Mais de 3.000 policias foram investigados por abusos no último ano, mostra corregedoria

Arthur Guimarães
Do UOL Notícias
Em São Paulo

Envolta em nova polêmica por abusos de seus homens, a Polícia Militar (PM) de São Paulo registrou no último ano 3.218 inquéritos policiais militares para investigar condutas suspeitas de membros da corporação.

O levantamento, fornecido pela corregedoria da própria PM, foi tabulado com base nos casos registrados entre 15 de abril de 2009 e 15 de abril deste ano. No total, como aponta a análise, foram 155 PMs demitidos e 156 expulsos, estes últimos sem possibilidade de prestar novo concurso público para qualquer função no Estado.

Além disso, foram 20 afastamentos pela chamada "reforma administrativa", quando o policial condenado alega incapacidade mental e se aposenta recebendo parte dos vencimentos da aposentadoria.

Entre expulsos e demitidos, 296 procedimentos foram contra praças (de soldado a sub-tenente) e outros 15 foram contra oficiais de maior patente.

O levantamento da polícia não especifica que tipo de irregularidade aconteceu em cada caso.

Histórico
A mais recente denúncia contra policiais foi feita na noite de ontem (29) pela mãe de um rapaz, de 22 anos, que foi agredido e baleado. A outra vítima, um jovem de 16, afirmou que os dois tinham sido detidos e espancados por três policiais na última segunda-feira (26).

No dia seguinte, o rapaz mais velho voltou a ser agredido dentro de uma lan house, localizada no bairro Parque Edu Chávez, na zona norte de São Paulo. Testemunhas afirmaram que ele foi espancado e baleado três vezes por quatro homens, que fugiram a pé. Os suspeitos chegaram a ser detidos por PMs de uma base próxima ao local do crime, mas foram liberados após se identificarem como policiais.

O rapaz baleado foi encaminhado para o Hospital São Luiz Gonzaga, onde afirmou que os autores das agressões eram policiais militares. A Corregedoria esteve no local, segundo a Secretaria de Segurança Pública.

Outro caso
Nesta semana, a Justiça Militar decretou a prisão temporária de 12 policiais militares acusados de participarem da tortura e morte do motoboy Eduardo Luiz Pinheiro dos Santos, 30, no último dia 9, também na zona norte de São Paulo.

Eles são acusados de homicídio, formação de grupo para prática de violência no quartel da PM e prevaricação, já que alguns dos policiais não participarem diretamente da agressão, mas também não impediram o crime.

A vítima morreu após ser espancada. Horas antes, ele havia sido detido com outras três pessoas pelos policiais que foram atender uma ocorrência de furto de bicicleta na esquina da rua Maria Curupaiti com a avenida Casa Verde (zona norte de SP). Segundo a corregedoria da PM, os suspeitos foram levados para o batalhão da PM ao invés de irem para a delegacia.

No mesmo dia, por volta da meia-noite, a vítima foi encontrada caída no chão por outros policiais na esquina da rua Voluntários da Pátria com a avenida Brás Leme, zona norte. O homem foi levado a um hospital da região, mas não resistiu aos ferimentos.

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