Bebês trocados em hospital de GO serão entregues às famílias biológicas

Luiz Felipe Fernandes
Especial para o UOL Notícias

em Goiânia

Foi divulgado nesta sexta-feira (30) o resultado do terceiro e último exame de DNA feito com os bebês trocados no hospital Santa Lúcia, no bairro de Campinas, em Goiânia. O cruzamento do material genético de duas famílias – uma da capital e outra do interior de Goiás – confirmou que, desde que nasceram, há um ano e um mês, as crianças não estão sendo criadas pelos pais biológicos.

Segundo Adriana Accorsi, titular da Delegacia de Proteção à Criança e ao Adolescente (DPCA), os meninos devem ser entregues às verdadeiras famílias na semana que vem sob mediação de um juiz da infância e da juventude. A delegada esclarece que, pela lei, a criança tem o direito de ser criada pelos pais biológicos e, por isso, a destroca será feita independente da vontade das famílias.

O caso veio à tona no mês passado quando uma vendedora de 23 anos (que prefere não ter o nome divulgado), moradora de Goiânia, fez um exame de DNA para saber se o menino que ela criava era seu filho. Com o resultado negativo, o caso foi denunciado à polícia, que providenciou outro exame de DNA, dessa vez com um bebê que também nasceu no dia 25 de março de 2009, no mesmo hospital. O menino é criado por uma família de Teresópolis (GO).

Fabiano Dias, advogado da vendedora, diz que a mãe está aliviada com o resultado do exame. “Ela já sabia desde o início (que o outro bebê era seu filho)”. Logo que ficou sabendo do erro, no mês passado, a mulher chegou a declarar que, mesmo com a confirmação, queria continuar criando a mesma criança. Dias afirma que, agora, ela está mais acostumada com a ideia. “Vamos fazer uma troca gradual, para tentar diminuir os traumas”, esclarece.

Inquérito
Para a polícia não há dúvidas de que o erro foi cometido por uma das três enfermeiras que trabalhavam no berçário do hospital Santa Lúcia na madrugada do dia 25 de março do ano passado. Todas já prestaram depoimento e negaram a responsabilidade pela troca.

Segundo Adriana Accorsi, todas serão indiciadas pelo crime de substituição de recém-nascido, pelo qual podem ficar seis anos na prisão.

Entre as funcionárias está a técnica de enfermagem Rosemar Correia da Silva, que já se envolveu em outra troca de bebês no mesmo hospital, em 2008. Na época, os pais desconfiaram do erro, denunciaram o caso à polícia e os recém-nascidos foram entregues para as respectivas famílias com 21 dias de vida. A te Silva não trabalha mais no hospital e, no dia em que compareceu à delegacia, disse que só falaria em juízo.

Desconfiança gerou separação
O advogado da vendedora diz que pretende cobrar na Justiça indenização por danos morais à família. Isso porque as diferenças físicas do bebê sempre foram motivo de desconfiança por parte do ex-marido. O menino tem pele e cabelos claros, ao contrário dos pais, que são morenos. Um dos motivos da separação do casal teria sido a acusação de infidelidade feita depois que o menino nasceu.

O advogado do hospital Santa Lúcia, Constantino Kaial Filho, diz que prestará todos os esclarecimentos à polícia para que as pessoas responsáveis pelo erro sejam punidas. “Não vamos fugir às nossas responsabilidades”, disse.

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