Prefeitos do litoral de SP dizem que pedido de reforço policial não foi atendido

Arthur Guimarães
Do UOL Notícias
Em São Paulo

  • Moacyr Lopes Junior/Folha Imagem

    Homens da PM fazem ronda nesta quarta-feira (28) no bairro Santa Rosa, no Guarujá

    Homens da PM fazem ronda nesta quarta-feira (28) no bairro Santa Rosa, no Guarujá

Enquanto o governo dos Estados Unidos (EUA) segue recomendando aos cidadãos norte-americanos que evitem a Baixada Santista por conta de uma suposta onda de violência, autoridades municipais da região reclamam do baixo efetivo policial alocado nas cidades do litoral centro-sul paulista e revelam que tal carência foi levada – “sem retorno” – ao conhecimento do secretário estadual de Segurança Pública de São Paulo (SSP), Antonio Ferreira Pinto.

Tércio Garcia, prefeito de São Vicente, lembra que no ano passado, durante uma reunião do Conselho de Desenvolvimento da Região Metropolitana da Baixada Santista (Condesb), a questão da falta de homens foi alvo de reclamações “unânimes” por conta dos governantes que estiveram no encontro realizado em Santos. Na ocasião, o chefe da SSP estava presente e ouviu todas as colocações.

Como ele explica, um dos fatores que contribui para a redução de policiamento é a exigência para que os homens da Polícia Militar (PM) façam a escolta de presos. “Temos quatro presídios, um Centro de Detenção Provisória e uma unidade da Fundação Casa. Em qualquer deslocamento para o fórum, vários de nossos policiais ficam fora de circulação”, reclama o político, que registrou em sua cidade seis homicídios desde o dia 11 de abril, fato que teve influência sobre o recente diagnóstico norte-americano.

Segundo o prefeito, apesar das quedas dos índices de mortes violentas e também no número de furtos e roubos, observa-se uma “diminuição gradual” do efetivo da PM na região. “Nosso efetivo é pequeno. Precisamos de muito mais.” Questionado se o governo estadual teria se sensibilizado com a questão, ele foi enfático. “Não teve muito retorno. A secretaria se sensibilizou, mas não resolveu.”

Secretário de Defesa Social do Guarujá, município citado nominalmente na lista negra das autoridades estrangeiras, Ricardo Joaquim de Oliveira também engrossa o coro de insatisfação. Como ele conta, a cidade tem cerca de 300 guardas municipais, 75 vigias particulares, 300 homens da PM e 70 da Polícia Civil, contingente que chega a dobrar em épocas festivas ou feriados.

Mesmo assim, como ele diz, falta policiamento. “Tivemos um soluço. Desde que o governo estadual definiu que a PM faria a escolta de presos, você passou a tirar os policias da rua. E o problema é que são os policiais militares que fazem a maior presença, com a farda e o posicionamento ostensivo. Reduz um pouco nossa segurança”, alerta o secretário, que, no entanto, também sustenta que os índices de violência em sua cidade são cada vez menores. “Não estamos abandonados. Mas sempre dá para melhorar. Levamos esse apelo ao secretário exatamente para ter uma solução, já que a situação nos preocupa.”

Ruy Santos, vice-prefeito de Itanhaém, igualmente é contra a retirada de policiais das ruas para escolta de presos. “Ficamos defasados. Acaba tirando o efetivo de nossa cidade”, diz ele, que participou da reunião em que Antonio Ferreira Pinto recebeu as solicitações de reforço por parte das autoridades locais. “Não foi feito um ofício. Mas ficou oficializado naquele momento que nossa reivindicação era essa”, afirmou ele, que também acha que é falho o critério para a distribuição de policiais no litoral. “Temos uma população flutuante que nem sempre é levada em conta. Temos poucos policiais. Nem sempre conseguimos dar todo o suporte necessário à população”, conta.

O próprio delegado seccional de Santos, Rony da Silva Oliveira, pede um reexame por parte da SSP-SP do contingente de homens que fazem a segurança do litoral. “A baixada é o principal ponto turístico do Estado. Além disso, o acesso é feito por uma estrada muito moderna, com o atrativo do Rodoanel que ainda está trazendo mais gente para cá. Temos um alto número de turistas, mesmo fora de época e na chuva. E isso (o efetivo) tem que ser reexaminado, reestudado, para que possamos ter um trabalho que possa atender melhor a população”, diz.

Os prefeitos de Santos, Bertioga e Praia Grande também foram procurados pela reportagem, mas não retornaram ao pedido de entrevista.

Outro lado
A Secretaria Estadual de Segurança Pública confirmou que Antonio Ferreira Pinto participou da citada reunião do Condesb em 2009 e que, na oportunidade, ouviu dos prefeitos reclamações sobre a falta de efetivo na região.

Segundo o órgão, no entanto, não há nenhum equívoco no número de policiais alocados na Baixada Santista. Como afirma a secretaria, existe uma equação, feita com critérios objetivos, que guia a logística de distribuição das tropas. Essa “conta” seria feita com base em itens como população residente e flutuante, criminalidade e peculiaridades do local, como, por exemplo, a existência de uma grande universidade.

A SSP sustenta que todas essas variáveis foram levadas em consideração na hora de determinar o efeito policial nas cidades do litoral centro-sul do Estado. Além disso, a pasta esclarece que a crítica sobre a retirada de policiais da rua para a escolta de presos é um problema que está sendo atacado com a abertura de concursos para contratação de novos homens, como forma de compensar a nova atribuição da PM. Tal dificuldade, como argumenta o órgão, também terá seu impacto reduzido com a esperada ampliação do uso do sistema de teleconferências para julgamento de detentos.

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