Metade das empresas de motoboy de SP é clandestina, diz diretor da CET

Arthur Guimarães
Do UOL Notícias
Em São Paulo

  • 18.jan.2008 - Caio Guatelli/Folha Imagem

    Imagem de janeiro de 2008 mostra motoboys reunidos no centro de SP durante manifestação

    Imagem de janeiro de 2008 mostra motoboys reunidos no centro de SP durante manifestação

A segunda motofaixa da capital paulista deve ser implantada ainda neste mês na rua Vergueiro, mas, segundo a Companhia de Engenharia de Tráfego (CET), ainda não há nenhum projeto de expansão para o resto da cidade. "Existem várias alternativas sendo estudadas pela equipe de planejamento, mas são vários impactos envolvidos, então não temos definido ainda nenhum novo local", disse o diretor administrativo da companhia, Roberto Allegretti, em entrevista ao UOL Notícias.

Segundo dados do Departamento Estadual de Trânsito (Detran), São Paulo registrava em março deste ano uma frota de 834.064 motocicletas, um aumento de mais de 22% em relação há dois anos. Pelos cálculos do diretor da CET, metade das empresas que empregam motoboys na cidade atualmente são clandestinas.

Em um balanço do trabalho do governo municipal nessa área, Allegretti falou à reportagem sobre a entrada dos motoboys no mercado formal, rebateu as críticas sobre o baixo número de motofaixas e contou quais são os próximos projetos da prefeitura para melhorar a fluidez do tráfego. Veja os principais trechos da entrevista:

UOL Notícias – Quantas empresas estão cadastradas hoje na prefeitura e quantas trabalham na informalidade?
Roberto Allegretti
– Temos o número de empresas regulares, que são 589 na capital. Pela minha experiência, deve haver pelo menos o mesmo número de clandestinos.

UOL Notícias – Como anda a regularização da categoria dos motoboys em São Paulo?
Allegretti
– O mais importante é trazer toda a categoria para a formalidade. Percebemos que há nos últimos anos um avanço por parte dos sindicatos nessa linha, identificando e regularizando os motofretistas e motociclistas na capital. Mas ainda há muitos que estão na informalidade. Sabemos da existência dessas empresas. É algo muito dinâmico. Se formam grupos de motociclistas, pegam um endereço e começam trabalhar.

UOL Notícias – O que a prefeitura tem feito para eliminar os clandestinos?
Allegretti
– Fazemos ações integradas entre os sindicatos e o Departamento de Transportes Públicos (DTP). Localizamos empresas por denúncias, intimamos e damos prazos para regularização. O complicado é que alguns motofretistas nem têm endereço, atuam tendo como base até carros estacionados na rua.

UOL Notícias – Como a prefeitura encara o dilema entre criar motofaixas para proteger os motociclistas e motofretistas e ao mesmo tempo ser criticada por incentivar o transporte individual?
Allegretti
– Não há dilema nisso. Temos que preservar a vida dos motociclistas e motofretistas. A circulação de motocicletas é uma realidade da cidade. Temos cadastradas mais de 700 mil motos. É um contingente bem significativo. Dez por cento de nossa frota é composta por motocicletas. Há uma realidade objetiva e uma opção pela vida. Temos uma média de um óbito por dia na capital. A ideia é tentar preservar ao máximo a vida de todos os motoristas. Fora isso, as pessoas ficam inválidas e deixam de trabalhar ou ficam machucadas, gerando um custo alto para o sistema de saúde e para a economia da cidade. Aliás, muita gente pensa que é o motoboy quem mais morre. Mas não é. Quem morre mais são os motociclistas que pegam a moto de manhã para ir trabalhar. Ou seja, todos estão envolvidos.

UOL Notícias – Se a motofaixa é um instrumento para evitar acidentes, por que a prefeitura está inaugurando apenas duas opções para tantos motociclistas?
Allegretti
– Você não pode criar a motofaixa em todas as vias principais, não tem espaço. Causaria um problema na fluidez. Como você vai fazer na avenida 23 de Maio? Você vai ter que inutilizar uma faixa de rolamento. Impacta a fluidez, impacta a segurança, já que fica difícil o motociclista sair da faixa com o trânsito carregado. Na 23 de Maio, você tem na hora de pico 1.500 motos circulando É um risco muito grande. Temos que encontrar vias paralelas.

UOL Notícias – E vocês estão encontrando vias paralelas?
Allegretti
– É um trabalho que exige muito estudo e critério. Há várias necessidades de adaptação, várias obras precisaram ser feitas para que a motofaixa funcione. Existem várias alternativas sendo estudadas pela equipe de planejamento, mas são vários impactos envolvidos, então não temos definido ainda nenhum novo local.

UOL Notícias – Quando deve começar a funcionar a motofaixa da rua Vergueiro?
Allegretti
– A obra está sendo encerrada. Agora no começo de maio, fazemos a sinalização horizontal e vertical. Então esperamos colocá-la em funcionamento na segunda quinzena de maio. E temos uma comissão composta por todos os segmentos envolvidos. Eles vão acompanhar a implementação, acompanhar a problemática. Teremos 90 dias para avaliar antes de tirar as motos da 23 de Maio.

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