Para PM, Baixada Santista vive "total normalidade"; população teme nova onda de violência e muda rotina

Ricardo Prado
Especial para o UOL Notícias
Em Santos

  • Moacyr Lopes Junior/Folha Imagem

    Homens da PM fazem ronda nesta quarta-feira (28) no bairro Santa Rosa, no Guarujá

    Homens da PM fazem ronda nesta quarta-feira (28) no bairro Santa Rosa, no Guarujá

Total normalidade. Nas palavras do comandante do Batalhão da Polícia Militar de Santos, Sérgio Del Bel, este é o clima da segurança na Baixada Santista. "Depois da chegada de um efetivo de 200 policiais da Tropa de Choque e Rota, nós não registramos mais nenhuma ocorrência grave na região. O clima é de total normalidade", disse ele.

"Imediatamente após a ocorrência daqueles crimes, nós solicitamos este apoio, refizemos algumas escalas de serviço e reforçamos policiamento nos locais próximos onde ocorreram os crimes", disse. Ainda assim, o clima é de dúvidas e até temor entre a população do distrito de Vicente de Carvalho, no Guarujá, no litoral paulista, principal ponto onde ocorreu a recente onda de violência.

O UOL Notícias circulou pelas ruas próximas às Avenidas Oswaldo Cruz, Santos Dumont e Presidente Vargas, algumas das maiores vias da região. A dona de casa Carla Aguiar, de 22 anos, disse que ainda há sensação de medo. "A cada dia a gente escuta uma coisa diferente, um boato diferente. Nós vamos fazer o que? Ignorar e arriscar levar um tiro?".

Já o aposentado Francisco José Oliveira, de 60 anos, reconhece o trabalho da polícia. "Nós estamos percebendo um aumento no policiamento, sim. Só que tem que ser sempre assim, não só em horas de crise", disse.

Um grupo de estudantes que andava pela Avenida Oswaldo Cruz comentou as mudanças que tiveram que fazer em seus hábitos. "Agora, ficou difícil para os pais deixarem ficar na rua até tarde. Antes, não se via polícia nenhuma", disse Newton de Oliveira, de 17 anos. Já a estudante Camilla Silva, de 15 anos, contestou a cobertura da imprensa: "Às vezes acabam mostrando uma coisa maior do que ela realmente é." Em alguns pontos da região, o temor sobre o assunto é tamanho que ninguém quer falar sobre a questão. Os que concordaram em falar não quiseram ser fotografados.

De acordo com a PM, não foram mais registradas ocorrências graves na Baixada Santista desde a madrugada da última sexta-feira, 23 de abril, quando ocorreu o assassinato de Alessandra Matos Madeira, 29 anos. Foi nesta mesma noite que surgiram os últimos boatos de supostos toques de recolher decretados por parte de criminosos.

Turismo
A violência na Baixada Santista repercutiu até internacionalmente, com a publicação de um comunicado do Conselho Assessor de Segurança no Exterior (Osac), do governo dos Estados Unidos, que pedia aos cidadãos norte-americanos que evitassem viajar para as cidades de Santos, Guarujá, São Vicente e Praia Grande até o fim da onda de violência. Em nota, a Secretaria de Segurança Pública de São Paulo afirmou que a segurança dos municípios do litoral paulista está sob controle e qualquer cidadão pode visitar normalmente as cidades da Baixada Santista.

Para o presidente do Guarujá Convention & Visitors Bureau, a atitude do consulado foi desagradável, mas não preocupa. "O norte-americano representa em torno de 0,5% de nossos turistas. O impacto será nulo. Mesmo com relação a turistas de outros lugares do Brasil, não há preocupação: eles sabem que os fatos ocorreram longe do polo turístico de Guarujá", disse Ricardo Roman Júnior, presidente do Bureau. O Sindicato de Hotéis, Restaurantes, Bares e Similares da Baixada Santista e Vale do Ribeira se manifestou de forma semelhante, considerando o comunicado "precipitado".

Já o comandante Del Bel não desconsidera o comunicado, lembrando que ele foi publicado enquanto os crimes ainda ocorriam, e só repercutiu esta semana. "O comunicado é o reflexo de um momento. Felizmente, o momento é outra", disse. As recomendações dele à população são categóricas: "Confie no trabalho da Polícia Militar. Qualquer pessoa que tiver algum tipo de informação pode se utilizar do Disque-Denúncia ligando para 181, sem precisar se identificar", disse.

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