Doze PMs têm prisão temporária decretada por morte de motoboy em SP

Do UOL Notícias*
Em São Paulo

Doze policiais militares tiveram a prisão temporária decretada na tarde desta quarta-feira (28) pelo Tribunal de Justiça Militar acusados de participar do caso envolvendo tortura e agressão que culminou na morte do motoboy Eduardo Luiz Pinheiro dos Santos, no último dia 10, na zona norte da capital.

Segundo a Secretaria de Segurança Pública, desde sexta-feira (23), nove dos 12 policiais estavam na sede da Corregedoria da PM, sob prisão administrativa que venceria hoje. Eles são acusados de homicídio, junção de PMs para prática de violência no quartel e prevaricação – pois alguns dos policiais não participaram da agressão, mas também não a impediram.

O major Marcelo Nagy, porta-voz da Corregedoria da PM, afirmou que a prisão temporária, solicitada pela própria Corregedoria, “serve para continuar com as investigações e não prejudicar a Polícia Militar e a família da vítima”. Os policiais serão transferidos ainda hoje para o presídio militar Romão Gomes, na zona norte da cidade.

Histórico
O motoboy foi encontrado morto com traumatismo craniano e hemorragia à 0h10 do último dia 10, três horas após ser abordado por PMs e levado para a 1ª Companhia do 9º Batalhão, na Casa verde, zona norte de São Paulo. Recentemente, foi revelado que o comandante-geral da Polícia Militar, coronel Álvaro Camilo, escreveu uma carta de três páginas à pedagoga Elza Pinheiro dos Santos, de 62 anos, pedindo desculpas pela morte de seu filho Eduardo, de 30.

Segundo uma fonte da PM, o coronel escreveu a carta de próprio punho, datada de 23 de abril. No primeiro parágrafo, ele se dirige a Elza não como comandante-geral, mas como Álvaro Camilo e pede desculpas "pelo que, a princípio, pessoas insanas e desumanas fizeram à sua família". O comandante-geral, então, deixa claro que se coloca como pai e lamenta o episódio.

O coronel classifica a morte de Eduardo "como ato inconcebível desses homens que envergaram a farda da Polícia Militar, mas se esqueceram do juramento feito de defender a sociedade com o sacrifício da própria vida".

O comandante-geral da Polícia Militar encerra a carta com uma curta mensagem de pesar à mãe de Eduardo: "Que Deus lhe conforte e ilumine nesse momento de dor e de sofrimento." O advogado Marcelo Hazan, defensor de dois dos nove PMs investigados, afirmou na sexta-feira que seus clientes são inocentes. "Eles não torturaram nem espancaram ninguém."

*Com informações da Agência Estado

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