Mulheres que tiveram filhos trocados em GO vão morar na mesma cidade para manter contato

Luiz Felipe Fernandes
Especial para o UOL Notícias

Em Goiânia

Até o fim dessa semana, as duas mães que tiveram seus filhos trocados em um hospital de Goiânia no ano passado vão morar na mesma cidade de Goiás. A vendedora Queila Celina dos Santos Fagundes, 22, vai se mudar para Nerópolis (36 km de Goiânia), onde Elaine Gomes de Oliveira Pires, 28, também pretende morar. A decisão, segundo Queila, foi tomada para que as crianças cresçam juntas.

Troca de bebês é marcada por sofrimento

A declaração foi dada em entrevista coletiva na tarde desta terça-feira (4), no escritório do advogado Fabiano Dias. Foi a primeira vez que Queila falou com a imprensa desde que os bebês foram destrocados, na tarde de ontem. Ela respondeu às perguntas dos jornalistas com o filho nos braços. O menino chegou chorando, mas logo se acalmou e até dormiu durante a entrevista.

O erro cometido no hospital Santa Lúcia, no bairro de Campinas, em Goiânia, foi corrigido um ano, um mês e oito dias depois do nascimento dos bebês. Queila foi a primeira a saber do equívoco, ao fazer um exame de DNA no mês passado. As diferenças físicas do bebê sempre foram motivo de desconfiança por parte do ex-marido. O menino tinha pele e cabelos claros, ao contrário dos pais, que são morenos.

Queila, aparentemente aliviada, repetiu a frase dita por Elaine na segunda-feira, minutos antes da destroca. “Somos como irmãs gêmeas e vamos criar nossos filhos juntas.” A vendedora disse que a primeira noite com o filho biológico foi difícil. Por volta das 21h de ontem, ela pediu que Elaine fosse até sua casa para amamentar a criança. “Ele acordou três vezes, mas não chorou muito”, contou a Queila.

A jovem chorou quando foi questionada sobre a lembrança da criança que ela criou durante um ano como se fosse seu filho. “Sinto muita saudade. Lá em casa tem muitos quadros com a foto dele. Ontem mesmo eu achei um chinelinho e lembrei dele”, desabafou.

Queila também afirmou que não foi a desconfiança do ex-marido e, sim, as acusações de infidelidade que partiram da família dele que motivaram o fim do casamento. “Fiquei com muita raiva porque ele, em nenhum momento, me defendeu da família dele. Ainda estou muito magoada. Não tem perdão”, disse, sobre as suspeitas de que o filho não fosse dele.

O ex-marido, Paulo César Alves Fagundes, 27, que também participou da entrevista, disse que se reaproximou de Queila apenas por causa da criança e que não há possibilidade do relacionamento ser reatado. “Tenho que dar um apoio, não posso me afastar.”

O advogado Fabiano Dias afirmou que vai processar o hospital Santa Lúcia pelo erro. Na ação, ele pretende solicitar indenização à sua cliente. “Não posso falar em valores, pois eles são determinados depois que a sentença é dada”, disse.

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