fizeram manifestações em frente ao local, que ainda está com forte cheiro de queimado. Os cidadãos protestaram impedindo o avanço de uma escavadeira que ameaçava destruir o restante dos escombros.  Eles traziam pedaços de papelão com dizeres como “queremos trabalhar” e “Cabral, cadê você?”.

“Não trabalho aqui, mas abraço a causa. Daqui a gente só sai morto”, dizia Cainã de Oliveira Lima, 23 anos. Sandra Maria Ferreira de Souza, 42, há 15 trabalhando no camelódromo, conta que não sobrou nada em suas prateleiras, além de ferro retorcido. “Não é para empatar a demolição. Só queremos uma garantia de que podermos voltar aqui e trabalhar”.

Daniele Passos, que completa hoje 28 anos, há quatro é vendedora de bijuterias no camelódromo. Perdeu documentos, cartões e dinheiro. “Demolir, tem que ser demolido. Mas no braço é que não vamos ganhar nada", dizia ela, acalmando os ânimos.

Mesmo nos setores que não foram atingidos pelas chamas, comerciantes passaram o dia hoje limpando o local e recolhendo mercadorias. É o caso de Fátima de Araújo, 33, cabelereira que tirou seus pertences do box com medo de saques - e temendo que derrubem o local.

No final da tarde, o recadastramento dos comerciantes era feito na praça de alimentação do camelódromo. Amanhã, das 8h às 11h, as pessoas poderão voltar ao espaço para retirar seus bens.

Reivindicações
A lista de pedidos dos camelôs inclui os seguintes itens:

1- Suspensão do pagamento da taxa de permissão do uso, em razão do incêndio
2- Intervenção da Secretaria de Segurança Pública, no sentido de proteger os equipamentos remanescentes do incêndio; instauração de inquérito policial para apuração de responsabilidades frente ao fato
3- Criação de um grupo de trabalho no âmbito da Secretaria da Casa Civil para apresentação de um plano de reestruturação e reocupação, no prazo de até 30 dias, com participação de membros da associação e da administradora do espaço
4- Prestação de assistência social às vítimas do incêndio, através da secretaria de assistência social do Rio de Janeiro
5- Recadastramento de todos os comerciantes instalados no espaço
6- Fiscalização por parte da Defesa Civil sobre as condições de funcionamento das instalações

 

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