EUA consideram "crítica" a violência em SP; alerta é o quarto sobre o Brasil em 2010

Arthur Guimarães
Do UOL Notícias
Em São Paulo

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A atual recomendação para que turistas evitem viajar para a Baixada Santista, no litoral paulista, faz parte de uma série de alertas e notícias divulgadas sobre o Brasil este ano pelo Conselho Consultivo de Segurança no Exterior (Osac, da sigla em inglês), departamento do governo dos Estados Unidos (EUA) responsável por zelar pela segurança dos cidadãos norte-americanos ao redor do mundo.

Como mostra o site da instituição, pelo menos outros três avisos foram emitidos em 2010. Dois falavam sobre os cuidados para enfrentar as chuvas que atingiram o Sudeste nesse começo de ano. Já o terceiro boletim, espécie de relatório anual de segurança, discorre sobre a situação “crítica” da criminalidade no Estado de São Paulo.

EUA pedem que cidadãos evitem viajar ao Guarujá
(SP) devido à violência

O órgão do governo dos EUA responsável pela segurança de seus cidadãos no exterior recomendou, em comunicado, que os norte-americanos "evitem viajar" para quatro das maiores cidades do litoral paulista --Santos, Guarujá, São Vicente e Praia Grande-- até que a onda de violência da última semana
esteja encerrada

Este último relatório, assinado em 22 de fevereiro, demonstra a preocupação das autoridades estrangeiras com a estadia de visitantes em São Paulo. Logo na abertura do texto, o governo americano diz que a ameaça criminosa é considerada “crítica”, com níveis altos de crimes por todo o Estado. Na avaliação, o problema é gerado por gangues e pelo crime organizado.

O boletim diz ainda que assaltos armados fazem parte da “vida normal de todo dia” do cidadão paulista, sendo notados também em bairros mais abastados, como “Jardins, Morumbi e Santo Amaro, regiões em que empresários e líderes governamentais vivem".

Aos norte-americanos, o site da Osac avisa que os crimes mais preocupantes são sequestros, roubo de carros, sequestros falsos e invasões domiciliares. Os visitantes recebem ainda uma aula sobre como funcionam os sequestros relâmpagos. Como explica o comunicado, a modalidade ocorre quando os criminosos “obrigam o refém a sacar o limite diário de crédito de sua conta”, via caixa eletrônico, ou prendem o “sequestrado enquanto usam seu cartão de crédito”.

Outra característica paulista retratada na recomendação aos norte-americanos é o assalto no trânsito, “que continua um problema para visitantes e para moradores locais, especialmente durante o dia e nos congestionamentos”. A dica é se manter sempre alerta no movimento ao redor do carro, mantendo a porta trancada e, o vidro, fechado.

O alerta cita ainda os ataques do Primeiro Comando da Capital (PCC) em 2006, dizendo que os ataques às bases da Polícia Militar (PM) foram um dos piores incidentes na história moderna da cidade, comandados por uma “violenta gangue de presos que supostamente controla a maioria do contrabando e a entrada e saída de drogas nas prisões de São Paulo”.

Por último, o Osac acalma os cidadãos dos EUA em relação a terremotos, mas não deixa de avisar aos interessados em conhecer São Paulo de que as enchentes são uma frequente. O texto informa que, nos últimos anos, “avenidas e pontes importantes ficaram submersas na água”, como em dezembro de 2008, quando inundações deixaram “20 mil residentes sem água potável” e causaram o cancelamento de “70 vôos no Aeroporto de Congonhas”.

Tragédias naturais
Em 6 de janeiro, outro relatório foi produzido, mas dessa vez sobre o Rio de Janeiro, especificamente sobre a época de chuvas que causou vários estragos pelo Estado. Na ocasião, a orientação era para que os norte-americanos evitassem as cidades ao redor de Angra dos Reis. Segundo o texto oficial, os turistas deveriam checar os canais de previsão do tempo antes de ir para regiões de encosta, fugindo de estradas bloqueadas e de “tragédias” que “podem acontecer em qualquer lugar”.

Mais recentemente, no dia 7 de abril, a recomendação era para que os cidadãos dos EUA ficassem em casa – se possível – por conta das chuvas torrenciais que causaram problemas no tráfego e mortes no Estado fluminense. A nota relatava ainda o fechamento de algumas estradas e avisava que as escolas permaneciam sem aulas.

Outro lado
Em nota oficial divulgada pelo consulado norte-americano em São Paulo, o governo dos Estados Unidos informa que tem “o dever de informar cidadãos americanos sobre riscos potenciais em outros países, o que é feito através de alertas de viagem e comunicados”. Segundo o órgão, “este é um procedimento comum, feito em todo o mundo”.

As autoridades estrangeiras explicam que são enviados “constantemente avisos sobre uma série de assuntos para cidadãos americanos cadastrados no consulado ou na embaixada dos Estados Unidos”. Sobre o alerta envolvendo a Baixada Santista, o consulado alega que “tomou a decisão de informar cidadãos americanos sobre riscos potenciais gerados por incidentes ocorridos na região de Santos, Guarujá, São Vicente e Praia Grande, depois de consultar forças policiais locais e especialistas em crime, assim como reportagens publicadas na imprensa brasileira”.

Como informa a nota oficial, a recomendação para que os norte-americanos evitem a Baixada Santista continua. “Assim que o consulado detectar melhora na situação, outro comunicado será enviado aos cidadãos norte-americanos cadastrados no consulado dos EUA em São Paulo”, diz o texto enviado.

A Secretaria de Segurança Pública (SSP) do Estado de São Paulo informou nesta terça-feira (27) que “a segurança pública dos municípios do litoral paulista está sob controle” e que “qualquer cidadão que deseje, pode visitar normalmente as cidades”.

A nota foi uma resposta a um recente comunicado do Osac. Segundo a SSP, o policiamento na região foi reforçado desde 19 de abril “com aumento do efetivo local e a chegada de tropas especializadas” e a secretaria e as polícias “estão atentas para coibir qualquer perturbação da ordem pública”.

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